Quando viajo para outro país, sempre procuro incluir sua capital no roteiro. Normalmente, mas não necessariamente, a capital é a maior cidade e a mais importante.
No caso da Bolívia, são duas capitais:
- La Paz – sede dos Poderes Executivo (Presidência) e Legislativo, sendo chamada de capital administrativa da Bolívia.
- Sucre – sede do Poder Judiciário, sendo a capital constitucional do país. Sucre também foi a primeira capital boliviana.
As duas capitais têm uma relativa diferença populacional. Sucre tem aproximadamente 300.000 habitantes, enquanto em La Paz a população atingiu a marca de mais de 800.000 pessoas. No entanto, a maior cidade boliviana, em número de habitantes, é Santa Cruz de La Sierra, onde vivem mais de 1,5 milhão de pessoas.
Durante o mochilão por Chile, Bolívia e Peru, a capital que conheci foi a cidade de La Paz, onde a viagem começou e terminou.
Informações gerais sobre a Bolívia:
Vamos conhecer algumas informações gerais sobre a Bolívia:
- Presidente: Rodrigo Paz (eleito em 20/10/2025, assumiu o cargo em 08/11/2025);
- Extensão Territorial: 1.098.581 km² (IBGE, 2025);
- Nome oficial: Estado Plurinacional da Bolívia (SRI, 2025);
- População absoluta: 12.077.154 habitantes (IBGE, 2025);
- Idioma: Espanhol (IBGE, 2025), quéchua, aimará, guaraní e outras línguas indígenas;
- Clima: Tropical (verões úmidos e invernos secos); Frio de Montanha (Região da Cordilheira dos Andes); Desértico (na fronteira com o Chile);
- Melhor época do ano para conhecer o país: entre maio e outubro, na estação seca, quando as trilhas e as estradas estão melhores, porém as temperaturas são mais baixas. Caso queira conhecer o Salar de Uyuni com o “efeito espelho”, a melhor época é a estação chuvosa, entre janeiro e março;
- Moeda: Boliviano (IBGE, 2025);
- Religião: 70% Católica Apostólica Romana (Brasil Escola, 2025);
- Fuso horário: -4 GMT (Greenwich Mean Time) (SRI, 2025);
- Código telefônico: +591 (SRI, 2025);
- Consulado Brasileiro na Bolívia: Av. Marcelo Terceros Bãnzer, n.334, Santa Cruz de La Sierra. Horário de atendimento – de seg. a sex., das 08:00 às 12:00 h. Telefone – +591 3 3447575.
Fundação de La Paz:
Nuestra Señora de La Paz (Nossa Senhora da Paz) ou, simplesmente La Paz, é uma cidade histórica, fundada em 20 de outubro de 1548 pelo conquistador espanhol Alonso de Mendoza.
O local já era ocupado por um assentamento inca conhecido como “Laja” e a ocupação espanhola tinha o objetivo de controlar as principais rotas de comércio, que ligavam Potosí, Oruro e Lima.
La Paz cresceu pelo vale do rio Choqueyapu e ocupou as montanhas do entorno. Seu símbolo imponente é a nevada montanha de Illimani, com mais de 6.000 metros de altitude.

La Paz é considerada a capital federal mais alta do mundo – está a 3.640 metros acima do nível do mar. El Alto, cidade onde está situado o Aeroporto Internacional e conurbada com La Paz, fica a 4.150 de altitude, sendo considerada a cidade mais alta da Bolívia.
“Mi Teferico” – O Transporte Público de La Paz
Aqui no Brasil, os teleféricos são meios de transporte turísticos. Porém, em La Paz, o diferencial é que o teleférico é um meio de transporte público, equivalente a um sistema de metrô. Desde 2014 este sistema está em funcionamento.
O terreno montanhoso dificulta a circulação de veículos e uma das soluções para conectar os bairros da cidade são as linhas de teleféricos.

