Trilha Inca: o caminho para Machu Picchu

Superar desafios e medos, reaprender sobre os limites do corpo, conhecer a si próprio. Essas são as frases que descrevem minha caminhada pela Trilha Inca Tradicional, que começou próxima a Ollantaytambo e terminou em um dos meus sonhos viagem: Machu Picchu, uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

Andar pelas montanhas da Cordilheira dos Andes até chegar na Cidade Sagrada dos Incas é um mistura de fantasia e realidade.

O que é a Trilha Inca?

A Trilha Inca Tradicional (ou Inka Trail, em inglês) é um caminho histórico com 45 km de extensão, que é percorrido a pé em 4 dias e com 3 pernoites em acampamentos.

O trajeto começa no km 82 da estrada de ferro a Machu Picchu, em Piscacucho (Ollantaytambo), a 2.600 metros acima do nível do mar, às margens do Rio Vilcanota, e termina na “Cidade Perdida”– Machu Picchu – a 2.400 metros de altitude.

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O km 82 da Estrada de Ferro para Machu Picchu marca o ponto de partida para a Trilha Inca Tradicional (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Mas isso não significa que foram apenas quilometragens de descida. Muito pelo contrário, eram muitas subidas e os desníveis altimétricos eram bastante cansativos, afinal, a caminhada aconteceu entre montanhas.

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O Caminho Inca foi construído entre as montanhas andinas. As variações de subidas e descidas são intensas e cansativas, exigindo um bom preparo físico (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

A Trilha Inca Tradicional (ou ainda Caminho Inca, como também pode ser chamada) é apenas um trecho de uma grande rede de caminhos construídos durante o Império Inca e que servia como rota de conexão entre diversos povoados integrantes desse antigo território.

Nesta postagem, vou descrever minha experiência pela Trilha Inca Tradicional, além de contar como foi conhecer Machu Picchu e subir a Montanha Huayna Picchu, que constituem o sítio arqueológico elevado a Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1.983.

Como comprar a Trilha Inca?

A Trilha Inca Tradicional (4 dias/3 noites) ou a Trilha Inca Curta (2 dias/1 noite) podem ser adquiridas em sites especializados neste tipo de passeio.

Os valores variam de US$600,00 até US$1.600,00 (quanto mais alto o valor, mais luxuosa ou exclusiva é a experiência).

Alguns serviços podem ser contratados com pagamento à parte e não estão incluídos nas tarifas, como por exemplo, o uso de um porteador para transportar sua mochila, o que acrescentaria cerca de US$198,00 na sua compra.

Reservas para o Caminho Inca Tradicional devem ser feitas com meses de antecedência, preferencialmente entre 6 e 8 meses que antecedem sua viagem, em razão do elevado índice de procura.

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O início da Trilha Inca, antes da chegada nas escadarias construídas há 500 anos. O percurso ainda era tranquilo (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

A Trilha Inca tem limite diário de pessoas:

Por ser um caminho histórico, construído há cerca de 500 anos durante o Império Inca, a trilha possui um limite diário de entrada de 200 turistas e 300 trabalhadores (entre guias e porteadores).

É possível consultar a disponibilidade de ingressos no Calendário Oficial da Trilha Inca no link a seguir:

https://www.incatrail.org/information/inca-trail-to-machu-picchu-permits-availability

Durante o mês de Fevereiro, o Governo do Peru opta pelo fechamento do caminho para manutenção, limpeza e conservação. Este também é um mês de chuvas intensas.

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Trecho da Trilha Inca, no segundo dia. As escadarias sobem a montanha e os degraus variam de tamanho. Veja que é um caminho feito de pedras (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O que você precisa usar e levar para a Trilha Inca:

A lista a seguir contém o básico que você precisa levar e o que você vai usar e consumir durante a Trilha Inca.

Eu sei que é uma lista considerável, porém tente fazer uma mochila compacta e o menos pesada possível:

