Cordilheira dos Andes: curiosidades sobre a encantadora cadeia de montanhas da América do Sul

A Cordilheira dos Andes tem algumas das paisagens mais bonitas que conheço e alguns dos lugares mais incríveis que já vi nas viagens que fiz a outros países.

Quando penso na natureza, as primeiras imagens que vêm à minha mente são as montanhas, formações do relevo pelas quais tenho admiração e paixão!

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O Valle Rojo (ou Vale Vermelho), no Peru. Esse lugar, no meio da Cordilheira dos Andes, não é incrível?! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

O que considero como singular na Cordilheira dos Andes é a sua imponência, que chega a intimidar, e a variedade de cenários – áreas nevadas, desertos, gêiseres, lagunas salgadas e de inúmeros tons azuis, o colorido das rochas, as florestas e os seus animais.

Os Andes são surpreendentes e literalmente nos tiram o fôlego.

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Esta foto é no Valle Nevado Ski Resort (Chile) no período do verão, quando as pistas de ski não estão com neve e as montanhas mostram as suas cores (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Outro fator que torna esse fascínio em algo mais profundo é o fato de não termos montanhas no Brasil. Temos serras, morros, mas não montanhas propriamente ditas.

Uma cadeia de montanhas acontece em áreas de contato entre placas tectônicas. O Brasil é um país terreno estável, sem terremotos e vulcões, por estar no centro da Placa Tectônica Sul-Americana.

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Em 2.012 vi neve pela primeira vez. Foi no Valle Nevado Ski Resort, no Chile, a 3.000 metros de altitude (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Quem viaja para os países andinos se surpreende com os picos altos, com os vulcões e com os precipícios profundos, surpreendentemente cortados por rios caudalosos.

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Cenários quase remotos na Trilha Inca Tradicional, rumo a Machu Picchu, no Peru. Na foto, o Rio Urubamba. Observe como neste local as montanhas já estão cobertas por vegetação, mudando completamente a paisagem (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Minha primeira visão impactante da muralha andina foi em Santiago de Chile, em uma viagem que fiz no inverno de 2.012. A cadeia dos Andes forma uma grande barreira no horizonte da cidade, dando uma sensação de que atrás daquele paredão não há mais nada, quando, na verdade, há ainda mais cumes.

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Santiago, 2.012 – a capital do Chile e a Cordilheira dos Andes vista do Cerro San Cristóbal, um dos principais pontos turísticos da cidade. Aquela faixa branca é a neve no topo da montanha (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Como a Cordilheira dos Andes se formou?

A Cordilheira dos Andes, segundo os estudos de tempo geológico (tempo de formação do Planeta Terra), é muito recente e ainda está em contínua formação, já que as placas tectônicas estão em constante movimento.

Por isso, quando falamos de cadeia de montanhas também aparecem outros nomes como:

  • Dobramentos Recentes”,
  • Dobramentos Modernos”,
  • Dobramentos Terciários”,
  • Cadeias Orogênicas” e
  • Cinturões Orogênicos”.

Veja no mapa a seguir as maiores placas tectônicas do Planeta Terra:

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Este mapa-múndi mostra as principais placas tectônicas da Terra. A Cordilheira dos Andes está no limite da Placa Sul-Americana com a Placa de Nazca. As setas vermelhas indicam a direção de deslocamento das placas tectônicas. As placas Sul-Americana e Nazca se chocam, já que estão se movimentando para a mesma direção, em sentido convergente (Fonte: Site Planejativo).

Por que se diz “dobramento”?

A resposta está no fato de que o movimento horizontal de choque das placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana gera um enrugamento ou uma deformação das camadas de rochas, formando dobras que podem ser visíveis pelos observadores.

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Nesta foto, estou na Rainbow Mountain (ou Montanha das 7 cores), no Peru, no ano de 2.018. Observe que as camadas coloridas da montanha têm uma dobra, parece que foi “amassada”. A Montanha Arco-Íris é o exemplo perfeito de um dobramento nas rochas em uma montanha formado pelo choque das placas tectônicas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

E por que se diz “orogênico”?

