Era 26 de dezembro de 2.014 quando decidi sair do marasmo e começar a fazer caminhadas. Três dias depois corri meus primeiros 5 minutos em uma esteira. Começava um caminho sem volta: a corrida de rua. Será que um dia eu seria capaz de participar de uma Corrida Internacional de São Silvestre?
Sim, eu fui capaz e essa se tornou minha corrida de rua favorita!

Minha história com as corridas:
No ano de 2.015, fiz minha primeira corrida de rua na cidade de São Paulo: 5 km na etapa de outono do Circuito das Estações.
O ano seguinte foi marcado por uma dengue e uma crise depressiva, e fiquei “fora dos eixos”.
Passei por um período de tratamento psiquiátrico e de uso de medicamentos e me senti novamente disposta a correr mais ou menos na metade de 2.017.
O início do trabalho no IBGE, na cidade de São Paulo, alterou minha rotina de treinos. Ainda assim, comecei a buscar quilometragens um pouco maiores, às quais não estava habituada.
No início de 2.019, passei a treinar com mais de frequência e os 10 km vieram de forma lenta e gradual.
A experiência em corridas de aventura, também em 2.019, mostrou que o momento para realizar o sonho de ir para a São Silvestre finalmente havia chegado.
Continuei meus treinos de forma regrada e em dezembro de 2.019 fiz a minha primeira Corrida Internacional de São Silvestre.
A etapa de 2.020 também estava nos planos, porém a pandemia mudou as perspectivas.
Em 2.021, morando novamente no interior e com um trabalho exaustivo como professora (foi meu primeiro ano na área da educação) fiz a São Silvestre junto com meus pais, caminhando os 15 km.

No ano de 2.022, treinando com o auxílio da Edu Mariano Assessoria Esportiva (Itápolis – SP), me inscrevi novamente na São Silvestre. Corri cerca de 13 km e tive um desempenho acima do que estava previsto.
Em 2.023, faltando 15 dias para a corrida – seria a quarta vez – sofri uma inflamação no nervo ciático que me deixou por mais de um ano parada.
Passei 2.024 realizando sessões de fisioterapia no Instituto Tratalus (Pradópolis-SP). Paralelamente, tive um ano exaustivo de trabalho com muitas mudanças e não consegui conciliar com fortalecimento muscular.
No ano de 2.025, novamente com Assessoria Esportiva e com treinos na Top Fit Academia (Itápolis-SP), voltei às corridas de rua.
Atualmente, eu faço distâncias curtas e não tenho treinado com uma regularidade impecável.
A Corrida Internacional de São Silvestre:
A Corrida Internacional de São Silvestre é a principal prova de rua da América do Sul e a corrida de rua mais conhecida dos brasileiros.
Esta prova acontece no dia 31 de Dezembro pelas ruas de São Paulo, data em que se comemora o Dia de São Silvestre.
Nem a Revolução de 1.932, nem a 2ª Guerra Mundial provocaram a suspensão de uma edição de São Silvestre.
Em 100 anos de história, a prova somente não aconteceu no último dia do ano de 2.020 devido às medidas sanitárias emergenciais provocadas pela Covid-19.
A organização é feita pela Fundação Cásper Líbero e pela Gazeta Esportiva e, por este motivo, a largada e a chegada ocorrem na Avenida Paulista.
São Silvestre é maratona? Quantos quilômetros tem a Corrida de São Silvestre?
A Corrida de São Silvestre não é uma maratona, mas uma prova de rua 6 km mais curta que uma meia maratona.
Com uma distância total de 15 km, o percurso passa pelos principais pontos turísticos de São Paulo.

14 curiosidades sobre a São Silvestre:
1) A São Silvestre é uma idealização do jornalista Cásper Líbero, que se inspirou em uma prova noturna da França, onde os participantes faziam o percurso carregando tochas para iluminar o percurso.
2) Em 1.925 aconteceu a primeira edição e apenas 48 homens participaram.
3) Nas primeiras edições, a São Silvestre tinha um percurso de 8 km.
4) Antigamente, para participar da São Silvestre, ocorriam seletivas nacionais. Em 1.958, uma etapa eliminatória aconteceu em Brasília, sendo a primeira prova de corrida de rua realizada na nova capital do Brasil.
5) Somente após 39 anos de prova, em 1.964, houve a primeira participação de atletas indígenas na prova.
6) As mulheres foram autorizadas a participar da corrida de São Silvestre somente a partir do ano de 1.975.
7) No ano de 1.989, a corrida deixou de ser noturna e passou a ser vespertina, com largada às 15h15 para a elite feminina, e às 17h00 para a elite masculina e o público geral.
8) O percurso passou para 15 km no ano de 1.991 para integrar o calendário da IAAF – Associação Internacional das Federações de Atletismo.
9) A portuguesa Rosa Mota é a pessoa com o maior número de títulos individuais em edições da Corrida de São Silvestre, sendo hexacampeã da prova e vencendo todas as etapas entre 1.981 e 1.986.
10) O queniano Paul Tergat é o homem que mais venceu a São Silvestre, levando os prêmios principais em 1.995, 1.996, 1.998, 1.999 e 2.000.
11) Marilson Gomes dos Santos é o único brasileiro a ter um tricampeonato de São Silvestre (2.003, 2.005 e 2.010).
12) Desde o ano de 2.012, a corrida passou a ser matutina.
13) No ano de 2.023, cerca de 35 mil pessoas participaram da prova.

