Descubra a Bolívia: Guia Completo para a Travessia do Salar de Uyuni

Qual seria a possibilidade de você escolher a Bolívia para uma viagem internacional?

Destino muito procurado pelos mochileiros de todo o mundo, nosso vizinho de fronteira tem paisagens surpreendentes e muitas delas, remotas.

A sensação de deslumbramento é o que passa pelos pensamentos quando o assunto são os lugares fascinantes da Bolívia.

Uma das melhores maneiras de percorrer a diversidade de cenários impactantes bolivianos é realizando um passeio turístico conhecido como travessia do Salar de Uyuni, uma viagem de três dias e duas noites entre Bolívia e Chile, realizada em um veículo 4X4.

Há também quem faça a travessia na direção oposta, saindo do Chile, mais precisamente da cidade de San Pedro de Atacama, com destino à Bolívia (cidade de Uyuni).

Neste texto, vou relatar como foi a travessia saindo de Uyuni e chegando à fronteira com o Chile.

Como chegar a Uyuni?

Partindo de La Paz, capital da Bolívia, realizei uma viagem noturna em um ônibus do tipo leito, saindo do Bus Terminal de La Paz às 20:30 h e chegando em Uyuni às 5:00 h da manhã.

  • 1- Empresas que fazem o trajeto: Trans Turistico Omar (mais barato); Panasur; Cruz del Norte; Titicaca Tourist Transportation; Emperador (mais cara).
  • 2- Empresa na qual viajei: Cruz del Norte.
  • 3- Preços atualizados (out/2025): as passagens do trajeto La Paz – Uyuni estão variando entre R$ 113,00 e R$168,00.
  • 4- Dica: muitas vezes, o barato sai caro! Na Bolívia é comum que muitos ônibus não tenham banheiro, procure informações sobre a empresa que você escolher.
  • 5- A taxa de embarque do Bus Terminal de La Paz é vendida separadamente, você precisa comprar no guichê específico.
  • 6 – Ficar atento/a com as paradas do ônibus, pois o motorista não avisa em qual cidade está.
  • 7 – Se for descer do ônibus para ir ao banheiro ou comprar alguma coisa, leve sua bolsa/mochila junto. Não deixe seus pertences pessoais, como passaporte, dinheiro, câmera fotográfica, telefone, etc. no interior do ônibus dando sopa para o azar.

Como comprar a travessia do Salar de Uyuni?

Em 2018, logo ao descer do ônibus, começaram as abordagens para a venda dos pacotes para realizar a travessia de três dias e duas noites.

Naquela ocasião, o passeio foi contratado com a empresa Joyas del Sur, mas o serviço acabou terceirizado para a empresa Licancabur Tours. Não sei dizer se essas empresas ainda estão em funcionamento.

Atualmente, muitos pacotes da travessia do Salar de Uyuni são vendidos online, atendendo os mais diversos tipos de públicos e de bolsos.

Coisas que haviam sido prometidas na hora de comprar o passeio não aconteceram, como ver o pôr do Sol no Salar de Uyuni e dormir em um hotel de sal.

Decepcionante? Sim, um pouco, mas no geral foi uma viagem tranquila, sem acidentes, sem problemas no carro e dificultada apenas pela altitude.

Veja a seguir algumas dicas sobre a travessia:

  • I – Preços atualizados (out/2025): de R$700 a R$1000, dependendo da quantidade de dias (3 ou 4).
  • II – Dica 1: procure avaliações das empresas que fazem esse trajeto.
  • III – O que está incluído? Refeições (café da manhã, almoço e jantar), hospedagens, veículo 4×4 com motorista (que também é o responsável pelas refeições, informações sobre os lugares e mecânico).
  • IV – O que não está incluído? Ticket de entrada em alguns pontos visitados; banho de chuveiro (é bem comum a hospedagem cobrar à parte).
  • V – Dica 2: antes de sair da cidade de Uyuni, comprar água e alimentos suficientes para beliscar ao longo dos dias. Depois de sair de Uyuni não tem parada em outras cidades.
  • VI – Dica 3: Evite comprar água ou alimentos com vendedores ambulantes, pois o risco de uma intoxicação alimentar existe e pode acabar com a viagem. Procure sempre um mercado.
  • VII – Dica 4: comprar o ticket da van para San Pedro de Atacama ainda em Uyuni (caso seja esse o seu próximo destino), na empresa que você adquirir o pacote da travessia.
  • VIII – Altitude: para amenizar os efeitos da altitude, considere tomar chá de coca, mascar a folha ou comprar Sorojchi Pills (medicamento) em uma farmácia.