Atualmente o serviço do Mi Teleferico apresenta 10 linhas:
- Vermelha
- Amarela
- Verde
- Azul
- Laranja
- Branca
- Celeste
- Lilás
- Café
- Prata

Atualmente são 26 estações, sendo que em 8 delas ocorrem integrações:
- Estação “16 de Julio”: Azul, Vermelha e Prata;
- Estação “Faro Murillo”: Prata e Lilás;
- Estação “Mirador”: Prata e Amarela;
- Estação “Central”: Vermelha e Laranja;
- Estação “Libertador”: Celeste, Amarela e Verde;
- Estação “Villaroel”: Amarela e Branca;
- Estação “Busch”: Branca e Café;
- Estação “Del Poeta”: Branca e Celeste.
A rede conta com mais de 31,5 km de extensão e em 2018 ganhou o título do Guinness World Records de linha de teleféricos mais extensa do mundo.
Além de ser um sistema de transporte da população, as linhas do Mi Teleferico se tornaram uma forma de turistar por La Paz. É a oportunidade perfeita de ter vistas panorâmicas da capital boliviana e observar a cidade de cima, podendo ver suas ruas, casas, bairros e as montanhas que a cercam.
Quando estive em La Paz, viajei na Linha Vermelha (Línea Roja), que conta com 3 estações:
- Central, na parte baixa da cidade;
- Cementerio, a estação intermediária;
- Estação 16 de Julio, em El Alto.
Lembro-me de ficar surpresa positivamente com a estrutura do teleférico e com o serviço oferecido. Todas as cabines contam com um painel de energia solar e ao chegar nas estações, os funcionários orientam os passageiros, indicando as cabines onde devem entrar.
Confesso que fiquei ansiosa e com um pouco de medo de entrar na cabine, principalmente por observar a encosta da montanha que a linha sobe e desce. Porém, as cabines são grandes, espaçosas e com possibilidade de transportar 10 pessoas sentadas.

O deslocamento é bastante suave e o percurso entre cada uma das estações dura pouco mais de 5 minutos.
É claro que vai dar pra saber quem é turista e quem é morador da cidade. Enquanto para os locais o percurso de teleférico é só uma tarefa diária de deslocamento – eles não olham para a paisagem, não observam a cidade, ficam passando o tempo no telefone e parecem que estão em terra firme – para os viajantes é a chance de fotografar e filmar a cidade de um novo ângulo. Quem não é da cidade mostra empolgação em ver La Paz do alto!
- Quanto custa? O valor do bilhete é de 3 Bs (bolivianos) (referência: Out/2025).

Onde se hospedar?
Quando fiz a viagem por Chile, Bolívia e Peru, a opção foi dormir em hostels, em quartos e banheiros compartilhados.
Minha dica, se você é adepto de viajar e dormir em quartos compartilhados, é a rede Wild Rover, pois suas acomodações seguem um padrão pré-estabelecido em todos os hostels, que estão situados em La Paz (Bolívia), Cuzco (Peru), Máncora (Peru) e Huacachina (Ica, Peru).
Os hostels dessa rede são os melhores em que me hospedei.
- Endereço: Calle Comercio, 1476 (Próximo à Plaza Murillo).
O que conhecer em La Paz?
Apesar de ser uma capital nacional, La Paz é uma cidade de tamanho médio.
Em um primeiro momento, a cidade assusta pelo seu grande contraste: no Centro Histórico, os edifícios recordam as cidades espanholas; subindo as montanhas andinas, as residências sem acabamento externo lembram o contraste social do país.