14) A última quebra de recorde da prova masculina aconteceu em 2.019 em uma chegada emocionante e surpreendente, quando o queniano Kibiwot Kandie finalizou a prova em 42 minutos e 59 segundos.
Quanto custa uma inscrição na Corrida Internacional de São Silvestre?
Participar de uma Corrida Internacional de São Silvestre não é barato!
No ano de 2.025, a inscrição do kit geral básico custou R$319,90, um luxo que nem todo brasileiro tem condição de desembolsar.
Se pensarmos em toda a estrutura que a São Silvestre demanda, é um preço justo. Se não houvesse a grande quantidade de patrocinadores, provavelmente as inscrições seriam muito mais caras.
Muitas ações são realizadas para evitar fraudes com os números de peito e diminuir a participação da “pipoca” (aqueles que correm sem pagar).
Como é participar da Corrida Internacional de São Silvestre? Uma experiência única!
Toda prova de rua tem um sabor especial e gera uma expectativa boa, entretanto, nada se compara com a sensação que antecede a uma Corrida Internacional de São Silvestre!
Desde a espera pela largada já sentimos uma energia diferente pairando no ar: pessoas sorridentes, famílias animadas, casais se preparando para correrem juntos, grupos de amigos se encontrando, pessoas fantasiadas…
Essa sensação empolgante é é vista em cada sorriso e em cada abraço matinal. Parece que todo mundo está emanando uma positividade muito intensa!
As primeiras selfies, filmagens e ligações do dia são feitas na área de largada, com muito entusiasmo! Nem parece que todos madrugaram na véspera do Ano Novo para dar um “rolê” a pé de 15 km.
Quanto mais próximo do horário da largada, maior a ansiedade e mais o coração fica acelerado.
Na minha primeira São Silvestre, fiquei preocupada com o percurso, em ter energia corporal suficiente para concluir a prova e com a possibilidade de não encontrar água nos postos (como aconteceu em anos anteriores com atletas inscritos).
Nos anos seguintes, as preocupações foram com o uso da máscara, devido à pandemia da Covid (2.021) e com a previsão do tempo (2.022).
Mesmo com as divisões de pelotões estabelecidas por pace, no final das contas todos se misturam num caldeirão de números de todas as cores para passar pelo cronômetro.
Milhares de pessoas precisam chegar ao cronômetro, um processo que é lento e demora cerca de 20 minutos.
O tempo máximo para largar é de 40 minutos e o tempo líquido para realizar a prova é de 2 horas e 30 minutos, contando o início da prova, quando os competidores da elite masculina já saíram.
Com todos os cálculos, no total, uma pessoa tem um total de 3 horas e 10 minutos para fazer o percurso, que sempre começa às 08h05 da manhã para o pelotão geral e pode ser concluído até às 11h15 da manhã.
Após esse período de pouco mais de 3 horas, os equipamentos são desabilitados e os serviços são desativados na área de chegada, em frente à Fundação Cásper Líbero e TV Gazeta.
Os primeiros metros da São Silvestre são embalados pela música do filme Carruagens de Fogo (Chariots of Fire, 1.981).
Até quase sairmos da Avenida Paulista, torna-se difícil começar a dar os primeiros trotes, pois é muita gente correndo junto. Está todo mundo ainda muito embolado!
O começo da prova é marcado por animação e empolgação, e também pelo primeiro instante de energia e magia da prova com o público: olhar para cima e ver o pontilhão lotado de espectadores batendo palmas, incentivando os atletas, acenando para quem passa correndo. É um momento único e emocionante da prova e dá até para sentir um nó na garganta.

O trecho na Avenida Dr. Arnaldo é curto e logo emenda na descida avassaladora da Rua Major Natanael, margeando o Cemitério do Araçá. Quem desce essa rua muito embalado, aproveitando a força da gravidade, pode sofrer a primeira “quebra” na prova no Estádio do Pacaembu.
A São Silvestre é, necessariamente, uma prova de muitas perdas de velocidade, tanto pela quantidade de participantes quanto pelos desníveis altimétricos, ou seja, as subidas e as descidas.
O calor também é um fator desgastante e existem poucas áreas com sombra durante todo o trajeto.
Se a preocupação é querer correr o percurso todo, melhorar o pace ou bater metas individuais, esta não é a prova mais indicada, já que há muitos momentos de desaceleração.
Acho que um dos pontos mais interessantes dessa prova é que você nunca se sente sozinho (a). É muita gente ao redor e com uma alegria expressa no rosto.
Do começo ao fim, essa energia positiva pairando no ar dá forças para seguir em frente e contar a quilometragem na regressiva também auxilia mentalmente.
Mesmo nos momentos em que o Sol literalmente rachava o coco e o calor intenso subia do asfalto, me apoiei na energia dos participantes e principalmente naqueles rostos iluminados de felicidade que ficavam nas calçadas aplaudindo, incentivando, e parabenizando aquele bando de desconhecidos de todas as partes do Brasil por estarem ali se sujeitando a todo aquele esforço físico.
A altura do Memorial da América Latina e da Avenida Rio Branco é, para mim, o trecho mais desgastante e calorento da São Silvestre, mas também uma das melhores partes da corrida para interagir com os espectadores.
O povo na calçada fica com as mãos estendidas para que os participantes passem batendo as suas mãos. Bati nas mãos de muita gente que eu nem imagino quem seja, pois aquilo me dava um novo gás, uma regeneração no ânimo e um incentivo para seguir em frente e fazer bonito.