O que levar na travessia do Salar de Uyuni?

A travessia do Salar de Uyuni passa por lugares de altitudes bastante elevadas, que podem alcançar os 5.000 metros, além da ocorrência de ventos fortes.

Mesmo com um dia ensolarado, as temperaturas são baixas. Em alguns momentos é até possível ficar sem blusa de frio, mas no geral, você sempre ficará agasalhado/a.

Por isso, preparar uma mochila com itens básicos é essencial. Uni minha lista do mochilão com a lista de planejamento de viagem presente no livro “Guia do Mochileiro: um roteiro pela Bolívia e Peru” (Alice Watson, Editora Senac, 2013).

Veja o que é o básico para levar a seguir:

  • a) Utensílios gerais: silver tape (fita adesiva – não precisa ser o rolo todo; enrole um grande pedaço de fita em algum objeto cilíndrico); sacos plásticos; kit de primeiros socorros; adaptador para tomadas; lanterna; cantil de 1 litro; máquina fotográfica; carregadores; porta dólar (moneybelt); lanterna pequena.
  • b) Utensílios pessoais: saco de dormir; toalha (opte por aquela de ultra-absorção, que ao dobrar fica pequena e quase não ocupa espaço); pacote de lenço umedecido (aquele de limpar bumbum de bebê); pente; escova e pasta de dente; rolo de papel higiênico; desodorante; miniespelho; pinça; hidrante; sabonete; xampu e condicionador; protetor solar; óculos de sol; protetor labial.
  • c) Roupas: cachecol; par de luvas (não serve as nossas tradicionais de lã); touca/gorro; boné; calcinha/cueca; top/sutiã; camisetas; calças; segunda pele (braços e pernas); fleece; agasalho corta vento; meias; pijama; biquíni/sunga; blusa impermeável ou capa de chuva.
  • d) Calçados: tênis ou bota de trekking; chinelo.
  • e) Documentos: passaporte; Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia; Cartão de Crédito; Dinheiro (Dólares ou Moeda Local); Carteirinha de Estudante Internacional (se você tiver).

Antes da travessia do Salar de Uyuni – conhecendo a cidade de Uyuni:

A viagem só começaria às 11:00 da manhã e, lembrando, cheguei às 5:00 da madrugada em Uyuni. Portanto, havia um intervalo de 6 horas para esperar na cidade.

O mochilão com as roupas e os utensílios pessoais ficou na agência de turismo, enquanto o grupo se dirigiu ao Nonis Breakfast (que ainda existe) para tomar café da manhã.

Carreguei comigo minha mochila de ataque, onde estava as coisas mais importantes, como passaporte, dinheiro, câmera fotográfica e telefone.

Uyuni é uma pequena cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, situada a cerca de 5km a leste do Salar de Uyuni. As altitudes no município oscilam entre 3600 metros e 4500 metros, mas ainda bem que a cidade é plana.

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Uyuni tem cara de cidade pequena do interior e de fato é. Sua economia depende do turismo. (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

As principais atividades econômicas da cidade são o comércio e o turismo, porém Uyuni já foi um centro ferroviário de comunicação entre ferrovias bolivianas, chilenas e argentinas.

A perda de importância ferroviária aconteceu após a venda da Empresa Nacional de Ferrocarriles para o setor privado, quando os serviços de carga foram suprimidos. No entanto, a ferrovia ainda marca uma forte presença na cidade.

São pontos de destaque na cidade de Uyuni:

  1. Monumento de uma mulher feita com peças de trens (Avenida Ferroviária)
  2. Plaza Arce: Coreto e Torre do Relógio (Reloj Publico ou Reloj Central), fabricado em Hamburgo, na Alemanha, e que começou a funcionar em 20 de abril de 1930.
  3. Avenida Arce: Monumento a Dakar (Rali Dakar, antigo Rali Paris-Dakar), Catedral de Uyuni.
  4. Avenida Arce com Rua Cabrera: feira livre no domingo de manhã.
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A Catedral de Uyuni, localizada na Avenida Arce (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Dia 1 – Cementerio de Trenes – Colchani – Salar de Uyuni – Pueblo Alota:

A viagem começou pelo Cementerio de Trenes (Cemitério de Trens), um dos pontos clássicos e mais instagramáveis da travessia.

Antes de viajar para a Bolívia, eu imaginava que as carcaças dos trens ficavam isoladas, abandonadas em um lugar distante e desértico, apenas povoado por viajantes em busca de fotos legais. Para minha surpresa, o Cemitério de Trens fica na cidade de Uyuni, a 2 km da Avenida Arce.