  • Passaporte – usado nos postos de controle da Trilha Inca, para confirmar a identidade dos turistas.
  • Dinheiro (em Soles peruanos e em Dólares).
  • Saco de dormir (caso você não possua um, deverá contratar esse serviço à parte).
  • Leve uma calça e uma blusa impermeável (recomendável – no último dia, fiquei com as pernas muito molhadas por causa da chuva).
  • Capa de chuva para o mochilão.
  • Capa de chuva no formato de poncho (quando você coloca apenas a blusa impermeável e a capa de chuva no mochilão, escorre água pelas costas e acaba molhando a parte de trás do mochilão e consequentemente o que tem dentro dele; as alças do mochilão e o cinturão que o prende no quadril ficam ensopados). Se você coloca este poncho por cima de tudo, a probabilidade de manter tudo seco por mais tempo é muito maior.
  • Usar botas e meias próprias para trekking. O calçado precisa ter um bom solado. Nada de tênis de sola gasta.
  • Bastão de caminhada com proteção nas pontas (não é permitido usar bastão sem proteção, pois pontas de ferro danificam as pedras centenárias usadas na construção do caminho).
  • Boné/Chapéu.
  • Protetor solar.
  • Repelente.
  • Lanterna de cabeça.
  • Roupas leves de caminhada (camiseta, bermuda, calça – levei 1 calça e 4 camisetas).
  • Segunda pele (calça e blusa), fleece e corta vento (técnica das 3 camadas). Durante o dia as temperaturas variam bastante e durante à noite faz frio.
  • Par de luvas e touca.
  • Álcool em gel.
  • Papel higiênico.
  • Garrafa de água.
  • Clor-in (pastilha de cloro purificadora de água).
  • Lenços umedecidos (aqueles que são usados para limpeza dos bebês);
  • Lanche (frutas, chocolate, doce de leite, bolacha doce e salgada, barra de cereais, etc.).
  • Câmera fotográfica / Smartphone.
  • Sorojchi pills / bala de coca / folha de coca.
  • Medicamentos (Dorflex, Paracetamol, Dipirona, Sal de Frutas, etc.).
  • Garrafa de oxigênio – essencial para quem como eu tem muitos problemas com a altitude.
  • Vaselina (não é obrigatório, mas ajuda – passar vaselina nos pés e colocar uma meia social por baixo da meia de trekking ajuda a diminuir o atrito do tecido com a pele, evitando bolhas).
  • Levar uma toalha – preferencialmente uma de alta absorção, que ocupa pouco espaço na mochila.
  • DISPOSIÇÃO, PREPARO FÍSICO, ESTAR ADAPTADO(A) À ALTITUDE, ESTAR BEM DESCANSADO(A).
  • DESAPEGO CORPORAL (ficar sem banho, usar banheiros estranhos ou ter que ir no mato).
  • DICA IMPORTANTE: Coloque o passaporte, dinheiro e os ingressos impressos em um saco plástico ou em um saco impermeável para evitar que molhem durante as chuvas.
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Câmera fotográfica ou smartphone são itens essenciais para registrar a beleza do percurso da Trilha Inca (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O que está incluído no pacote da Trilha Inca:

  • Ingresso para a Trilha Inca;
  • Ingresso para Machu Picchu;
  • Ingresso para a Montanha Huayna Picchu (opcional);
  • Serviço do Guia de Turismo na Trilha Inca e em Machu Picchu;
  • Alimentação (café da manhã, almoço, lanche da tarde e janta);
  • Barraca para o pernoite;
  • Passagem de volta de trem até Ollantaytambo + Transporte de Van até Cuzco.

Briefing com o guia:

O primeiro contato com o guia aconteceu dois dias antes da data de início da caminhada. O guia foi até o hostel e explicou para o nosso grupo como funcionava a travessia.

Ele entregou o mapa, deu orientações sobre os acampamentos, o percurso, lugares onde era possível comprar água e comida, entre outras informações. Também combinamos o horário de saída do hostel.

Achei o guia muito sério e pouco descontraído. Considerei que era para passar responsabilidade.

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Perfil topográfico mostrando a variação de altitudes ao longo dos 42 km da Trilha Inca (Fonte: https://trilhaincamachupicchu.org/mapas-detalhados-da-rota/)

1º dia – Do km 82 da linha férrea (Piscacucho) a Wayllabamba:

A van passou no hostel às 5h00 da manhã e às 07h30/8h00 paramos em Ollantaytambo para tomar café da manhã (não incluído no pacote, pago à parte).

ÀS 8h45 chegamos ao primeiro controle de entrada da Trilha Inca em Piscacucho, a 2.667 metros de altitude.

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Estou na fila no 1º Controle de Entrada para o início da Trilha Inca. (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Momento de ir ao banheiro, abastecer as garrafas de água, beliscar mais alguma coisinha e amarrar os colchonetes nos mochilões (cada pessoa carregou o seu colchonete fornecido pela empresa).

O guia pediu para batizarmos o grupo, que era formado por 7 turistas + guia + porteadores. Sugeri “Pachamama”, que significa “Mãe Terra” em quéchua.

Passamos pelo controle às 9h00 da manhã, tiramos foto na placa de início da trilha, atravessamos a ponte sobre o rio e entramos definitivamente no Caminho Inca. Senti um frio na barriga de ansiedade por saber que aquela seria minha primeira grande travessia.

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Quando você vê essa placa do Caminho Inca, entende que realmente o desafio começou! Frio na barriga? Com certeza! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
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Depois da ponte, só ladeira acima ou só ladeira abaixo! Definitivamente começa o caminho pelas montanhas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

No primeiro dia percorremos 11 km até Wayllabamba, a quase 3.000 metros de altitude. É o dia mais fácil, com o terreno variando entre subidas e descidas e passando por sítios arqueológicos. O desafio começou quando surgiram as escadarias de degraus irregulares, construídas pelos incas com pedras de diferentes tamanhos.

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Ao longo da Trilha Inca aparecem diversos sítios arqueológicos, antigas construções feitas durante o Império Inca e que sobreviveram ao tempo (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Várias casas de pessoas que moram pela trilha são vistas neste primeiro dia. Então, é possível usar os banheiros das residências pagando à parte, comprar snacks, água, refrigerante, Gatorade. Porém, quanto mais longe do início da trilha, mais caros os produtos ficavam e mais escassas eram as casas.

As paisagens da montanha, nem preciso dizer… São lindíssimas. E o destaque vai para o Rio Urubamba, cercado pelos Andes.