A população indígena e as mulheres com seus trajes tradicionais pelas ruas revelam a faceta de preservação e resistência cultural. Ao mesmo tempo, observando as atividades cotidianas de seus moradores, é possível entender que a Bolívia é um país ainda subdesenvolvido.
O relevo da cidade indica que a circulação não é tão simples e os teleféricos mostram que foi preciso criar uma maneira para superar as ladeiras inclinadas. A circulação dos veículos mostra que nem todo mundo é bom de volante.
Falando da parte turística, estar lá em um feriado, como aconteceu comigo, foi um pouco maçante. Muitos pontos de visitação ficaram fechados, inclusive as igrejas.
Minha dica é que, se possível, você contrate um walking tour pelo Centro Histórico para conhecer mais sobre a cidade, seus prédios históricos e costumes locais.
Plaza Murillo:
A Plaza Murillo fica no coração de La Paz, sendo a principal praça da capital e centro da política boliviana.
Sua arquitetura tem o estilo trazido pelos colonizadores espanhóis de plaza mayor, tipicamente confinada por muitos edifícios.
Já o nome é uma homenagem a Pedro Domingo Murillo (1757-1810), herói bolivariano responsável pelos ideais de independência do país.

Ao caminhar pela Plaza Murillo, os visitantes encontram na esquina da Ruta Nacional 2 com a Calle Bolívar o monumento conhecido como “Kilómetro 0”. Ele é tão discreto que passa quase imperceptível, porém ali é o “Marco Zero” da Bolívia, onde começam as contagens das quilometragens das rodovias nacionais.

Já os edifícios que se destacam na praça são:
- Assembleia Legislativa Plurinacional (antigo Congresso Nacional), que abriga a Câmara dos Deputados e a Câmara do Senado.
O destaque deste belo edifício é a torre central com um relógio que apresenta os números em sentido anti-horário.

Os bolivianos não ficaram doidos, nem colocaram os números dessa forma por engano. Existem explicações para tal fato: a primeira é a valorização da posição geográfica do país, que está situado no hemisfério sul, sendo uma tentativa de se desvencilhar culturalmente do hemisfério norte.
Já o segundo motivo, que considerei mais interessante, é uma ideia ligada à tradição indígena de que na frente está o passado, porque é possível enxergá-lo e criar lembranças. O futuro está atrás e não pode ser visto, nem previsto.

- Palácio Quemado (Palácio Presidencial) – local de trabalho do presidente.
Este pomposo edifício histórico, construído no século XIX, com entrada decorada de mármore e Guarda Presidencial sempre a postos, herdou o nome de um incêndio ocorrido em 1875, durante uma revolta contra o Presidente Tomás Frías Ametller.

- Catedral Metropolitana de Nuestra Señora de La Paz – fica ao lado do Palácio Quemado e sua construção começou em 1835.
A igreja tem imponência na fachada, porém o interior é relativamente simples.
A inauguração da Catedral aconteceu depois de 90 anos do início de sua construção, no ano de 1925, data do 1º Centenário de Independência da Bolívia.
Já a sua finalização aconteceu somente em 1989, com a construção de suas duas torres laterais, que coincidiram com a visita do Papa João Paulo II.
Quando se pensa na Plaza Murillo, um espaço público com tanta circulação de pessoas, é impossível imaginar que ali já foi um local onde a população indígena da Bolívia não podia transitar. Foi o que contou o guia do walking tour que fiz por La Paz.
Apesar de mais de 60% dos habitantes da Bolívia ser composto por indígenas (sobretudo aimarás e quéchuas), essa população viveu às margens da sociedade até a chegada de Juan Evo Morales Ayma à presidência.
Evo Morales foi o primeiro indígena a ser presidente da Bolívia e, em 2006, ao assumir seu mandato, promoveu uma grande mudança cultural, que atingiu especialmente a população indígena, que passou a circular com maior liberdade. Em 2018, o guia do walking tour se mostrou decepcionado, apesar de ter ressaltado que no primeiro mandato o presidente havia feito muitas coisas positivas.
Museo Nacional de Etnografía e Folklore (Musef)
Quando estive em La Paz, foi a celebração da Páscoa. Por ser um feriado religioso, muitos museus da cidade estavam fechados.
O único museu que consegui visitar foi o Musef – Museo de Etnografía e Folklore, que fica situado a um quarteirão e meio da Plaza Murillo.
Este museu fica no antigo Palácio dos Marqueses de Villaverde, uma construção em estilo colonial, do ano de 1.730.
O Musef apresenta 8 salas de exposições permanentes, que revelam a diversidade e riqueza cultural dos povos bolivianos, suas tradições, os produtos oriundos de materiais naturais e a beleza dos trabalhos manuais. É uma maneira de conhecer melhor o país.

