Quem viaja a La Paz e tem oportunidade de ficar por vários dias na capital administrativa da Bolívia pode procurar opções de passeios em suas proximidades.
Neste texto, apresento três opções de lugares para conhecer nos arredores de La Paz, cada um com sua beleza única e com suas curiosidades peculiares:
- O Valle de La Luna – para você se sentir em outro lugar do espaço sideral;
- O Complexo Arqueológico de Tiwanaku, civilização pré-inca e pré-hispânica – para você se sentir em outro tempo histórico;
- Chacaltaya, a estação de ski mais alta do mundo – para você se sentir parte da montanha.
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Você pode conhecer as atrações de La Paz clicando aqui.
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A seguir, você encontra uma descrição desses três passeios imperdíveis nos arredores de La Paz:
O Valle de La Luna de La Paz:
O Valle de La Luna (Vale da Lua, em português) ainda fica no perímetro de La Paz, porém a 11 km do Centro Histórico.
A entrada discreta esconde um segredo encantador: rochas claras, de tons levemente amarelados, que foram cuidadosamente esculpidas pela água e pelo vento ao longo do tempo geológico. São colunas delicadas e, ao mesmo tempo, tão profundas, que a luz do Sol não é capaz de iluminar suas bases.

Por sua trilha demarcada, que dura em média 45 minutos, é possível passar por escadas, caminhos planos, por uma ponte e por diversos mirantes, que revelam a cada novo ângulo de visão uma paisagem de beleza única, diferente e apaixonante! E tudo isso entre as montanhas andinas…

O curioso nome é originário de uma história relacionada a Neil Armstrong, o primeiro humano a pisar na Lua. Diz-se que quando o astronauta visitou La Paz, considerou as rochas do Valle de Luna como a superfície terrestre que mais se parecia com o que viu no nosso satélite natural. Aparentemente, isso é uma lenda para justificar o nome do local. Eu não sei como é a Lua, mas eu realmente me senti como uma astronauta!

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Você pode conhecer outros Vales da Lua pela América do Sul clicando aqui
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- Horário: todos os dias, das 9h às 17h (informação retirada do Google – confirme com sua agência de viagem).
- Quanto custa? Entre 15 e 20 Bs (informação retirada do Google – confirme com sua agência de viagem).
Tiwanaku, a civilização boliviana pré-inca:
O Sítio Arqueológico de Tiwanaku (ou ainda Tiahuanacu ou Tihunaco) fica no povoado homônimo, situado a 70 km de La Paz. Desde o ano 2000, o local é Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Tiwanaku fica 3.850 m de altitude e segundo o site da UNESCO, foi uma civilização pré-inca e império pré-hispânico, que teve seu apogeu entre 400 e 900 d.C.
Para compreender as edificações e monumentos do sítio arqueológico, o ideial é comprar um passeio guiado em La Paz. A visita completa inclui:
- o Museu da Cerâmica;
- o Museu do Sítio de Tiwanaku;
- o Complexo Arqueológico;
- Puma Punku.
O Museu da Cerâmica serve para apresentar a civilização Tiwanaku aos visitantes.
Já no Complexo Arqueológico (ou Sítio Arqueológico), o passeio se inicia pela Pirâmide de Akapana, que originalmente era formada por 7 plataformas (ou níveis), que atingiam uma altura total de 18 metros. Atualmente, pode-se ver até 5 níveis dessa pirâmide.

A civilização Tiwanaku é considerada como uma grande construtora e dominava a arte da engenharia, como é possível observar nas paredes do Templo de Kalasasaya, formadas por pedras cortadas em ângulos perfeitos. Conforme a UNESCO, o local também possuía um complexo sistema de drenagem, que controlava as águas das chuvas.

Em geral, as antigas civilizações se guiavam pelos pontos cardeais (N, S, L e O), especialmente pelo Sol. A Puerta del Sol (Porta do Sol), no interior do Templo de Kalasasaya, é o exemplo didático de como a orientação pelos pontos cardeais era importante, já que a parte esculpida da porta se volta para o Leste, ou seja, para o Sol nascente.
A Puerta del Sol traz uma representação do Governador, que segura um cetro em cada mão. Outra reprodução admirável é a última linha, que contém a divisão do tempo em 13 meses, onde está determinado 1 ano na contagem do calendário Tiwanaku.

