Cuzco está localizada na região peruana da Serra Andina Sul e é considerada a principal cidade turística do Peru.
A cidade, durante o Império Inca, foi considerada o “umbigo do mundo” (Qosqo), sendo o centro cultural, político, administrativo, geográfico e militar (Fontes: Livro Mistérios do Império Inca; UNESCO), ou seja, Cuzco (Qosqo) era a capital do Império Inca.
O terreno onde foi assentada a cidade de Cuzco está ocupado há pelos menos 3.000 anos, desde a época dos povos andinos pré-incas.
Durante o período inca, a cidade ganhou o formato de puma – um dos animais que constituem a Trilogía del Inka. O puma é um animal ágil, inteligente e que se adapta a diferentes condições ambientais.

A partir de Cuzco, coração do império, partiam quatro caminhos incas, ou suyus – para o Norte, Chinchaysuyo; para o Sul, Collasuyo; para o leste, Antisuyo; e para o oeste, Cuntisyuo (Fonte: Livro Mistérios do Império Inca).

O Imperador Inca Pachacutec foi responsável por uma grande remodelação arquitetônica da cidade, no Séc. XV. Cada parte de Cuzco tinha uma função específica – administrativa, religiosa, moradia, agricultura, artesanato, entre outros.
No Séc. XVI, com a chegada dos colonizadores espanhóis, o traçado foi mantido, porém novos palácios e igrejas católicas foram construídos sobre os antigos monumentos e templos incas (Fonte: UNESCO).

Este complexo conjunto arquitetônico de Cuzco que envolve povos pré-incas, incas e espanhóis, dotado de grande autenticidade e originalidade é tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde o ano de 1.983 (Fonte: UNESCO).
Informações Gerais sobre Cuzco
- Aeroporto: Aeropuerto Internacional Alejandro Velasco Astete.
- Distâncias: Cuzco fica a cerca de 1.100 km de Lima (capital do Peru); partindo de Arequipa, são 510 km.
- Clima: chuvas concentradas entre os meses de dezembro a março, nos meses mais quentes do ano. No inverno, as temperaturas médias ficam abaixo dos 10°C, e as temperaturas mínimas podem ficar abaixo de 0°C; no verão, as temperaturas médias estão em torno dos 15°C. Mesmo nos dias de verão é frio. Esteja bem agasalhado(a).
- Altitude: Cuzco está situada a 3.400 metros acima do nível do mar, já sendo possível sentir os efeitos do mal da montanha.
- Casas de Câmbio: são encontradas na Plaza de Armas.
- Onde se hospedar? Se você não se importa em compartilhar quartos, minha dica é o Hostel Wild Rover, o melhor hostel onde já me hospedei. Endereço: Cuesta de Santa Ana, nº782, a cinco quadras da Plaza de Armas.
Cuzco foi um lugar que eu consegui explorar pouquíssimo e um dos meus desejos é um dia poder viajar novamente para a cidade. A explicação para isso é que eu fiz a Trilha Inca Tradicional de 4 dias para Machu Picchu, o que acabou ocupando um bom tempo do mochilão.

O que fazer em Cuzco e arredores?
Vou colocar aqui uma lista sobre o que fazer em Cuzco e no seu entorno.
1. Plaza de Armas de Cuzco
A Plaza de Armas de Cuzco, quando se pensa na cidade em formato de puma, seria o ponto do coração do animal.
Certamente, este é um dos pontos mais fotografados da cidade e está sempre cheia de gente, tanto de moradores quanto de viajantes. Há muitos bares e restaurantes próximos da Plaza de Armas.
No tempo do Império Inca, esse local era chamado de “Huacaypata”, que no idioma quéchua que significa “ponto de encontro” ou “lugar de pranto”. Era o lugar de celebração da Festa do Sol, e quando da chegada dos colonizadores, foi onde Francisco Pizarro proclamou a conquista da cidade (Fonte: Peru).