Nas áreas onde havia alguma inclinação, principalmente nas subidas, eu olhava para frente e via um mar de camisetas e em seguida, eu olhava para trás e via esse mesmo mar de pessoas. Coisa única para se apreciar em uma corrida de rua e uma cena muito bonita de se guardar na memória, pois para mim aquilo foi a representação física da busca de um objetivo pessoal, de cumprir uma meta, de sentir as pessoas caminhando para uma mesma direção que proporcionaria ao final uma satisfação positiva.
Costurar pelo Centro Histórico de São Paulo é uma das partes mais bonitas da Corrida de São Silvestre, e eu particularmente adoro o centro da cidade pela sua arquitetura antiga e seus monumentos.
Mas não podemos nos enganar: esse trecho é cheio de subidas e descidas bastante sutis, que são capazes de causar cansaço e queda de energia corporal se não controlamos a intensidade da corrida ou da caminhada.
Em 2.019, faltando mais ou menos 3,5 km para o final, bem em frente ao Theatro Municipal, senti que minha pressão ia cair e antes que isso realmente acontecesse, entrei em um restaurante e pedi um sachê de sal. O atendente disse que não tinha o sachê, mas que no fundo do estabelecimento eu encontraria os saleiros.
Derramei sal na mão, passei a língua na palma toda salgada, senti meu corpo reagir e continuei naquela busca para terminar a São Silvestre.
Em 2.022, já um pouco mais afrente do Theatro Municipal, faltando um pouco menos de 3 km para o final, foi o momento em que eu comecei a caminhar, após mais de 12 km correndo em um ritmo constante e agradável. Senti meu estômago muito vazio, praticamente um buraco na barriga. Conhecendo meu corpo como conheço, achei melhor reduzir o passo e economizar a energia restante.

A temida subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio gera uma certa ansiedade, justamente porque você sabe que passando por aquela “provação”, vem o final da prova.
Quanto mais próximo da Avenida, mais o povo se anima! É muito comum escutar frases do tipo: “Vem Brigadeiro”, “Vou te vencer”, “Chegou a Brigadeiro”, “Olha a Brigadeiro” e até “Chupa Brigadeiro”. Pareciam gritos de guerra e novamente veio com mais intensidade aquela vibração positiva no ar.
No final das contas, subir a Avenida Brigadeiro Luís Antônio não é, na minha opinião, a pior parte da prova, nem a mais difícil, nem a mais terrível. A subida é, de fato, longa, com seus 2 km de extensão, mas não é tão inclinada como eu imaginei nos meus pensamentos.

Um pouco depois da metade da Avenida Brigadeiro, vai aparecer a placa do quilômetro final da São Silvestre, e o corpo reage instantaneamente a isso! É o momento da contagem regressiva, um dígito, apenas 1 km para realizar aquele seu antigo sonho!
Dali para frente é a correria para virar a Avenida Paulista num gás e energia finais que surgem não sei de onde, que fazem o seu coração vibrar com mais intensidade, por estar finalmente naquela rua depois de tantos passos dados.
Cruzar a linha de chegada e escutar o “bip” do chip é das sensações mais prazerosas que já senti. No Sol, na chuva… Todas as três vezes foram emocionantes!
No dia da prova de 2.019 me lembro de ter escrito que o impossível era apenas uma questão de tempo. E assim foi por três vezes… a satisfação de ter cumprido o êxito pessoal é muito maior que todo o cansaço e as dores musculares que senti no restante do dia.
Foram dias em que eu mais senti felicidade por ter alcançado um objetivo tão almejado!

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Eu ainda não sei quando voltarei a uma Corrida de São Silvestre. A vontade é grande, e talvez eu me aventure novamente pelas ruas de São Paulo.
E você, tem o sonho de correr uma São Silvestre ou já correu em alguma edição?
A corrida de rua é um esporte transformador, no qual você passa a entender melhor sua mente, seu corpo e seus limites.
Espero que este texto sobre a Corrida de São Silvestre sirva como um incentivo não apenas para que você faça uma São Silvestre, mas que também conheça a corrida de rua ou que se inspire a praticar outros esportes.
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Texto atualizado em 30 de junho de 2026.