O Monolito Ponce, um único bloco de rocha talhado, é a representação de um humano, provavelmente de um sacerdote. Nas mãos, foram esculpidos os cálices com as bebidas alucinógenas utilizadas nas cerimônias religiosas, sendo a mais tradicional a “Chicha”, feita com base na fermentação do milho e de outros cereais.

Destaca-se no sítio arqueológico outro monólito, denominado “El Fraile”, que representa a dualidade entre o masculino e o feminino. Antigas civilizações, como a Tiwanaku, se caracterizavam por representar tudo o que existe em pares, como por exemplo, o Sol e a Lua.

A entrada principal do Templo de Kalasasaya é a Puerta de Kalasasaya, também voltada para o nascer do Sol. É neste ponto onde provavelmente ocorriam as diversas cerimônias deste povo.

No Templete Subterrâneo estão outros monólitos, porém a ênfase fica para as cabeças de pedra, que, de acordo com o site da UNESCO, simboliza a prática de decapitar e expor as cabeças dos inimigos.


A civilização Tiwanaku também se diferenciava pelas atividades agrícolas, sendo possível encontrar cerca de 50.000 campos de agricultura, conhecidos como Sukakollos (ou Suqakollos), dotados de um sistema próprio de irrigação e de terraços, que permitiam o plantio em áreas de elevada altitude.
Durante a visita, o guia também destacou o controle de natalidade existente entre o povo Tiwanaku. Cada família possuía, no máximo, 3 filhos. Esse controle da população era feito através do consumo de um chá de uma planta regional tomado pelas mulheres logo após o parto. A bebida tinha efeito anticoncepcional e, assim, elas passavam um determinado período de tempo sem possibilidade de engravidar novamente.
Acredita-se que o declino dos Tiwanaku teria ocorrido por volta de 1.000 anos d.C., com causas possivelmente associadas a uma mudança climática regional, na qual houve um período de seca prolongado, que teria prejudicado sua produção agrícola.
Após percorrer o Complexo Arqueológico, o grupo se dirigiu ao Museo del Sítio de Tiwanaku, que abriga o Monolito Bennett ou Monolito Pachamama (lembrando que Pachamama significa “mãe terra”), uma estrutura de 7,30 metros de altura visível, 17 toneladas e com cerca de 1.700 anos de idade.

O Monolito Pachamama foi descoberto em 1.902 e desenterrado em uma grande escavação em 1.932. No ano seguinte, foi levado para La Paz, onde ficou exposto por muitos anos, até retornar ao museu em Tiwanaku, onde está protegido e preservado das condições climáticas. Infelizmente, esta megaestrutura rochosa não pode ser fotografada pelos visitantes.
No mesmo museu, podem ser encontrados outros monólitos, como os esculpidos em forma de guerreiros, com braços paralelos e rosto de animal.
Ocorreu uma pausa para o almoço em um restaurante localizado no povoado, com opções de filé de peixe, carne de lhama ou omelete (prato vegetariano) e, em seguida, o grupo se dirigiu para o Sítio Arqueológico de Puma Punku (Área do Puma).

Puma Punku é um conjunto arqueológico e arquitetônico em planta quadrada de um antigo templo, que foi construído com blocos de rochas talhados perfeitamente, com três níveis de plataformas. Muitas portas do templo estão tombadas pela força da gravidade.

Segundo o site “Mi La Paz”, a Porta do Puma é uma das mais importantes peças líticas do Complexo Arqueológico de Tiwanaku.
- Horário: das 9h às 17 h (Informações retiradas do Google – confirme com sua agência de viagem).
- Quanto custa? 100 Bs (Informações retiradas do Google – confirme com sua agência de viagem).
Chacaltaya, a estação de ski mais alta do mundo:
Chacaltaya já foi a estação de ski mais alta do mundo, estando a mais de 5.300 metros de altitude.

A subida é feita por estradas de terra e muitas curvas, porém a paisagem deslumbrante e memorável da Cordilheira dos Andes compensa todo o sacolejo da van por cerca de 1 hora e 30 minutos. Pelo caminho, o melhor engarrafamento da viagem: pastoras conduzindo ovelhas e lhamas com a ajuda de seus cães.