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Cementerio de Trenes, um dos pontos mais conhecidos da travessia. Fica dentro da cidade de Uyuni (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

O Cemitério de Trens pode ser considerado um grande museu ferroviário ao ar livre, com antigas máquinas, vagões, carcaças enferrujadas, trilhos e peças, que ficam espalhados.

A natureza, sendo implacável ao longo do tempo, já deu os tons avermelhados e marrons ferruginosos.

Essas relíquias históricas dos tempos áureos das ferrovias vão sendo consumidas e deterioradas devido à exposição ao vento, ao Sol, às chuvas e às mudanças de temperatura.

Os trens chegaram em 1899, após a construção da estrada férrea que ligava Uyuni a Anfogasta (no Chile).

Os vagões partiam cheios de minérios – especialmente a prata – para os portos chilenos.

As ferrovias, posteriormente, passaram por um período de decadência e foi-se abandonando o uso dos trens, hoje concentrados no cemitério.

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O Cementerio de Trenes (Cemitério de Trens) é um dos principais pontos da Travessia do Salar de Uyuni. Para quem vai para o Chile, é o primeiro lugar de parada. Para quem vem do Chile e termina a travessia na cidade de Uyuni, é o último ponto (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

O motorista deu apenas 20 minutos para tirar fotos pelas antigas locomotivas, um tempo curto, visto que a área é muito grande. Gostaria de ter ficado mais no Cemitério de Trens, feito mais fotografias legais e explorado mais o ambiente.

A segunda parada aconteceu em Colchani, um pueblo que pertence a Uyuni.Nesse povoado, a parada é estratégica para ir ao banheiro.

Em Colchani há uma pequena feira de artesanato, muito parecida com as do restante do país e o Museu da Lhama e do Sal (Museo de La Llama y La Sal), que o grupo optou por não visitar.

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O Pueblo Colchani, ponto de parada estratégico para o Salar de Uyuni (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Ainda no primeiro dia conheci, na terceira parada, um dos lugares mais esperados de todo o mochilão – o Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, que se encontrava alagado devido às chuvas recentes. Essa impressionante planície branca estava espelhando o céu azul da Bolívia!

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O Salar de Uyuni e seu efeito espelho devido às chuvas. Momento único conhecer o maior deserto de sal do mundo (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

No Salar de Uyuni, o grupo conheceu:

  • O Monumento de Dakar, mais uma homenagem ao Rali Dakar;
  • Hotel Playa Blanca, o primeiro hotel de sal do mundo, hoje desativado, onde aconteceu o almoço;
  • Plaza de Las Banderas, um espaço que rende belas fotos.
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Plaza de Las Banderas, no Salar de Uyuni. Lugar para as fotos mais incríveis! (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • Área de extração de sal.

Depois de visitarmos a área de extração de sal, para a surpresa do grupo, o motorista saiu do Salar.

Perguntamos sobre o pôr do Sol e o hotel de sal e a resposta dele foi que o salar estava alagado e que não dava para ficar num hotel de sal.

Após mais de 2 horas percorrendo ininterruptamente aproximadamente 150 km, chegamos ao povoado de Alota. O grupo dormiu em uma hospedagem simples. Felizmente não passei frio à noite, que era uma das coisas que eu mais temia.

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Alota – um povoado no meio do nada! O último resquício de civilização, ou melhor, de urbanização, antes de chegar até San Pedro de Atacama, no Chile. (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Dia 2 – Alota – Valle de Las Rocas – Vulcão Tomasamil – Lagunas – Arbol de Piedra – Laguna Colorada:

O segundo dia de viagem começou às 08:30 h, saindo de Alota após o café da manhã.

Posso dar o spoiler de que esse foi um dia recheado das mais belíssimas paisagens andinas, com muitos flamingos, lagunas de águas coloridas e formações rochosas de formatos extraordinários!

A primeira parada aconteceu no Valle de Las Rocas (Vale das Rochas), um campo de pedras avermelhadas, dispostas em seus mais diversos formatos.

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O Valle de Las Rocas, um lugar surpreendente da travessia do Salar de Uyuni (foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

A vegetação, com o seu porte pequeno, dava os indícios de que a viagem adentrava uma área com poucas chuvas.

Fiquei muito surpresa com a indescritível paisagem, que incluía vários picos nevados da cordilheira.

O grande destaque do Valle de Las Rocas é a Piedra del Condor (Pedra do Condor), que realmente lembra uma ave de asas abertas.