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A Cordilheira dos Andes é impressionante! As paisagens, magníficas e esplêndidas! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Neste primeiro dia, comecei a sentir os efeitos da caminhada na altitude, com passos lentos e falta de ar. Fiquei para trás e quando conseguia alcançar o grupo, que estava a algum tempo descansando, o guia se levantava e mandava o grupo continuar. Então eu nunca conseguia ter um tempo de descanso como os outros.

Às 13h30 paramos para almoçar – sempre tinha uma salada, uma sopa, e um prato principal de arroz com uma proteína. Eu fico me perguntando até hoje como tinha tanta comida naquelas sacolas dos porteadores.

Saímos para completar o trajeto e às 16h30 cheguei ao acampamento. Às 17h20 serviram um lanche, e às 18h30 o jantar. Neste dia, consegui tomar um banho morno por $10,00 soles.

2º dia – De Wayllabamba a Paqaymayu:

Às 5h00 da manhã, os porteadores passam pelas barracas do acampamento batendo com a colher na caneca de alumínio perguntando se as pessoas querem chá de coca.

O grupo podia dizer para os porteadores apenas “Sim, por favor” ou “Não, obrigado”. E quando eles perguntavam se a pessoa queria açúcar, tínhamos que dizer “Sim, 1 cuchara” (1 colher). Esse era o máximo de contato que podia haver com eles.

Enquanto o grupo tomava o chá, era necessário guardar tudo no mochilão, enrolar o colchonete, guardar o saco de dormir e deixar a barraca livre para os porteadores. Depois de terminar o chá, a caneca era deixada do lado de fora da barraca.

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O segundo dia de Caminho Inca é o mais difícil. È neste dia que atinge-se o ponto de maior altitude da caminhada (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O café da manhã era servido às 5h30, numa tenda montada pelos porteadores, com mesas, cadeiras e todos os utensílios necessários para uma refeição. E também deixavam bacias com água e sabão para lavarmos as mãos.

Antes de iniciar a caminhada, os porteadores davam 1 litro de água fervida para cada pessoa. Ao longo do dia, para ter água era necessário parar nos rios ou bicas que passavam pela trilha. Por isso é importante ter pastilhas de cloro.

No segundo dia, mesmo antes de caminhar, o guia começou um atrito comigo, dizendo que eu era muito devagar e tinha duas opções – voltar para Cuzco ou contratar um porteador para carregar minha mochila.

Neguei as duas opções, pois meu problema não era o peso da mochila, e sim a altitude. Neste dia, inclusive, vomitei durante a caminhada e fiquei com as mãos inchadas, que são sintomas de quem não consegue se adaptar com a altitude.

Este dia é o mais desafiador, com 12 km de caminhada, porém com um desnível assustador, que chega aos 4.200 metros acima do nível do mar na montanha Warmi Wañuska.

São 9 km subindo escadarias até o ponto mais alto do dia. Minha garrafa de oxigênio foi providencial em vários momentos. As paisagens são, novamente, excepcionais, porém eu acabei focando mais na caminhada.

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A Trilha Inca não é só um caminho histórico, é também um caminho de belas vistas panoramicas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

A subida proporcionou uma mudança no tempo, de Sol para um céu coberto de nuvens, também com variações da temperatura. A vegetação, acompanhando as condições ambientais, se altera, de áreas mais fechadas por árvores para campos mais abertos.

Após Warmi Wañuska, começamos a descer. O guia começou a me acompanhar para me pressionar a andar mais rápido. Ele dizia “você é a última do grupo”, “você ainda não é a última da trilha”. Cara, eu não tenho problema em ser a última!

Ele tinha um oxigênio com ele, mas ele dizia que “não iria me dar porque não era tão alto assim e desnecessário naquela altitude”. Ele continuou me pressionando para contratar um porteador, situação para a qual eu não cedi.

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Na montanha, o tempo atmosférico variava muito. Em alguns momentos estava Sol, em outros, ficava nublado como na foto (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Percebi que ele queria chegar o mais rápido possível no acampamento, pois ele só mostrou gostar das pessoas que eram rápidas, especialmente um inglês que caminhava tão rápido que chegava no acampamento antes dos porteadores. Em toda oportunidade, ele dizia que eu era lenta e mal olhava na minha cara.

3º dia – de Paqayamayu a Wiñay Wayna:

O terceiro dia foi menos difícil que o segundo dia, apesar da distância ter sido maior.

Na parte da manhã, subimos do acampamento (Paqayamayu) a 3.500 metros de altitude até 3.950 metros, o segundo ponto mais alto da trilha.

Em seguida, tivemos um trecho de descida e um trecho de subida até Chaquiqocha, onde deveríamos terminar nosso dia às 13h00 horas.

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Um pouco mais da paisagem da Trilha Inca. Na foto, em primeiro plano, conseguimos ver um sistema de terraço em degraus e uma estrutura antiga (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O local onde seria o acampamento era super esquisito e só nós ficaríamos acampados naquele lugar. Não fazia sentido ficar tão longe de Machu Picchu.

Nosso guia entrou em contato com a última área de camping antes de Machu Picchu e conseguiu trocar nosso acampamento, pois um casal formado por uma canadense e um peruano tinham comprado o ingresso de subida para a Montanha Huayna Picchu, dentro de Machu Picchu, entre 7h00 e 9h00 da manhã. Eles não chegariam a tempo se estivéssemos no acampamento mais longe.