De acordo com o site oficial do Musef, as exposições permanentes abordam as seguintes temáticas:
- 1. TECENDO A VIDA: coleção têxtil dos anos de 600 a.C. a 1532 d.C. (Período Arqueológico); de 1532 a 1900 (Histórico) e 1900 à atualidade (Etnográfico), com destaque para todo o processo de produção de tecidos, desde a matéria-prima, passando pelos teares até as peças finais.
- 2. VESTINDO A CABEÇA: coleção de gorros coloridos, bordados, com materiais variados, cobrindo ou não a orelha, de formato arredondado e cônico. Cada gorro mostra a identidade cultural de um povo boliviano.
- 3. MOLDANDO A VIDA: objetos de cerâmica domésticos e objetos utilizados nos atos cerimoniais pelos povos locais. Há também cerâmicas do período colonial, que são totalmente diferenciadas das anteriores.
- 4. MÁSCARAS: são 59 máscaras que representam diversidade regional do país. Estão associadas a religião, cerimônias, sincretismo indígena-europeu, festividades, entre outros temas.
- 5. MOEDAS BOLIVIANAS: coleção de moedas e notas de dinheiro produzidas pelo Banco Central da Bolívia.
- 6. O PODER DAS PLUMAS: sala dedicada ao uso das plumas para a produção de roupas, chapéus, cocares, arcos. Esta sala é incrivelmente colorida e o trabalho desenvolvido com as plumas é algo inacreditável.
- 7. ALIANÇAS DE METAL: espaço dedicado às riquezas minerais da Bolívia.
- 8. FIBRAS VIVAS: cestos e objetos de madeira e destaque para os objetos de totora, material presente no Lago Titicaca.
Endereço: Calle Ingave, n°916
Horário de funcionamento: de segunda a sábado das 08h30 às 16h30; domingo das 08h30 às 13h30.
Quanto custa? 35 Bs (referência: dezembro/2025).
Observação: o acervo do museu não pode ser fotografado, porém no site oficial você encontra a possibilidade de uma visita virtual.
Mercado Lanza – Caseritas e Yapas:
O Mercado Lanza, também situado no Centro Histórico de La Paz, é um destino para quem quer conhecer produtos alimentícios locais da Bolívia.
No Mercado Lanza, muitas mulheres são as vendedoras dos produtos, e o nome como são chamadas na Bolívia é caseras (ou caseritas, que é a forma carinhosa de chamá-las).
Geralmente, um boliviano costuma comprar sempre com a mesma caserita, pois ela costuma dar “mimos” aos seus clientes. Um exemplo: se você compra 5 tomates na feira, a casera pode te dar mais algumas unidades. O guia explicou essa dinâmica típica dos locais.
O guia levou o grupo na barraca de sucos da caserita em que ele costumava ir. Foi a oportunidade perfeita para provar um suco diferente.
Fiquei com receio de ter um “piriri”? Sim!!! Mas o suco era tão gostoso que depois desse walking tour eu voltei mais 2x em outros dias no Mercado Lanza só para toma-lo novamente!
O sabor do suco era tumbo (fruta que lembra um maracujá, também conhecida como “maracujá banana”) com manga e leite, batido no liquidificador.