A orogênese é esse movimento tectônico horizontal que gera as dobras. É o movimento responsável pela formação de cadeias montanhosas.

O processo de formação dos Andes teria ocorrido entre os períodos geológicos do Mesozoico e do Cenozoico. Segundo o Professor do Curso de Geografia da USP, Dr. Jurandyr Ross (2016, citando Zalan, 2004), a cordilheira surgiu entre 106 e 96 milhões de anos Antes do Presente.

A Placa de Nazca, sendo mais densa, fica sob a Placa Sul-Americana, que é mais leve (isto se deve à densidade de suas rochas componentes).

A Placa de Nazca sofre um mergulho em direção ao magma, enquanto a Placa Sul-Americana, que está por cima, passa por uma deformação ou enrugamento, que resulta na Cordilheira dos Andes.

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Neste esquema didático, vemos a Placa de Nazca entrando embaixo da Placa Sul-Americana. A pressão gerada pelo choque das duas placas tectônicas enruga a borda da Placa Sul-Americana, gerando a Cordilheira dos Andes (Fonte: Prepara Enem).

Nestas zonas de contato entre placas tectônicas constantemente ocorrem sismos (terremotos), vulcões e têm seus litorais mais suscetíveis aos tsunamis (ondas grandes).

Há inúmeros vulcões ativos na Cordilheira, como por exemplo, os vulcões Lascar e Licancabur no Deserto do Atacama (Chile), o Nevado del Ruiz (Colômbia), Villarrica (Chile), Reventador (Equador)e Misti (Peru).

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O Vulcão Licancabur, na fronteira com a Bolívia, próximo a San Pedro de Atacama, no Chile. Este vulcão é considerado semiativo, pois libera gases para a atmosfera (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

17 curiosidades sobre a Cordilheira dos Andes:

Uma cadeia de montanhas tão extensa guarda muitas curiosidades e fatos interessantes! Vamos conhecer 17 deles:

1- É considerada a maior cadeia de montanhas continentais do mundo, com mais de 7.000 km de extensão no sentido norte/sul.

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A Cordilheira dos Andes é a área pintada de marrom neste mapa da América do Sul (Fonte: Blog do Professor – Secretaria de Educação de Praia Grande, SP).

2- No sentido leste/oeste, sua largura varia entre 200 e 700 km.

3– Estende-se por 7 países:

  • Argentina,
  • Chile,
  • Bolívia,
  • Peru,
  • Equador,
  • Colômbia e
  • Venezuela.
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A Cordilheira dos Andes tem incontáveis paisagens sensacionais! Uma delas é a Laguna Colorada, na Bolívia, um dos 7 países abarcados pela cadeia de montanhas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

4- Seus cinco picos mais altos estão situados entre Argentina e Chile:

  • Aconcágua – 6.959 m de altitude (Argentina);
  • Ojos del Salado – 6.893 m acima do nível do mar (Argentina/Chile);
  • Pissis – 6.795 m (Argentina/Chile);
  • Bonete Chico – 6.759 m de altitude (Argentina) e;
  • Tres Cruces Sul – 6.748 m (Argentina/Chile).

5- Os Andes fazem parte do chamado Cinturão de Fogo do Pacífico (ou Círculo de Fogo ou Anel de Fogo do Pacífico), uma área conhecida por intensa atividade de terremos e vulcões ativos.

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Neste mapa vemos uma área pintada de laranja. É o Cinturão de Fogo do Pacífico, com uma alta atividade vulcânica e da qual faz parte a Cordilheira dos Andes (Fonte: Geokratos).

6- Possui o deserto mais árido do mundo – O Deserto do Atacama – onde, em média, chove apenas 45 mm/ano. O céu é limpo quase o ano todo (sem poluição e sem nuvens), o que permite o desenvolvimento de pesquisas astronômicas.

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O Deserto do Atacama é um dos lugares mais lindos que já visitei, e também o mais seco. A ausência da umidade do ar é nítida na pele após alguns dias de viagem. Nesta foto, estou no mirante para Piedras Rojas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

7- O lago navegável mais alto do mundo – O Lago Titicaca – fica entre os morros da cordilheira, a uma altitude de 3.821 metros. Este lago abriga a Isla del Sol, onde teria nascido o primeiro Imperador Inca (Manco Cápac) e a comunidade indígena de Los Uros.

