Arequipa é uma cidade histórica peruana, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO desde 02/12/2.000. Inicialmente, era uma cidade não prevista para fazer parte do mochilão, mas nas pesquisas prévias havia tantos relatos positivos que acabou incluída no roteiro. A cidade causa amor à primeira vista!

Informações Gerais sobre Arequipa
- Capital da Província de Arequipa;
- Região sul do Peru;
- População: mais de 840.000 mil habitantes;
- Segunda maior cidade do país (perde somente em habitantes para Lima);
- Segunda cidade mais importante economicamente no Peru (Fonte: Site CuscoPeru.com).

Origem do nome Arequipa
- “Ari qepay”, no idioma quéchua significa “Sim, fiquem” (Fonte: PeruTravel). Segundo uma lenda Inca, durante uma expedição no período do Império, o grupo que se deslocava considerou o lugar tão bonito que pediu para ficar ali e receberam como resposta “Ari qepay” do seu líder.
- “Ariq qipa”, em aimará, quer dizer “detrás do pico” (Fonte: PeruTravel) (indicaria que o local está atrás do Vulcão Misti).
História e características de Arequipa
- Fundação de Arequipa: 15/08/1540 (485 anos );
- Conjunto arquitetônico: combinação do estilo europeu com aspectos indígenas; edificações construídas com pedras vulcânicas brancas ou rosadas – chamadas de sillar;
- Sillar: rocha proveniente dos arredores do Vulcão Chachani.
- Arequipa é conhecida como “Ciudad Blanca”;
- Altitude: 2.348 metros acima do nível do mar;
- Vulcões: Misti (5.825 metros); Chachani (6.075 metros); Pichu Pichu (5.669 metros);
- Melhor época para visitar a cidade: entre os meses de abril e dezembro, que caracteriza a estação seca; o melhor mês é setembro, quando o tempo está mais seco e o céu é mais claro.
- Abalos sísmicos: podem acontecer terremotos de baixa magnitude, devido à sua localização geográfica de Areqipa. O último terremoto de maior expressão ocorreu em 2024, com magnitudes entre 4 a 4,6 na Escala Richter (Fonte: CNN Brasil). Nos dias em que estive em Arequipa não senti nenhum tremor de terra e os edifícios são sinalizados com placas de “Zona Segura para Sismo”.
O que conhecer em Arequipa?
Arequipa tem um charmoso Centro Histórico tombado e preservado, com belos casarões de estilo colonial. Além disso, quem se hospeda na Ciudad Blanca tem como destino as paisagens impressionantes do Cânion do Rio Colca. Em uma passagem rápida pela cidade, com 2 ou 3 dias, como foi no meu mochilão, é possível conhecer:
Plaza de Armas (ou Plaza Mayor) e Basílica Catedral de Arequipa
A imponente Plaza de Armas (ou Plaza Mayor) é o ponto alto do Centro Histórico de Arequipa, o coração da cidade onde o apelido de Ciudad Blanca se materializa. Foi o local onde ocorreu a fundação de Arequipa, há quase 500 anos e seu estilo lembra as plazas mayores que encontramos na Espanha.

O principal destaque na Plaza de Armas está no seu setor norte, com a fachada monumental da Basílica Catedral de Arequipa e suas torres, que são vistas de várias partes do Centro Histórico. O restante da praça se caracteriza pelos sobrados de sillar e seus inúmeros arcos (portais) de estilo neorrenascentista.

Ao sul está o Portal de La Municipalidad, ao leste temos o Portal de Flores e ao oeste está o Portal de Augustín.