Templos religiosos católicos apostólicos romanos, heranças do domínio espanhol, estão na Plaza de Armas. Destacam-se a Catedral e a Igreja da Companhia de Jesus.
A Catedral de Cuzco (Catedral Basílica da Virgem da Assunção) foi construída sobre o antigo Templo Suntur Wasi (Palácio do Sol), onde residia o Inca Wiracocha (Fonte: Peru).
Demorou mais de 100 anos para ser construída, com início em 1.560 e término em 1.664, e apresenta uma combinação de estilos barroco, renascentista e gótico (Fonte: PeruRail).
Fica na direção Nordeste da Plaza de Armas e é parte de um complexo religioso que, além da Catedral, também é formado pelo Templo do Triunfo (igreja mais antiga de Cuzco) e pelo Templo da Sagrada Família.

Já a Igreja da Companhia de Jesus está edificada no local do antigo palácio do Inca Huayna Cápac.
Este templo religioso é considerado um dos melhores exemplos do estilo barroco colonial andino.
Originalmente, a Igreja da Companhia de Jesus foi construída em 1.571, porém passou por uma reconstrução após um terremoto em 1.650 (Fonte: Peru).

2. Igreja de San Francisco de Assis e Museu e Catacumbas do Convento de San Francisco de Assis de Cuzco
A três quarteirões da Plaza de Armas está a Plaza de San Francisco, coroada pela Iglesia de San Francisco de Assis, inaugurada em 1.651. Sua construção começou em 1.645, porém um terremoto de 1.650 atrasou a finalização das obras.

3. Museo Inka
Na capital do Império Inca faz total sentido ter um museu arqueológico voltado para a cultura e tradições andinas do período do domínio dos incas.
O Museo Inka, mantido pela Universidad Nacional de San Antonio Abad del Cusco, tem a função de mostrar aos visitantes uma parte da grandiosidade do antigo império, que só não prosperou ainda mais porque os espanhóis chegaram à América andina.

A coleção conta com peças arqueológicas do período pré-inka, origem e continuidade inka, a invasão europeia, técnicas de subsistência, medicina inka, arquitetura e urbanismo, cerâmicas e a Mallki Wasi (sala que reproduz uma tumba inka).

O acervo do museu não podia ser fotografado, não sei se esta permissão foi alterada.
- Endereço: Cuesta el Almirante (Cordova del Tucumán), n°103, Centro Histórico
- Horário: de segunda a sexta-feira das 9h15 às 16h00, sábado das 8h45 às 13h45 (de abril a dezembro), domingos e feriados o museu é fechado.
- Preços: visitantes estrangeiros $20,00 soles; estudantes estrangeiros $10,00 soles. Não há venda virtual de bilhetes de entrada, somente podem ser adquiridos na bilheteria do museu.
4. A Pedra dos 12 ângulos de Cuzco
A Pedra dos 12 Ângulos é uma joia da engenharia inca, que consiste em um bloco de diotorito verde talhado e inserido nas paredes do antigo palácio do Imperador Inka Roq’a.
Atualmente, a parede faz parte do Palácio Arzobispal de Cuzco (Palácio do Arcebispo), que foi construído sobre as ruínas do antigo palácio.
A pedra dos 12 ângulos é o exemplo da habilidade em esculpir rochas, já que ela se encaixa perfeitamente com todas as outras pedras que estão à sua volta. Aliás, na engenharia inca, as rochas são todas entalhadas e acomodadas sem o uso de argamassa.
- Endereço: Calle Hatunrumiyoc, entre a Calle Inca Roca e a Calle Herrajes.