Aproveitando a situação, o guia mais uma vez me acusou de ser lenta e que por minha causa eles não chegariam a tempo em Machu Picchu.

Almoçamos onde deveria ser nosso acampamento e às 14h00 iniciamos a descida para o camping, que ficava a 2.700 metros de altitude.

Após o almoço, o guia fez uma nova tentativa de me separar da minha mochila. Eu disse “de jeito nenhum, minha mochila vai comigo!”. Peguei a mochila e falei “espero vocês lá embaixo”. Xinguei, disse que já tinha feito a parte mais difícil e que não era ali na descida que ia passar minha mochila para outra pessoa. O guia também chamou o meu amigo Pinheiro de “a tartaruga mais rápida do Brasil”. Sem comentários!

O percurso da Trilha Inca tem muitos sítios arqueológicos, vegetação bem verde e muitas vistas para as montanhas. Porém, a concentração, muitas vezes, acabou voltada para a caminhada.

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Um dos poucos momentos em que pude parar para observar as montanhas. Imagine se eu tivesse conseguido fazer tudo isso sem o problema da altitude?! Cada passo seria um flash! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O guia falou que faltavam 5 km para o acampamento, e em alguns pontos, o grupo se reunia para não perder contato total. Ele ficava tentando calcular e fazer previsões do tempo que eu iria levar para cumprir o trajeto. Fiquei tão possessa que comecei a andar tão rápido que o Pinheiro disse que não tinha fôlego para me acompanhar.

O nosso guia tentou me jogar para baixo o tempo todo e colocava a culpa em mim por situações que não eram minhas. Meu lema era que “a cada passo eu estou mais perto de Machu Picchu” e as pressões que ele botou em mim acabaram virando um incentivo para que eu terminasse o caminho. Quanto mais ele falava que eu era lenta, mais eu pensava “agora que eu tenho mesmo que concluir esse percurso!”.

Ao longo da minha caminhada, vi muitas pessoas que estavam mais lentas e aparentavam estar mais cansadas que eu.

Vi um rapaz que mal conseguia descer um degrau e a guia dele dizia “Você consegue!”.

Nos outros acampamentos, quando uma pessoa que ficou para trás terminava a caminhada, mesmo já tendo anoitecido, o grupo comemorava, fazia festa e celebrava pela pessoa.

No nosso grupo não havia incentivo, nenhuma parabenização. Na verdade, o guia só sorria e era simpático com quem andava rápido. Ele não tinha empatia e ainda negligenciou com quem tinha mais dificuldade. Além disso, tentava colocar quem era mais devagar para baixo, ele era uma pessoa bem negativa mesmo!

Neste dia passamos por lugares perigosos, com precipícios bem ao lado da trilha. Teoricamente, passaríamos por aqueles pontos na madrugada seguinte, na escuridão, na chuva e apenas com as luzes das lanternas. O trajeto incluía dois túneis no meio das rochas, que tinham escadas e estavam escorregadios.

Às 17h15 chegamos ao acampamento. Às 18h00 fizemos o lanche e o guia explicou como seria o dia seguinte.

Já às 19h00 foi servida a janta e foi feita a apresentação dos porteadores. Eu fiquei tão cansada que fui dormir antes mesmo dos porteadores se apresentarem.

Quando comentei no início do texto sobre o desapego, estava falando sobre a falta de banho, sobre a necessidade de fazer a higiene pessoal com lenços umedecidos, sobre as roupas que ao longo dos dias ficaram com mau cheiro, sobre a penúria de ir no meio do mato para urinar, sobre os banheiros dos acampamentos em formato de fossa, a ausência de descargas, a falta de eletricidade. Neste ponto, a Trilha Inca ainda carece de uma melhoria de estrutura, pois é um tour caríssimo.

4º dia – de Wiñay Wayna a Machu Picchu:

Finalmente chegou o quarto dia e a empolgação de concluir o percurso! Faltavam apenas 6 km para Machu Picchu!

Às 2h50 da madrugada, fomos acordados pelos porteadores para o chá de coca. Não houve café da manhã e ganhamos um pão e uma fruta.

Depois de arrumarmos as mochilas, às 3h30 seguimos para o último ponto de controle antes de Machu Picchu, que abria às 5h00 da manhã. E por que levantamos tão cedo?

Foram duas explicações: a primeira é porque os porteadores vão embora no primeiro trem que parte de Machu Picchu Pueblo (Águas Calientes). Então, eles precisam juntar todas as coisas e descer para o Pueblo. O segundo motivo foi que os guias, para passarem primeiro, vão para a fila do controle muito cedo e ficam esperando o posto abrir.

Ficamos no frio e na chuva forte esperando o portão abrir. Cada vez mais foi juntando gente embaixo do único lugar coberto que tinha e um cheiro horrível de fezes tomou conta , já que todos tinham pisoteado o chão nojento do banheiro com suas botas de trekking.

Os grupos não demoraram para passar, por isso, não vi sentido em esperar duas horas naquela situação.