A Basílica Catedral de Arequipa foi construída no Séc. XIX. Duas igrejas existiram ali anteriormente, porém foram destruídas por terremotos. A primeira igreja foi construída em 1.544, 4 anos após a fundação da cidade. Já o atual templo teve sua construção iniciada em 1.848 e foi afetado por um tremor de terra em 1.868 (Fonte: Museo de La Catedral de Arequipa).
MUSA: Museo Santuarios Andinos
Quando falamos sobre o Peru, é impossível não pensar no Império Inca. O Museo Santuários Andinos – MUSA, criado em 1.979 e mantido pela Universidad Católica Santa Maria, é um desses lugares que se dedicam à divulgação e ao estudo da riquíssima Cultura Inca.
O MUSA se destaca por abrigar as “múmias” de Juanita e Sarita, duas meninas que foram sacrificadas em rituais incas há cerca de 500 anos. Vou falar sobre elas mais abaixo.
Conhecer o MUSA é um passeio essencial para quem se interessa pela história do Império Inca. A visita guiada (em espanhol) faz-se necessária para entender o contexto cultural e o valor simbólico dos objetos pertencentes ao acervo do museu.

A visita guiada começa no Auditório, onde os visitantes assistem a um filme sobre uma cerimônia Inca denominada “La Cápac Cocha” (ou Cerimônia das Águas), que era realizada nos cumes das montanhas em ciclos de cada 4 ou 7 anos.
Este ritual também acontecia devido a algum evento natural de grande magnitude – como erupções vulcânicas e terremotos – ou eventos climáticos extremos – como secas prolongadas e inundações. Tais manifestações da natureza eram consideradas pelo povo como a fúria dos deuses.
Os Incas tinham uma religião politeísta e acreditavam que os deuses se manifestavam na forma dos eventos naturais (raios, terremotos, trovões, Lua, Sol, entre outros). Estas cerimônias tinham como objetivo acalmar e agradar os deuses e isso era feito através do oferecimento de objetos (cerâmicas, madeiras, tecidos), bebidas, alimentos, animais e… seres humanos.
Saber que seres humanos, em especial as crianças, eram sacrificadas para apaziguar os deuses é um choque nos dias atuais. Porém, naquela época (+/- Sécs. XIV/XV), ter uma criança escolhida para ser oferecida em uma cerimônia deste tipo era considerado uma dádiva. Significava que esta criança era um ser muito especial.
Para a realização desses rituais, um grupo de pessoas saía de Cuzco (capital do Império Inca) e caminhava por meses até atingir os picos altos das montanhas. Antes dos sacrifícios, as crianças eram embriagadas com chicha (bebida alcoólica feita à base de milho) e inebriadas com plantas alucinógenas, provavelmente para que não sentissem dor na hora do sacrifício.
A partir da década de 1.980, pesquisas antropológicas encontraram corpos de crianças preservados nos altos das montanhas, o que abriu precedentes para entender de maneira mais aprofundada a cultura andina nos tempos do Império Inca.
O MUSA conserva duas crianças encontradas no alto das montanhas – Juanita e Sarita. Apesar de serem chamadas de “múmias”, seus corpos estão conservados pelas baixíssimas temperaturas no alto das montanhas e não por processos de preservação do corpo feitos pelos povos andinos do período. Portanto, não podemos dizer que as meninas são realmente múmias.
Juanita, “la niña de los hielos” (a menina dos gelos), foi encontrada em 1.995 no Nevado Ampato (arredores de Arequipa), em investigações arqueológicas realizadas pelo Dr. Johan Reinhard, juntamente com o andinista Miguel Zárate. O sacrifício de Juanita aconteceu há mais de 500 anos, tendo ocorrido provavelmente entre os anos de 1.440 e 1.450.
Já a menina Sarita foi descoberta no ano seguinte (1.996), também pelo Dr. Reinhard, no Nevado Sara Sara, em Ayacucho (Peru). O nome dado à garota foi uma homenagem ao lugar onde seu corpo foi encontrado.