A vantagem de comprar na caserita do guia foi poder pedir a yapa, que é o famoso “chorinho” que fica no copo do liquidificador. Para que a caserita dê o mimo, é preciso dizer: “Caserita, yapa!”.
A Bolívia é uma Terra de Sincretismo Religioso:
A mistura de crenças religiosas é muito clara na Bolívia. A isso se dá o nome de “sincretismo religioso”.
As Igrejas Católicas presentes na cidade são uma herança do Cristianismo trazido pela colonização espanhola. Porém, as referências a divindades andinas ainda é muito presente e acaba se integrando ao Catolicismo.
Exemplo de sincretismo é a fachada de estilo barroco da Basílica de São Francisco, de 1753, onde a Pachamama (Mãe Terra) aparece esculpida como uma mulher com as pernas abertas e uma flor no lugar de suas partes íntimas. É a representação da fertilidade.
A Basílica de São Francisco, próxima ao Mercado Lanza, foi consagrada em 1758 e sua torre sineira começou a ser construída em 1885. O antigo Convento de São Francisco foi restaurado entre 1965 e 2005.

Mercado de Las Brujas – Artesanato e Misticismo:
O Mercado de Las Brujas (Mercado das Bruxas) é um desses lugares indispensáveis de se conhecer em La Paz.
Apesar do nome, não é um mercado propriamente dito, mas algumas ruas de comércio no Centro Histórico, com lojas e galerias.
A principal concentração de lojas está na Calle Linares, entre as Calles Sagarnaga e Santa Cruz. Também há algumas lojas na Calle Sagarnaga, no quarteirão da Basílica de San Francisco.

Por ser uma área bastante movimentada, no entorno do Mercado de Las Brujas também é possível encontrar hotéis, casas de câmbio e restaurantes.
Em geral, as lojas vendem artigos semelhantes, como lenços, mantas, mochilas de tecido, bolsas. Inclusive, voltei para o Brasil com uma touca dupla face com desenhos de lhama, uma touca colorida, uma blusa de lã, um poncho e um cachecol multicolorido novos.

Os preços dessas peças eram baixos e a qualidade é boa, tanto que uso essas roupas até hoje e estão bem conservadas, além de serem muito quentinhas. Procure negociar com os comerciantes, pois é possível conseguir bons descontos e preços ainda melhores.
Além das lojas de artesanato e de roupas, o Mercado de La Brujas também possui lojas tradicionais, frequentadas pelos locais e voltadas para as oferendas comumente feitas por uma parte da população boliviana.
Muitas pessoas, assim como eu, se chocam ao ver os fetos de lhama disponíveis para venda e o detalhe é que eles são caros. No walking tour, perguntei ao guia como faziam para conseguir esses fetos e ele disse que são de lhamas grávidas encontradas mortas.
Confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha em relação a isso, pois muitas lojas vendem fetos de tamanhos diferentes. Essa é uma parte da tradição local que eu não gostei, mas que também não posso julgar.
O guia do walking tour levou o grupo em uma loja chamada “Casa Esoterica Pachamama”, na Calle Linares, praticamente na esquina com a Calle Santa Cruz.
Ele mostrou uma tradição local, que é montar uma “mesita” para a Pachamama (Mãe Terra). Esse é um ritual feito para pedir proteção, para fazer um agradecimento ou para realizar um sonho. Basicamente, é um rito de oferenda ou para alimentar a Mãe Terra, e que as pessoas fazem para várias coisas: carro, casa, trabalho, saúde, prosperidade, amor, o início de uma construção de casa ou estabelecimento, etc.
O tamanho da “mesita” é influenciado pelo tamanho do pedido: quanto maior o pedido, maior a será a oferenda.
Esses rituais não estão ligados com feitiçaria, bruxaria e muito menos associados com a intenção de causar danos a terceiros, já que a Pachamama, como principal progenitora de tudo o que existe, não gosta desse tipo de coisa.
A ideia é alimentar a Mãe Terra com folhas de coca, feto de lhama, comidas (como doces) e com o objeto no formato do que a pessoa deseja (um coração para conseguir amor, por exemplo).
Além desses objetos para a mesita da Pachamama, a loja também tinha objetos místicos para as culturas andinas. O condor normalmente é um símbolo de proteção aos viajantes, enquanto o monólito representa um amuleto de proteção pessoal.