Nosso grupo foi um dos primeiros a chegar no posto de controle, porém barraram o nosso guia por ele ter trocado de acampamento. Ele deveria ter pedido mais uma autorização para um superior da trilha, o que não aconteceu, e acabou multado em $5.000 soles.

Além disso, ele leu as críticas da noite anterior que fizemos no formulário de avaliação e não gostou. Gastei meu rico português escrevendo sobre a forma como fui tratada e aos 48 minutos do segundo tempo, como se costuma dizer, já em Machu Picchu, ele pediu desculpas, mas pareceu apenas ser por educação pelo tom de voz e não por arrependimento.

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Finalmente, o quarto dia de Trilha Inca! O destino final: Machu Picchu! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O ponto positivo do nosso guia é que ele realmente sabia bastante sobre cultura inca e em Machu Picchu também foi ele quem nos explicou sobre o sítio arqueológico.

O trecho final da Trilha Inca teve uma pequena escalaminhada, em uma escadaria bem inclinada.

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Trecho final do Caminho Inca, com escadarias inclinadas, escalaminhadas e muito cuidado. Ninguém disse que seria fácil, só não imaginava que seria tão difícil (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Ao chegar em Inti Punku – a Puerta de Sol – um sítio arqueológico a 2.700 metros de altitude, o grupo teve a primeira visão de Machu Picchu. Apesar do dia nublado, deu pra ver a Cidade Sagrada no horizonte e confesso que chorei! Foi muita felicidade e alívio saber que eu estava terminando aquele trajeto.

O caminho acaba dentro de Machu Picchu e então chegou a hora de conhecer a “Meca dos Mochileiros”.

O que aprendi com o Caminho Inca:

Fazer o caminho é um processo de autoconhecimento – conhecemos mais sobre nós mesmos, sobre os nossos limites, sobre a nossa mente, nossas fragilidades e medos. Entendi que eu sou mais forte do que eu imaginei ser e menos frágil do que aparento.

Aprendi que nunca devemos deixar as pessoas para trás em uma trilha, mesmo que ela seja autoguiada, ainda mais na altitude, onde cada pessoa vai sentir os efeitos de uma forma diferente. O guia nunca mostrou empatia por aqueles que ele considerou como pessoas fracas – aliás, ele ainda tentou acabar com a autoestima daqueles que tinham um ritmo mais lento.

Confesso que eu não queria fazer a Trilha Inca e fui porque todas as pessoas que estavam comigo na viagem escolheram fazer o caminho. Se fosse nos dias de hoje, eu optaria por ficar em Cuzco sozinha, conheceria a cidade, os museus e os outros sítios arqueológicos e depois iria para Machu Picchu encontrá-los.

Tive um choque de realidade com os porteadores. Sem eles, a Trilha Inca não existiria.

Eles carregam cerca de 30 kg nas costas, andam com rapidez, sobem aquelas escadas como se estivessem sempre correndo contra o tempo. Andam curvados carregando toda uma estrutura literalmente nas costas – barracas, mesas, cadeiras, comidas, botijões de gás. Os rostos são de pessoas sofridas e que aparentam ter bem mais idade do que realmente têm. São eles que fazem a caminhada acontecer.

Machu Picchu – Maravilha do Mundo Moderno, a cidade Sagrada dos Incas:

Avistar Machu Picchu pela 1ª vez após passar 4 dias caminhando pela Trilha Inca foi uma sensação inexplicável! Foi emocionante concluir uma travessia, que para mim foi muito difícil devido à altitude, e chegar em um lugar histórico como este!

Finalmente, era hora de explorar uma das 7 maravilhas do mundo moderno, a cidade nunca alcançada pelos colonizadores espanhóis.

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Olha ela: Machu Picchu! O coração ficou acelerado! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Machu Picchu é certamente a obra arquitetônica inca mais emblemática e conhecida. Provavelmente foi construída no Séc. XV, sob o comando do Imperador Pachacutec.

A cidade foi erguida no alto de uma montanha e está cercada por diversos picos altos e vales profundos. Está situada a uma altitude média de 2.430 metros e suas construções foram levantadas apenas pelo encaixe de blocos alinhados, sem usar uma gota de cimento ou qualquer tipo de argamassa.

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As construções de Machu Picchu são o exemplo perfeito da arquitetura e engenharia inca. Esse povo era mega evoluído! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Não se sabe ao certo qual era a função de Machu Picchu. Provavelmente foi uma Cidade Sagrada ou um Santuário, que funcionava como centro cultural, religioso e político – critérios que foram essenciais para a sua inscrição como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Acredita-se ainda que sua construção tinha finalidades militares, ou ainda que seria um local de descanso para o Imperador Pachacutec ou também um mosteiro de sacerdotisas.

Entre 300 e 1.000 pessoas teriam habitado Machu Picchu no período auge da cidade. Ou seja, ela era muito menor que Cuzco.

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Além das construções, Machu Picchu tem a lindíssima paisagem das montanhas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Ingressos para Machu Picchu:

Para visitar Machu Picchu, você deve programar a viagem com grande antecedência, pois os ingressos são disputadíssimos e há limite diário de visitantes.