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A comunidade indígena de Los Uros, que vive nas ilhas flutuantes feitas de totora (junco), no Lago Titicaca. A comunidade fica em Puno, no Peru, próximo à fronteira com a Bolívia (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

8- Os quatro camelídeos sul-americanos – Lhama, Alpaca, Vicunha e Guanaco – são nativos das regiões andinas e foram essenciais para o desenvolvimento dos povos originários.

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Lhama, camelídeo domesticado pelos povos andinos (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

9- Na cordilheira se encontra um dos cânions mais profundos do mundo – o Cânion do Rio Colca, no Peru – que atinge 4.000 m de profundidade no povoado de Huambo.

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Cânion do Rio Colca, ainda em sua parte menos profunda (início do Cânion). Devido às chuvas na época da viagem, um dos pontos de maior profundidade estava coberto por névoa (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

10- Possui o maior deserto de sal do mundo – o Salar de Uyuni, na Bolívia – com mais de 10 mil km² de área.

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O Salar de Uyuni, na Bolívia. Conhecer a paisagem branca dessa superfície de sal foi um dos momentos de maior expectativa quando fiz o mochilão (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

11- Nos Andes está a capital de um país mais alta do mundo – La Paz (Bolívia) – a 3.640 metros acima do nível do mar.

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La Paz, capital administrativa da Bolívia, vista do Mirador Killi-Killi, ponto privilegiado para observar a cidade (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

12- Tem a estação de ski mais alta do mundo – Chacaltaya (Bolívia) – a 5.395 metros de altitude, que está desativada desde o início dos anos 2.000 em razão da baixa cobertura por neve.

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Chacaltaya – a subida é difícil, mas a vista da Cordilheira compensa o esforço físico na altitude! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

13- O Condor (ou Condor-dos-Andes) é a maior ave voadora e ave de rapina do mundo.

14- O Monte Chimborazo, localizado no Equador, é considerado o ponto mais distante do centro da Terra. Isso só é possível porque o planeta não é exatamente redondo, mas tem o formato arredondado de um geoide.

15- A batata, a quinoa e o tomate são alimentos de origem andina.

16- Machu Picchu, no Peru, é considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno desde o ano de 2007.

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Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas, escondida entre as montanhas peruanas, nunca foi descoberta pelos espanhóis (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

17- A coca, planta originária da Bolívia e do Peru, é usada para combater o mal de altitude. Pode ser consumida in natura, mascando a folha para evitar a fome ou fadiga. Também pode ser consumida na forma de chá. Seu uso nessas condições não implica em efeitos psicotrópicos ao corpo humano.

A Magia dos Andes:

A Magia dos Andes (Andes Magicos / Magical Andes) é uma série documental original Netflix com 2 temporadas.

Para quem deseja conhecer um pouco mais sobre os Andes, a série explora diversas paisagens da montanha e entrevista pessoas que escolheram a cordilheira para viver e desenvolver suas atividades econômicas.

Um passeio pela América do Sul mostrando porque os Andes tem essa magia que só é possível entender quando estamos lá!

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Sim, eu também considero os Andes “mágicos”. Parece que o tempo parou em muitos lugares da cordilheira. Na foto, estou nos Gêiseres Sol de Mañana, na Bolívia. Esta foto é ao amanhecer, momento em que as fumarolas dos gêiseres são mais visíveis (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

***

Sou suspeita quando o assunto é a Cordilheira dos Andes, pois sou uma aficionada pelas paisagens andinas.

Com este texto, procurei expressar porque sou uma entusiasta dessa fabulosa cadeia de montanhas, que se encontra relativamente perto de nós.

O que mais você acrescentaria de adjetivos para a Cordilheira dos Andes? Você acha que faltou alguma curiosidade sobre ela? Quais lugares da Cordilheira você conhece?

Você pode me acompanhar no Instagram, no meu perfil @tissiana.souza ou pode entrar em contato comigo com dicas e sugestões para o blog através do e-mail tissinorole@gmail.com. Conto com você nas minhas próximas narrativas!

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