A própria Mãe Terra possui representações diversas – quando está com um parceiro, simboliza um casal e é ideal para presentear pessoas que estão em um relacionamento sério, como desejo de proteção ao amor do casal. Quando a representação da Pachamama é um casal acompanhado de uma criança, ou seja, a família, é um presente para um casal que já tenha filhos.
O Mercado de Las Brujas, portanto, é o lugar dos viajantes e dos locais. Dos que querem comprar roupas e lembrancinhas ou dos que buscam reverenciar a Pachamama.
Mirador Killi-Killi:
Uma cidade com tantas subidas e morros como La Paz precisa ter um mirante com vista panorâmica especial… E sim, La Paz tem esse ponto de observação – é o Mirador Killi-Killi – nome inspirado em uma ave de rapina que era encontrada na área onde hoje é o mirante.
Situado a 1 km do Centro Histórico, o caminho para o Mirador Killi-Killi é feito pelas escadarias que dão acesso ao bairro Villa Pavon e depois por uma ladeira curta, porém bem inclinada.
Para encarar essa subida na altitude, é preciso ter muita disposição tirada do fundo dos pulmões, uma lata de oxigênio e uma folha de coca.
O mirante fica no interior de uma pequena praça e oferece uma vista privilegiada da cidade.
É impressionante como a cidade de La Paz se estendeu pelas montanhas, chegando aos seus topos, e inclusive, ultrapassando-os a perder de vista.
Os prédios ficam concentrados nas partes mais planas e centrais da cidade, enquanto as residências sobem as ladeiras e ocupam tudo o que puder.
Do lado esquerdo, o Nevado Illimani faz as honras, protegendo a cidade. Enquanto isso, La Paz se desdobra pelo vale do Rio Choqueyapu e se perde no horizonte.
Do Mirador Killi-Killi é possível enxergar as torres da Catedral Metropolitana e do Congresso Nacional, o novo prédio presidencial (espelhado e o mais alto do centro da cidade), o Teatro ao Ar Livre, o Mirador Laikakota e o Playground e o Estádio Olímpico Hernando Siles, onde jogam os times The Strongest, Bolívar e La Paz F.C.

Plaza Sucre – O “Lado B” do Coração de La Paz:
Para quem não conhece La Paz, a Plaza Sucre é apenas uma pracinha típica, com uma igreja, uma escola, pessoas sentadas, crianças brincando…
Porém, uma parede alta de frente para a praça mostra um mundo à parte– o Penal de San Pedro (Presídio de San Pedro), o maior presídio de La Paz, conhecido por ter uma organização social própria em seu interior, inclusive, com muitas famílias de detentos morando na prisão.
A organização dentro da prisão envolve atividades econômicas, como comércio e prestação de serviços. As crianças que vivem nas celas com suas famílias estudam nas escolas situadas nos arredores.
Durante o walking tour, enquanto o guia fazia a explicação, me lembrei de ter assistido no seriado “As Piores Prisões do Mundo”, no canal Discovery, o episódio sobre o Penal de San Pedro.
O presídio fica no coração da cidade, bem próximo ao Centro Histórico, e não é aconselhável circular nas imediações à noite, já que a polícia interdita as ruas de entorno.
Por algum tempo foram oferecidas visitas para turistas conhecerem a prisão por dentro, porém teoricamente há uma proibição do governo boliviano para essas explorações turísticas.
***
La Paz tem uma mistura que dificilmente você encontrará em outras cidades. Seus contrastes evidentes em um mesmo lance da paisagem tornam uma viagem pela cidade em uma experiência única.
Visitar a capital mais alta do mundo é para aqueles que estão dispostos a explorar a América do Sul e perceber as diferenças que existem com relação ao Brasil.
Dos teleféricos às ladeiras, dos edifícios históricos à busca pela modernidade, La Paz é o emaranhado perfeito para desvendar as inúmeras facetas do nosso continente.
Para saber o que estou fazendo nesse momento, você pode me acompanhar pelo meu perfil no Instagram: @tissiana.souza. Será uma alegria ter você por lá também!

Muito bem detalhado o texto, parabéns! Espero algum dia ir para Bolívia.
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