5. Arredores de Cuzco – Vale Sagrado dos Incas (Passeio de 1 dia)
O Vale Sagrado dos Incas é uma região de solo fértil, banhada pelos rios Vilcanota e Urubamba, com uma altitude média de 2.800 metros acima do nível do mar e uma extensão de aproximadamente 100 km, entre Machu Picchu e Pueblo Písac.
Os incas acreditavam que o Rio Urubamba era sagrado, pois entendiam esse curso d’água como o reflexo material da Via Láctea (Fonte: Mistérios do Império Inka).
O Vale Sagrado foi uma área muito aproveitada pelos incas, especialmente para a produção de alimentos. Esta região até hoje é reconhecida pela produção agrícola dos melhores milhos peruanos devido à fertilidade e às condições climáticas, com temperaturas médias anuais de 18°C (Fonte: Peru).
Sítios arqueológicos importantíssimos estão localizados no Vale Sagrado dos Incas, portanto, ao menos um tour de 1 dia inteiro é indispensável para conhecer algumas estruturas extraordinárias.
O pacote de 1 dia de tour que eu adquiri possuía o seguinte itinerário:
- Parada 1 – Pueblo de Ccorao (feira de artesanato, sanitários, venda de snakcs);
- Parada 2 – Sítio Arqueológico de Písac;
- Parada 3 – Pueblo Písac (visita a uma loja de joias de prata – a famosa “venda casada”);
- Parada 4 – Almoço (Restaurante – $ 35 Soles/Pessoa; coma à vontade; ótimo local);
- Parada 5 – Sítio Arqueológico de Ollantaytambo;
- Parada 6 – Centro de Artesanato Illapa.
- Observação: o tour incluía transporte e guia; custos com alimentação e ingressos para as atrações foram pagos à parte.
- Saída: 8h30 da manhã; volta para Cuzco às 18h00.
Antes de descrever o itinerário, vou explicar como funcionam os ingressos para os sítios arqueológicos:
- Os ingressos são comercializados pelo COSITUC – “Comité de Servicios Integrados Turísticos Culturales del Cusco”, no formato chamado BTC – Boleto Turístico del Cusco.
- O BTC é adquirido na entrada das atrações turísticas ou na Oficina Central (Endereço: Av. El Sol, nº103, Oficina 101).
- Existem 4 tipos de boletos:
Boleto Integral “BTCI” – você tem 10 dias para usar o boleto, com TODOS os atrativos incluídos. Esse bilhete é para quem tem vários dias de viagem disponíveis e tempo para visitar as 16 atrações (ou quase todas elas). Preço: $130,00 Soles.
Boleto Parcial I “BTCPI” (Circuito I) – Parque Arqueológico de Saqsayhuaman, Qenqo, Puka Pukara e Tambomachay. Preço: $70,00 Soles. 1 dia de vigência – precisa conhecer todos no mesmo dia.
Boleto Parcial II “BTCPII” (Circuito II) – Museo del Sitio De Qoricancha, Museo Histórico Regional, Museo de Arte Contemporáneo, Monumento a Pachacuteq, Museo de Arte Popular, Centro Qosqo de Arte Nativo, Parque Arqueológico de Tipon e Parque Arqueológico de Pikillacta. Preço: $70,00 Soles. 2 dias de vigência.
Boleto Parcial III “BTCPIII” (Circuito III) – Parque Arqueológico de Ollantaytambo, Parque Arqueológico de Pisaq, Parque Arqueológico de Chinchero e Parque Arqueológico de Moray. Preço: $70,00 Soles. 2 dias de vigência.
Site oficial: https://cosituc.gob.pe/tarifario/
Para o itinerário de 1 dia que realizei, precisei comprar o Boleto Parcial III, mesmo não visitando Chichero e Moray.
O Sítio Arqueológico de Písac está a cerca de 43 km de Cuzco e é considerado um dos mais importantes pontos do Vale Sagrado dos Incas (Fonte: Peru).

Localizado no alto de uma montanha, Písac (“perdiz”, em quéchua) provavelmente foi construído no Séc. XV, durante o governo de Pachacutec (Fonte: Livro Mistérios do Império Inka, 2018).
Písac apresenta terraços agrícolas em degraus que acompanham a topografia do terreno. Estas grandiosas obras de engenharia, que estão em diferentes altitudes, geravam um microclima na montanha que permitiam a policultura (plantações de vários tipos de vegetais). Além disso, são resistentes aos terremotos, ajudam a manter a terra úmida por mais tempo e também desaceleram a erosão da encosta (Fonte: Livro Mistérios do Império Inka, 2018).

O conjunto arqueológico de Písac inclui uma cidade no alto da montanha, com construções destinadas a residências, banhos cerimoniais e prática da religião.