O site oficial de Machu Picchu, com as informações completas de visita é:

https://www.machupicchu.gob.pe/

O site oficial de venda de ingressos (apenas Machu Picchu, sem a Trilha Inca) é o do link a seguir:

https://tuboleto.cultura.pe/llaqta_machupicchu

No momento da compra, você deve selecionar o horário de entrada (6h00, 7h00, 8h00, 9h00, 10h00, 11h00, 12h00, 13h00, 14h00 ou 15h00).

Atente-se ao fato de que há uma tolerância de tempo estabelecida de 30 minutos nos períodos de baixa temporada e de 45 minutos nos períodos de alta temporada (1º de julho a 15 de outubro e dias 30 e 31 de dezembro) para a entrada no sítio arqueológico. Ou seja, se você comprar um ingresso para as 8h00 da manhã, tem a tolerância até 8h30 para entrar em Machu Picchu, ou 8h45 se for no período de elevada demanda.

A partir de 01 de junho de 2.024 houve uma mudança na forma de visitação de Machu Picchu. Atualmente, são 3 circuitos de visitação, divididos em 10 rotas. No momento de comprar o bilhete de ingresso, você deverá ter definido o circuito e a rota escolhida. O preço das rotas variam.

Algumas rotas somente são vendidas apenas em alta temporada, portanto, fique atento(a) a esse detalhe.

Lembrando que esses circuitos e suas rotas já têm sentidos de caminhada pré-estabelecidos, portanto, você não conseguirá acessar nada além do que está no seu ingresso.

Quando visitar Machu Picchu?

A melhor época do ano para visitar Machu Picchu é entre os meses de abril e outubro, fora da temporada de chuvas. A Cidade Sagrada fica nos Andes Peruanos, porém já numa área de transição para a Bacia Amazônica.

As temperaturas, devido à sua localização no topo da montanha, são amenas:

  • Temperatura mínima (média): 6°C;
  • Temperatura máxima (média): 21°C.

Na montanha, o tempo atmosférico é bastante instável. Portanto, em qualquer período do ano, leve uma capa de chuva ou uma blusa impermeável para visitar Machu Picchu.

O que levar para Machu Picchu?

Veja o que você deve levar para Machu Picchu para aproveitar bem o seu passeio:

  • Água;
  • Boné / chapéu / protetor solar (Machu Picchu é bem aberta e não tem sombra; você vai caminhar na chuva ou no Sol);
  • Capa de chuva;
  • Bolacha, barrinha de cereal, salgadinho, lanche, etc. Há uma lanchonete na entrada de Machu Picchu, mas uma vez dentro do sítio arqueológico você terá que seguir o percurso indicado;
  • Calçado confortável (assim como outras construções do período inca, Machu Picchu tem muitos degraus para subir e descer);
  • Disposição física.

Um pouco da história de Machu Picchu:

Não se sabe dizer se os espanhóis tinham ou não conhecimento sobre a existência da Cidade Sagrada. O que se pode afirmar é que Machu Picchu foi construída no Séc. XV e era apenas conhecida pela população quéchua.

De acordo com o livro “Mistérios do Império Inka – História, Ciência e Filosofia” (2018), Machu Picchu era chamada de Patallacta:

  • Pata, no idioma quéchua, significa “alto”;
  • Llacta, traduzido para o português, é “povo” ou “cidade”.

Portanto, era a “Cidade Alta”, não apenas em seu sentido de localização geográfica – no alto da montanha e reinando sobre o Rio Urubamba – mas também elevada em relação à intelectualidade de seus moradores.

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Machu Picchu não era o nome pelo qual os incas no Século XV chamavam a cidade. Ela era a “Cidade Alta” (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Segundo o livro citado acima, eram 7 os caminhos que levavam a Machu Picchu, sendo um deles a Trilha Inca Tradicional (aquele que eu percorri).

A Cidade Sagrada foi ocupada até o período de 1.534-1.570, sendo um dos últimos redutos da alta sociedade inca até seu completo abandono, que ocorreu com a queda do império resultante da colonização espanhola.

Ainda conforme o livro “Mistérios do Império Inka” (2018), ao partirem definitivamente da cidade, foi realizada uma cerimônia de despedida, na qual as cerâmicas foram quebradas e os elementos utilizados nos rituais religiosos foram destruídos. Além disso, foi ateado fogo nas coberturas de palha de todas as residências.

A “descoberta” de Machu Picchu:

Por quase 5 séculos, Machu Picchu ficou isolada e acabou tomada por uma densa cobertura vegetal.

Os moradores locais, que vivam nas redondezas da montanha, sabiam da existência das ruínas incas. Então, a “cidade perdida” não era tão perdida assim.

Em 1.911, o pesquisador estadunidense Hiram Bingham, com o apoio da National Geographic Society, da Universidade de Yale e do Governo Peruano, conseguiu chegar até as ruínas de Machu Picchu com o auxílio de um menino que foi seu guia local.

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Machu Picchu era uma cidade perdida, mas não tão perdida assim. Os moradores da região sabiam da existência das ruínas, mas construções incas são comuns na região (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Em 1.913, a revista National Geographic publicou uma matéria de Hiram Bingham sobre as pesquisas em Machu Picchu, e foi então que a Cidade Sagrada ganhou sua fama mundial e o pesquisador acabou ficando com o título de “descobridor científico”.