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A Piedra del Condor, rocha em formato de uma ave pronta para iniciar o seu voo. Realmente remete ao condor andino (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

O segundo ponto de destaque do dia foi o mirante para o Vulcão Tomasamil, com altitude de 5890 metros acima do nível do mar. Esse vulcão tem um formato clássico de cone.

Do mesmo mirante avistava-se outro pico, o Cerro Ollagüe, vulcão ativo que fica na fronteira entre Bolívia e Chile, apresentando alta atividade de fumarolas.

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O vulcão Tomasamil e lá no fundo da foto, o Vulcão Ollagüe (fronteira entre Bolívia e Chile) (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Olhando a foto, a impressão é de que eu estava bem próxima do Vulcão Tomasamil. Mas na verdade, ele estava longe. A sensação é dada pela imponência da montanha.

Após essa parada no mirante começou uma sequência de lindas lagunas salgadas, sendo a primeira delas a Laguna Cañapa.

Seu espelho d’água reflete perfeitamente as montanhas que a cercam!

A Laguna Cañapa tem como visitantes os mais lindos flamingos, aves bastante comuns na região andina, e que aproveitam as lagunas salgadas para se alimentarem.

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Laguna Canãpa – o espelho d’água reflete as montanhas da Cordilheira dos Andes (foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

A próxima laguna em que o grupo parou foi a Laguna Hedionda, que tem algumas construções humanas abandonadas e novamente, presença de muitos flamingos.

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A Laguna Hedionda, mais um ponto de parada que espelha o céu da Cordilheira dos Andes (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).
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Flamingos na Laguna Hedionda. É comum avistar os flamingos se alimentando em lagunas salgadas (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

A cada quilômetro avançado, a sensação era de estar cada vez mais solitária e distante do contato com o mundo. Ao mesmo tempo, havia a sensação da liberdade e o prazer de conhecer tantas paisagens diferentes e bonitas.

O azul turquesa da Laguna Honda foi o cenário esplendoroso para o almoço. Era apenas o sossego da natureza e zero preocupações. Para o almoço ficar melhor, só faltava a comida estar quente e o refrigerante frio!

No lugar onde o grupo parou para almoçar, havia uma grande formação rochosa, que foi usada como mirante para fazer várias fotos da laguna.

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Laguna Honda – essa vista do almoço não tem nada no mundo que pague! (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Na sexta parada o grupo chegou ao território da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Alvaroa.

E pude conhecer um lugar que aparece constantemente em vários livros de Geografia quando o assunto é erosão eólica, ou seja, erosão provocada pelo vento – é a famosa formação rochosa conhecida como El Arbol de Piedra (Árvore de Pedra), com 5 metros de altura.

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El Arbol de Piedra (Árvore de Pedra), uma das formações rochosas mais famosas dos livros didáticos de Geografia. Essa formação rochosa é realmente emblemática! Vê-la de perto foi uma das partes mais incríveis dessa travessia (foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

El Arbol de Piedra é uma das formações rochosas do Deserto del Siloti, uma planície desértica constantemente varrida pelo vento.

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Outras formações rochosas do Deserto del Siloti (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

As formas presentes no local são o resultado do atrito dos grãos de areia levados pelo vento, que batem nas rochas e vão provocando o desgaste. É como se a areia “machucasse” grandes blocos.

Nesse lugar realmente venta com muita força, levantando grãos de areia grandes. A areia bate na pele das mãos e do rosto, dando a sensação de estar tomando uma chicotada. Além disso, é muito frio!

A última parada do dia foi na Laguna Colorada, também pertencente à Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Alvaroa. No entanto, o acesso necessita de um ingresso (pago à parte, não incluído no pacote da travessia do Salar de Uyuni).

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A vista sensacional da Laguna Colorada, na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Alvaroa (foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

A Laguna Colorada é um verdadeiro espetáculo da natureza! Eu não imaginava que encontraria um lugar tão maravilhoso como esse, que para mim se tornou um dos meus prediletos ao final do mochilão.

A lagoa é salgada e fica a uma altitude de 4.578 metros, com um entorno bem plano, o que facilitou a caminhada pela trilha demarcada próximo à suas margens.

As cores da Laguna, que variam do vermelho ao azul, são dadas pela presença de algas microscópicas da espécie Dulanielia Salina.

As cores do restante da paisagem, com o céu muito azul, as montanhas marrons, o gramado verde e amarelo parecem complementar o cenário, formando uma paisagem mágica! A natureza foi a grande autora desse quadro de valor inestimável.

Além da beleza visual, havia as centenas de flamingos, que pude ver bem de perto.