Písac também apresenta antigos túmulos na montanha, onde foram encontradas pessoas mumificadas e depositadas em posição fetal.
Os corpos estavam embrulhados em tecidos decorados com o desenho de um caminho – a ideia é que as almas pudessem continuar sua viagem pelo mundo. Além disso, objetos pessoais eram colocados junto aos corpos, caso as almas necessitassem de algo na travessia ao encontro da Mãe Terra (Fonte: Livro Mistérios do Império Inka, 2018). Segundo o site Peru, este é o maior cemitério inca já encontrado.
Quem ficar impressionado com Písac vai ficar de queixo caído com o Sítio Arqueológico de Ollantaytambo, provavelmente construído na primeira metade do Séc. XV.

Ollantaytambo é uma fortaleza enorme, alta e de formato trapezoildal, de onde se tem uma vista incrível do entorno. Segundo o guia do tour, conforme a lenda inca, quem escolheu o local de construção da fortaleza foi Inti (o Deus Sol).
Os raios de Sol se projetam na face da montanha onde está a fortaleza de Ollantaytambo. O Imperador Pachacutec, como descendente direto de Inti, ficou responsável por transmitir ao povo onde ficaria a grande construção.

A palavra Ollantaytambo tem várias origens associadas:
- Sua origem está associada ao termo “Ullantawi”, que é traduzido como “olhar para baixo” (Fonte: Site CuscoPeru.com);
- “Tambo” significa “lugar de descanso” – os tampus eram pontos de parada na rede de Caminhos Incas, onde as pessoas podiam descansar e se alimentar;
- “Ollanta” também é associado com uma história inca – um general, de nome Ollanta, teria se apaixonado pela filha de Pachacutec e foi duramente castigado por isto (Fonte: Peru).
Ollantaytambo é um lugar curioso. Do topo da fortaleza e olhando em direção à cidade, vemos uma montanha do lado esquerdo, chamada Pinkuylluna. Um pouco abaixo da metade da montanha é possível visualizar os antigos armazéns de alimentos (qolqas, em quéchua), onde ficavam guardados os grãos de colheita (especialmente o milho) e batatas. Os incas, como bons conhecedores da agricultura, sabiam que o local era apropriado para a conservação dos alimentos.

Pikuylluna significa “montanha das flautas” ou “lugar onde o vento sopra”. O nome pode ser originado de “pinkuyllu” (flauta), instrumento musical que provavelmente era usado durante cerimômias e rituais, ou ainda pelo barulho do vento passando pelas construções na montanha, que pode soar parecido com o som de uma flauta.
Na mesma montanha há um rosto do Deus Viracocha (Deus Supremo da cultura inca, o Criador) talhado na rocha. No dia do solstício de inverno (20 ou 21 de junho no Hemisfério Sul), em um determinado momento do dia, o Sol se projeta exatamente no rosto de Viracocha. Só lembrando, o solstício de inverno é o dia “mais curto” e a noite “mais longa” do ano, ou seja, dia em que temos menos horas de luz solar e mais tempo de escuridão.

Os fenômenos naturais eram essenciais para os Incas. As mudanças do posicionamento do Sol ao longo do ano determinavam os cultivos e as colheitas. O Ano Novo Inca, conhecido por Inti Raymi ou Festa do Sol, era celebrado no solstício de inverno.
Além de funcionar como um tampu, lugar de parada e descanso para as pessoas que se deslocavam entre as regiões do Império Inca, Ollantaytambo também mostra como o povo tinha avançados conhecimentos de engenharia, tecnologia e planejamento com os terraços (que neste caso era utilizado como proteção militar), aproveitamento da água, armazenamento de grãos, corte de rochas, construções usadas somente pelas mulheres (como o Templo das Águas e as fontes de banhos das sacerdotisas) entre outras funções.

Acredita-se que o Templo do Sol, no ponto mais alto da fortaleza, não tenha sido concluído devido à chegada dos espanhóis, com a consequente queda do Império Inca. Neste ponto, há um exemplo perfeito da engenharia inca, com 6 grandes blocos rochosos de rocha esculpidos, que se encaixam perfeitamente sem o uso de qualquer tipo de cimento.
Com a conquista de Cuzco pelos espanhóis, Ollantaytambo acabou se tornando a sede do Império Inca. Inclusive, foi na fortaleza que os incas venceram os espanhóis em janeiro de 1.537. Posteriormente, a estrutura militar também foi dominada pelos colonizadores.