Para este passeio, minhas dicas incluem:
- levar papel higiênico e álcool em gel, já que o banheiro da antiga estação de ski pode não estar nas melhores condições;
- se você apresenta efeitos do mal da altitude (ou soroche ou mal da montanha), leve também sua lata de oxigênio. Veja como você pode amenizar os efeitos da altitude clicando neste post aqui;
- É imprescindível estar muito bem agasalhado, com blusa corta vento, luvas, touca, cachecol, calça segunda pele e calçado que não molhe ao entrar em contato com o gelo;
- Levar água e alimentos (bolacha, barrinha de cereal, etc.)
A caminhada pela montanha começa passando por dentro do chalé que um dia foi o hotel da estação de ski. A partir daí, inicia-se uma subida de cerca de 500 metros por uma trilha na crista da montanha.
A elevada altitude fez com que muitas pessoas do grupo desistissem de subir, e pela primeira vez, em todo o mochilão, o guia esperou os turistas se recuperarem e não quis fazer tudo na correria.

O Cerro Chacaltaya tem uma vista impressionante da Cordilheira dos Andes! A paisagem é simplesmente espetacular, belíssima! As rochas de tons marrons, amarelos, alaranjados e avermelhados contrastam com o céu azul. A presença da neve dá o toque que faltava para deixar o cenário ainda mais especial. O panorama é tão magnífico que não dá vontade de ir embora!

Chacaltaya foi a única estação de ski boliviana, mas seu orgulho chegou ao fim juntamente com as geleiras do entorno. No final da década do ano 2.000, a estação encerrou as atividades e de acordo com uma reportagem publicada no jornal The New York Times, de 02/02/2.007, o pesquisador Jaime Argollo Bautista, do Instituto de Investigação Geológica da Universidade de San Andrés (La Paz), afirmou que 80% das geleiras de Chacaltaya desapareceram em 20 anos.


O principal problema da quase completa retração das geleiras foi o fornecimento de água potável para a população, além do abastecimento dos reservatórios das usinas hidrelétricas que geram energia para La Paz.
- Observação: Cachaltaya e Valle de La Luna normalmente são realizados no mesmo tour.
Bônus* Descer a Estrada da Morte de bicicleta:
A “Estrada da Morte” conecta La Paz à região de Yungas, possuindo um desnível de 3.500 metros e uma distância total de 64 km. Esta já foi considerada a rodovia mais perigosa do mundo, e atualmente tem sido o destino dos amantes de adrenalina, que descem a estrada de bicicleta.
A Estrada da Morte é caracterizada por curvas fechadas e cegas, desfiladeiros sem proteção, pontos estreitos e cachoeiras que descem pelas encostas da montanha e cruzam a rodovia.
Quem está com o físico em dia pode escolher essa aventura! Optei por não fazer esse passeio por causa do mal da altitude, mas trago este bônus porque é um tour que muitos turistas desejam tornar realidade.
- Quanto custa? O passeio custa normalmente entre 300 e 400 Bs e inclui: aluguel da bicicleta, guia, transporte ida e volta para La Paz, refeições.
Uma história pessoal curiosa – Terremoto na Bolívia:
No dia em que ocorreu a excursão para Chacaltaya e Valle de La Luna (02/04/2.018), houve um terremoto na região de Potosí (sul da Bolívia), com 6,8 graus de magnitude na Escala Richter.
O tremor ocorreu às 09h40 do horário local (10h40 em Brasília). Esse era o último dia do mochilão, que já durava quase 1 mês.
As ondas sísmicas deste terremoto, que foi relativamente forte, se propagaram até o Brasil e vários prédios foram evacuados na cidade de São Paulo e na nossa capital federal.
Como eu estava em um deslocamento de van, não senti absolutamente nada, e só descobri o que estava acontecendo porque havia um brasileiro na excursão que tinha internet móvel no seu telefone.
Deve volta a La Paz, a vida urbana seguia o ritmo normal. Ao conectar o telefone em uma rede WiFi, começaram a pipocar mensagens dos amigos preocupados. Ainda bem que não ocorreu nada grave e o tremor nem foi sentido.
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A Bolívia é essa imensidão de paisagens e belezas naturais e culturais que as palavras não conseguem descrever.
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