O nome “Machu Picchu”, na língua quéchua, também foi popularizado por Bingham, que baseou-se nos relatos dos moradores da região. Vamos entender esse nome:

  • Machu = velha
  • Picchu = montanha

Portanto, a Cidade Sagrada foi construída na Velha Montanha.

Nas fotos com o sítio arqueológico, comumente vemos uma outra montanha no fundo, conhecida como Huyana Picchu, a montanha jovem.

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Huayna Picchu sempre aparece em segundo plano nas fotos, atrás da Cidade Sagrada (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Sendo assim, o nome Machu Picchu é adotado para diferenciar-se da “montanha jovem”.

Machu Picchu – Características da Cidade Sagrada:

Machu Picchu está dividida em dois setores:

  • Agrícola – profano;
  • Urbano – sagrado.

Que se encontram separados por uma praça principal.

Há cerca de 200 estruturas componentes do sítio urbano, com residências e templos, além da parte agrícola composta por terraços.

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Os terraços em Machu Picchu ajudam a conservar a umidade no solo e evitam deslizamentos (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O subterrâneo a Cidade Sagrada apresenta uma complexa rede de sistemas de drenagem, que permitia a eliminação das águas das chuvas excedentes e o armazenamento da água para consumo humano.

Aliás, é este sistema de drenagem e a construção em terraços que foram essenciais para que Machu Picchu não fosse destruída por deslizamentos na montanha.

De acordo com o livro Mistérios do Império Inka (2.018), os terraços agrícolas de Machu Picchu não eram suficientes para a produção de alimentos para toda a população que ali vivia. Provavelmente, outras localidades enviavam alimentos para a Cidade Sagrada.

São pontos de destaque de Machu Picchu:

  • A Portada Principal, de formato trapezoidal,
  • O Templo del Sol,
  • A casa del inka – moradia do Imperador quando estava em Machu Picchu,
  • As fontes cerimoniais,
  • A Plaza Sagrada, onde se encontram o Templo Principal e o Templo de las 3 Ventanas (3 Janelas),
  • O Templo de Intiwatana, onde eram realizadas cerimônias religiosas dedicadas às montanhas,
  • A Roca Sagrada (Rocha Sagrada), que faz a transição entre Machu Picchu e Huayna Picchu,
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A Roca Sagrada (Rocha Sagrada) de Machu Picchu, um monolito em que o povo inca entalhou uma representação das montanhas que estão ao fundo, porém não estão visíveis pela presença de nuvens. Imaginem o peso desse bloco único de rocha. Estou na foto de capa azul clara e dá para fazer uma comparação entre a minha altura e a altura da rocha (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • As 3 Portadas, conjunto de construções que serviam de residência para a elite,
  • A Sala de Los Espejos, usada para observações astronômicas através do uso de espelhos d’água.
  • Templo del Cóndor, usado para ritos cerimoniais.

Quando conheci Machu Picchu, confesso que senti que minha visita ficou prejudicada por dois motivos – o primeiro foi a chuva que castigou a primeira parte do tour, o segundo foi o cansaço resultante da Trilha Inca. Hoje, se eu fosse viajar a Machu Picchu, seria sem essa caminhada de mais de 40 km e bem descansada!

Obviamente, Machu Picchu é muito mais bonita com um Sol brilhante e com o céu azul, que deixam o verde das montanhas e do gramado cor de esmeralda muito mais esplendorosos.

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Machu Picchu é mais bonita com o dia ensolarado (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Dentre os sítios arqueológicos incas que conheci, realmente é o mais impactante, o maior, e principalmente, com as vistas mais espetaculares.

Mas não acabou, pois eu também subi a Montanha Huayna Picchu.

Montanha Huayna Picchu – a subida da Montanha Jovem:

Atualmente, a subida na Montanha Huayna Picchu (ou Waynapicchu, como está escrito no site), faz parte do Circuito 3 (Machupicchu Realeza), Ruta 3-A Ruta Montaña Waynapicchu, percurso com duração de cerca de 6 horas.

Para este circuito há apenas dois horários de venda de ingressos – 7h00 e 10h00.

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Sim, galera! Eu subi aquela montanha no fundo da foto! Huayna Picchu é inclinada! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Depois de conhecer mais ou menos metade de Machu Picchu com o nosso guia (o mesmo da Trilha Inca), passamos pelo controle de acesso para a Montanha Huayna Picchu. O grupo chegou a questionar se subiria ou não devido ao cansaço da Trilha Inca e à chuva, mas no final optamos por tentar subir.

Aos poucos, em meio às conversas, risadas e paradas para recuperar o ar, fomos subindo. Mas devo ressaltar que é uma subida tensa, difícil, perigosa e muito inclinada. Em muitos pontos, a escadaria é muito estreita, suficiente apenas para uma pessoa por vez.

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Subida para Huayna Picchu. Nesse pedaço da escada ainda estava “suave”! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

A inclinação pode assustar, há alguns precipícios próximos e pode dar vertigem. Eu senti medo em algumas partes e foi melhor focar nas escadarias e evitar olhar para baixo.

Esta subida em Huayna Picchu usa escadarias construídas pelos incas, por isso, os tamanhos dos degraus podem variar, assim como aconteceu na Trilha Inca.