6. Rainbow Mountain (Vinicunca ou Montanha das 7 cores ou Montaña Siete Colores) e Valle Rojo (Passeio de 1 dia)
Nas elevadas altitudes da Cordilheira dos Andes – a 5.200 metros acima do nível do mar – fica um dos locais mais “instagramáveis” da internet: a Rainbow Mountain, cujo nome em quéchua é Vinicunca. O local também é conhecido como Montanha das 7 Cores, Montanha Colorida ou Montanha Arco-Íris.
Vinicunca significa “pescoço de pedra”, uma associação com a disposição das camadas coloridas de rochas visíveis da montanha. Os minerais dão tonalidades variadas e a acomodação das camadas lembra um arco-íris, o que faz com que a montanha também seja conhecida por outros nomes.
Quando comprei o passeio, havia a opção de fazer apenas a Rainbow Mountain ou esta montanha junto com o Valle Rojo (Vale Vermelho), do qual nunca tinha ouvido falar. Na agência, perguntei se tinha subidas, e o atendente disse que “Não, é muito tranquilo. São 5 km até a montanha e mais 1 km até o Valle Rojo”. Então, ficou a impressão de ser 6 km de caminhada fácil e a oportunidade de conhecer um lugar não planejado.
A Vinicunca foi encontrada no ano de 2.013. O local sempre foi coberto por neve e após o derretimento total da geleira que existia ali, as camadas coloridas se revelaram. Sua aparência única começou a ficar popular mundo afora e a atrair turistas de diversas nacionalidades. Já o Valle Rojo passou a ser um atrativo explorado pelo turismo em 2.017.
Se você optar por chegar à Rainbow Mountain a pé, por caminhada, aconselho que já tenha feito sua aclimatação à altitude e que esteja bem descansado (a). São 5 km de distância da entrada da propriedade até chegar ao mirante que tem o ângulo perfeito, de frente com a montanha. Além disso, o trajeto até chegar ao famoso arco-íris peruano é sempre uma subida, o que torna o percurso bastante desafiador.
A Rainbow Mountain não fica tão perto de Cuzco. São 140 km de distância, por estradas de pista simples, cheias de curvas e com a parte final de terra, tornando a viagem ainda mais lenta.
O tour começou às 4h00 da madrugada, com a van passando no hostel. Às 7h00 ocorreu a parada para o café da manhã.
Após a refeição, seguimos para a Vinicunca e o guia começou a passar as informações do passeio ainda na van, que subia, subia e subia pelas estradas. Subir é um sinal de altitude elevada e ar cada vez mais rarefeito, além de ficar cada vez mais frio. Por falar nisso, é necessário ir muito bem agasalhado (a), já que o lugar é extremamente gelado e o vento deixa a sensação térmica ainda mais congelante.
Foi nesse momento em que o guia disse que estávamos a 4.500 metros de altitude e que chegaríamos a mais de 5.000 metros quando estivéssemos na Rainbow Montain.
Só de ouvir isso, comecei a ficar tensa, porque o soroche ou mal da altitude foi um grande problema para mim durante os quase 30 dias de mochilão.
Para me deixar ainda mais ansiosa, ele complementou dizendo que seriam 5km de caminhada até a Montanha Colorida e mais 6 km de descida pelo Valle Rojo, totalizando 11 km de caminhada. Confesso que bateu um desânimo forte, pois eu ainda estava cansada dos 4 dias de Trilha Inca para Machu Picchu, que vou contar em um texto separado.
Às 8h30 chegamos na entrada da Vinicunca, onde recebemos um cajado de identificação do grupo e começamos a caminhada.
No primeiro quilômetro, apesar de ser uma subida, a inclinação era leve e suportável, mas depois da placa de 1 km, o bicho pegou! O declive ficou mais acentuado e eu estava cada vez mais lenta. Com a altitude, minha visão ficou meio confusa e turva. Mesmo com minha latinha de oxigênio, eu estava sofrendo muito e até pensei que iria desmaiar.