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A vista da Laguna Colorada é apaixonante! Como não ficar admirada com uma paisagem tão maravilhosa? (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Segundo o site da Reserva Nacional, a Laguna Colorada tem de 60 a 80 cm de profundidade, ocupando uma área ocupada de 60 km².

Meu conselho é se agasalhar muito bem antes de sair para fazer a trilha da Laguna, pois o local é muito frio.

O grupo jantou e dormiu no alojamento coletivo que fica em frente à Laguna Colorada, o que atendeu às necessidades de todos.

Porém, não havia duchas no alojamento. O jeito foi “tomar banho” de lenços umedecidos. Como durante o dia o passeio não exigiu esforços físicos e caminhadas, ficar sem tomar banho não foi um grande problema.

Apesar da ausência de água para um banho quente, os banheiros do alojamento funcionavam perfeitamente.

O grupo foi dormir cedo, afinal, o último dia da travessia do Salar de Uyuni iria começar antes do amanhecer.

Dia 3 – Gêiseres Sol de Mañana – Águas Termales de Polques – Laguna Verde:

O terceiro e último dia de travessia do Salar de Uyuni começou com a saída às 5:00 h da manhã do alojamento da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Alvaroa.

O destino eram os Gêiseres Sol de Mañana (Sol do Amanhã), ainda dentro da Reserva Nacional, a 5.000 metros de altitude, ocupando uma área de aproximadamente 2 km².

Ao amanhecer, com as temperaturas externas muito baixas, as atividades dos gêiseres ficam mais intensas.

As crateras de águas borbulhantes lançam fumarolas cheirando a enxofre (ovo podre), gás muito comum em áreas vulcânicas.

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O amanhecer foi diferente no último dia da travessia do Salar de Uyuni – conhecendo os gêiseres Sol de Mañana. Será que estava frio? (foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Na época, os campos geotérmicos não tinham proteções para a caminhada e acredito que ainda continue a ser dessa forma. É para dar mais emoção!

Para mim foi um passeio muito interessante, pois foi a primeira vez que visitei um campo geotérmico e vi gêiseres em atividade.

Foi nos gêiseres Sol de Mañana que o grupo viu o nascer do Sol, o prenúncio de mais um dia de muitas surpresas na viagem.

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Conhecer um campo geotérmico é um passeio totalmente diferente de qualquer coisa que temos no Brasil (foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

A penúltima parada foram as Águas Termales de Polques, uma piscina termal de temperaturas entre 30 e 35°C, bastante agradáveis para uma manhã muito gelada nas montanhas andinas. Optei por permanecer com minhas roupas quentinhas.

A travessia do Salar de Uyuni se encerrou na Laguna Verde, mais uma laguna salgada de 17 km², situada aos pés do Vulcão Licancabur, na fronteira entre Bolívia e Chile.

As tonalidades, dignas de pedra preciosa, são fruto da presença de minerais, principalmente Arsênico e Cobre.

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A Laguna Verde marca o final da travessia do Salar de Uyuni em direção ao Chile. Enfim, a fronteira! (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

E com o emblemático Vulcão Licancabur de cenário termina a travessia do Salar de Uyuni, com três dias, duas noites, 398 km percorridos por asfalto e terra e inúmeras paisagens apaixonantes do altiplano boliviano.

Posto de Fronteira Bolívia – Chile:

O veículo 4X4 nos levou até o posto de fronteira da Bolívia, onde a van da empresa Paloma Tours já esperava o grupo para ir a San Pedro de Atacama.

O motorista da van pediu os nossos passaportes e ainda 15 Bolivianos para “agilizar” o processo de saída da Bolívia.

No Posto de Fronteira de Hito Cajón, no Chile, as revistas de bagagem são rigorosas. O Chile é um país livre de pragas, então, o controle de fiscalização com produtos de origem vegetal e animal não declarados é bastante rígido.

Da aduana do Chile, o grupo seguiu para San Pedro de Atacama, onde o mochilão prosseguiu pelas paisagens surrealistas do Deserto do Atacama.

***

Depois desse relato de lindas paisagens remotas, você viajaria para a Bolívia, esse nosso vizinho tão próximo e ao mesmo tempo tão diferente de nós?

As paisagens bolivianas são de encher os olhos. Os amantes da natureza precisam conhecer esses lugares, ainda inóspitos, distantes, quase intocados e que conservam a beleza natural.

Imagine iniciar almoçar em um antigo hotel de sal ou de frente para uma lagoa de águas cor de esmeralda. Terminar seu dia em uma pintura da natureza e ver o amanhecer em gêiseres. Parece um sonho, não é mesmo? Mas é real! E se você pode, por que não viver esses momentos inesquecíveis?

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