Quanto mais próximo do cume, mais inclinadas são as escadas, quase 90°. Esse foi o ponto mais vertiginoso.

O topo da Montanha Huayna Picchu fica a 2.600 metros de altitude e a vista do alto é simplesmente fenomenal! Isso porque estava chovendo! Num dia de Sol deve ser ainda mais espantosa! Machu Picchu parece ser pequena observada do alto de Huayna Picchu.

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Machu Picchu está no gramado verde claro entre as árvores verde escuras na foto. Vista do alto de Huayna Picchu, ela fica pequenina (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

As nuvens cobriam a Cidade Sagrada. De repente, o vento levava tudo embora e a vista se abria. Foi uma experiência incrível poder ver Machu Picchu de outro ponto de observação.

Além da vista vertiginosa (em todos os sentidos possíveis, metafóricos e reais), a Montanha Huayna Picchu abriga um sítio arqueológico, conhecido como Templo da Lua. Ainda não se sabe qual era a função destas ruínas, mas acredita-se que tenha sido para uso funerário.

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Nesta foto, estou no alto de Huayna Picchu, olhando em direção a Machu Picchu. Vista vertiginosa! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Antes de fazer o mochilão, li uma postagem em um blog que dizia que não valia a pena subir Huayna Picchu. O detalhe é que a pessoa que escreveu o texto não tinha subido a montanha.

Eu posso dizer que sim, apesar da chuva, valeu a pena! Quem tiver disposição e vontade, aproveite a chance! Eu gostaria de subir novamente descansada, com energia sobrando no corpo e num dia de Sol!

Após a Trilha Inca e a Visita a Machu Picchu, como voltar para Cuzco?

Depois de conhecer Machu Picchu, era hora de descer para Águas Calientes (Machu Picchu Pueblo).

Há duas maneiras de fazer o trajeto entre Machu Picchu e Águas Calientes:

  • A pé – há um caminho que liga Águas Calientes a Machu Picchu. Muitas pessoas optam por subir a pé.
  • Ônibus – existe um transporte oficial que faz a descida e a subida do pueblo para o sítio arqueológico e do sítio arqueológico para o pueblo.

Em Águas Calientes, o ingresso do ônibus é vendido no endereço: Av. Hermanos Ayar S/N, antes da Puente Ruinas (informação do site ingressomachupicchu.com); em Machu Picchu, você pode comprar próximo ao portão de entrada.

A venda do bilhete de ônibus é feita na hora, pessoalmente, sem reservas online. Esses trajetos são feitos diariamente, das 5h00 às 21h00.

Estrangeiros obviamente pagam preços mais elevados: Subida e Descida (US$24,00), Só Subida ou Só Descida (US$12,00).

Como a maioria das rodovias montanhosas, a estrada até Águas Calientes é um verdadeiro zigue-zague. A parada final do ônibus é próximo à estação da Peru Rail (serviço de trem).

A passagem de trem de Machu Picchu Pueblo até Ollantaytambo foi comprada junto com o pacote da Trilha Inca, para o último horário do dia, às 21h30.

Às 23h00 o trem chegou em Ollantaytambo, onde já havia uma van para Cuzco esperando, também paga junto com a Trilha Inca. Não era uma van exclusiva para o nosso grupo de 4 pessoas, pois havia mais gente voltando para Cuzco. Depois de mais 2 horas de estrada, com algumas paradas numas blitz policiais e uma parada num posto de combustível para abastecer o tanque da van, finalmente chegamos sãos e salvos em Cuzco.

Para fechar este longo texto, você deve se lembrar que durante 3 dias fiquei sem tomar banho na Trilha Inca. Ao chegar no hostel, minha vontade era finalmente entrar embaixo das cobertas e dormir um longo sono dos justos.

Mas, o meu sonho naquele instante era tomar um banho quente, longo e relaxante! Nunca pensei que tomar um banho fosse gerar uma sensação de felicidade tão grande! Como foi bom sentir a água quente lavando não somente o meu corpo, mas também a minha alma!

***

Ufa! Se você chegou até aqui, viu que essa viagem teve alegria, montanha e perrengue! Originalmente, tinha escrito o texto da Trilha Inca e o texto de Machu Picchu separados, porém, como foram situações que aconteceram juntas e são complementares, percebi que teria mais sentido deixar tudo em uma mesma postagem.

Espero que a partir do meu texto você tenha conhecido mais sobre a Trilha Inca Tradicional e que se você somente conhecia Machu Picchu por fotos da internet, tenha aprendido um pouco mais sobre a Cidade Sagrada dos Incas neste texto.

Se eu fosse realizar essa viagem nos dias atuais, eu não faria a Trilha Inca, apesar de ter sido uma experiência única. Eu passaria mais tempo em Cuzco e iria para Machu Picchu descansada e visitaria a Cidade Sagrada com calma.

E você? Conhece alguém que já visitou Machu Picchu ou fez a Trilha Inca? Se você já viajou para Machu Picchu, o que mais gostou? Ou do que você não gostou?

Se você quiser me acompanhar pelas redes sociais, estou no instagram com o perfil @tissiana.souza. Para dicas, sugestões e críticas, entre em contato comigo através do e-mail tissinorole@gmail.com. Aguardo você na próxima postagem!

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