Acabei optando por contratar o aluguel do cavalo. Fiquei com muita pena do bichinho, porque o cavalo parecia ser mal cuidado, mas ou era subir no lombo do cavalo ou era um apagão e o fim do passeio.

Sentada, pude observar bem o caminho, coisa que eu não conseguiria fazer andando. Na paisagem, se destacava o Nevado Auzangate, bem mais alto que as montanhas do entorno. Mas eu estava mesmo era procurando a Montanha Arco-Íris e nada.

De repente, há uma movimentação intensa – é o mirante para a Rainbow Mountain! Só que o cavalo parava bem antes do lugar e era preciso completar o restante à pé. Paguei 20 dólares pela carona do cavalo (os dólares mais bem gastos da minha vida) e bem devagar fiz o resto da subida. Na verdade, não era uma distância grande – devia ser de uns 200 metros – mas foram os metros mais longos da minha vida.
Eu ainda estava procurando a Montanha Arco-Íris. Cadê essa montanha? Eu cheguei, mas onde ela fica? Ela não é assim tão visível. Foi só então que eu entendi que ela estava do meu lado esquerdo.

Na verdade, a Rainbow Mountain tem duas faces e você só consegue observar as duas vertentes juntas e a inclinação (a dobra) das camadas de uma determinada angulação, que só acontece no mirante na montanha que fica em frente à Montanha das 7 Cores. Você só vai ver o arco-íris se estiver no ângulo certo.

A tonalidade das camadas varia de acordo com a posição do Sol no céu ao longo do dia, a luminosidade (se o dia estiver nublado, os tons mudam) e a umidade do solo. Como eu subi a montanha na época das chuvas, as camadas estavam mais escuras.
Cada cor é resultado da composição de minerais e das características das rochas presentes na montanha:
- Vermelho: concentração de óxido de ferro;
- Amarelo e Laranja: minerais combinados com enxofre;
- Verde: óxido de cobre, minerais de ferro e magnésio;
- Branco: arenitos e calcários.

Eu particularmente gostei mais do caminho para chegar até a Rainbow Mountain do que da montanha propriamente dita. O conjunto da obra é mais interessante do que necessariamente a montanha colorida. Ela é um elemento que complementa a beleza das montanhas e da paisagem.

A Rainbow Mountain era a metade do percurso. Ainda faltava o Valle Rojo, sobre o qual eu não tinha nenhuma referência.
Uma caminhada de 750 metros entre a Rainbow Mountain e o Valle Rojo revelou mais paisagens da Cordilheira dos Andes, especialmente do Nevado Auzangate.

De repente, uma vista magnífica se revela: um vale de tonalidades avermelhadas e gramas verdes feito esmeralda. Sim, é o Valle Rojo! Um cenário surpreendente, arrebatador e apaixonante. Que panorama incrivelmente belíssimo!


Mesmo sendo descida, confesso que a altitude novamente me fez sofrer. Ainda bem que agora tinha a ajuda da gravidade, porém os guias andavam muito rápido e queriam acelerar o grupo, o que muitas vezes fez com que eu tivesse que me concentrar mais na caminhada e menos nas montanhas.
Naquela época, como não era um passeio popular, o Valle Rojo não tinha trilhas demarcadas. Descíamos acompanhando o pequeno rio que banha o vale. A sensação, durante a descida, é ser abraçada pelas montanhas do entorno.

A trilha pelo Valle Rojo termina na Rodovia de acesso para a Vinicunca. O grupo finalizou a trilha às 15h30, após 3 horas e 30 minutos caminhando pelo vale. A van seguiu para o restaurante onde aconteceu o café da manhã e lá o grupo almoçou. Em seguida, voltamos para Cuzco.
***
Confesso que conheci muito mais os arredores de Cuzco que a cidade propriamente dita. Meu desejo é de algum dia estar novamente na cidade e poder explorá-la bastante. A cidade tem muitos museus, além dos sítios arqueológicos que existem nas suas imediações.
Os arredores de Cuzco também possuem opções de passeios que têm como foco as belezas da Cordilheira.
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Na próxima postagem sobre o Peru, contarei minha experiência na Trilha Inca Tradicional e como foi conhecer uma das 7 maravilhas do mundo moderno – Machu Picchu!