Após o vídeo, o tour seguiu pelas salas de cerâmicas e de orgânicos, onde a guia explicou que estes materiais faziam parte da cerimônia inca. Já na sala dos têxteis, o destaque é o cinto de tecido de Juanita, que está tão bem preservado, que parece ser uma peça nova.
Na sala dos metais, há miniaturas de lhamas, deuses, broches e joias. Mais uma vez, uma peça encontrada na roupa de Juanita é o destaque – o broche que prendia a roupa da menina é grande, indicando que sua família tinha muita riqueza e poder.
A sala de bioarqueologia é o auge da visita, pois é nesta parte do MUSA onde Juanita (ou Sarita) ficam em exposição.
Como destaquei mais acima, Juanita e Sarita ficaram conservadas pelas baixas temperaturas das montanhas, o que permitiu preservação de seus órgãos internos. Através de pesquisas da Universidade, foi possível descobrir o que elas comeram em sua última refeição.
Juanita ainda era uma criança (13/14 anos) quando foi sacrificada, provavelmente com um golpe no crânio. Outra evidência sobre ela ainda ser criança é o fato de ter sido colocada na tumba em posição fetal.
Os estudos realizados no corpo de Juanita apontam que ela tem altura de aproximadamente 1,50 metros, dentição perfeita, ossos fortes, tinha boa alimentação e nenhuma enfermidade. Para manter a conservação e evitar a desidratação de seu corpo, Juanita fica em uma caixa de vidro a vácuo com temperatura regulada a -19°C.
Já Sarita tinha cerca de 15/16 anos e foi encontrada sentada com as pernas cruzadas. Essa posição, na cultura inca, é um indicador da fertilidade.
Quando fui ao Museo Santuarios Andinos, Sarita estava em exposição. Assim como Juanita, ela está disposta em uma caixa de vidro com temperatura regulada e congelada na posição em que foi encontrada.
As roupas de Sarita estão incrivelmente preservadas e vendo a adolescente de costas, consegue-se para ver seus cabelos longos.
Se você quiser ver a Juanita, seu corpo congelado fica em exposição entre 1º de maio e 31 de dezembro. Entre 1º de janeiro e 30 de abril é a vez de Sarita ficar exposta.

- Endereço: Calle La Merced, nº 110 (próximo à Plaza de Armas).
- Horário: de segunda-feira a sábado das 9h00 às 18h00, domingo das 9h00 às 14h00.
- Preço para estrangeiros: $25 soles (adulto) / $13 soles (estudante)
Free Walk Tour por Arequipa
Como a passagem por Arequipa era rápida, um Free Walk Tour foi uma maneira de conhecer um pouco mais sobre a cidade, explorando algumas partes que certamente eu e meu grupo não visitaríamos sem um guia local.
Como não sei se esse walking tour ainda existe, vou narrar os lugares visitados.
- Duração: +/- 3 a 4 horas.
- Ruas percorridas: Calle Ugarte c/ Calle Santa Catalina (início) → Calle San Francisco → Calle Zela → Pasaje del Monaguillo → Calle Puente Grau → Calle Tejada → Pasaje Desaguadero → Plaza Campo Redondo → Pasaje Bayoneta → Av. Juan de La Torre → Calle Santa Catalina → Calle Moral → Calle Bolívar → Calle San Augustín → Calle El Solar → Tambo El Matadero → Calle Puente Bolognese → Plaza de Armas → Calle Álvares Thomas → Plaza de Armas (final).
- Dicionário Espanhol-Português: Calle (Rua), Plaza (Praça), Pasaje (Passagem/Viela), Capilla (Capela), Iglesia (Igreja), Museo (Museu), Barrio (Bairro).
O guia conduziu o grupo pela Calle Ugarte em direção à Calle San Francisco. Viramos à esquerda na Calle Zela e chegamos na Plaza San Francisco, onde fica o Complexo San Francisco (Iglesia de San Francisco e Convento), construído em 1.552 com sillar.

Na Plaza San Francisco fica o Museo Histórico Municipal Guillermo Zegarra Meneses, voltado para a preservação cultural da cidade, porém estava fechado por ser domingo.

Saindo da praça, o grupo seguiu pela Pasaje del Monaguillo (na entrada há um arco escrito “Artesania”) para chegar Calle Puente Grau, já no Barrio San Lazaro, o bairro mais antigo de Arequipa.
Nosso guia nos levou por uma rua muito estreita, chamada Tejada, e em seguida entramos na Pasaje Desaguadero. O Barrio San Lazaro tem as características de arquitetura colonial muito bem preservadas, com edificações revestidas de sillar. As cores claras das paredes se destacam bastante, um verdadeiro encanto e uma viagem no tempo.

A Pasaje Desaguadero termina na Plaza Campo Redondo, onde várias ruas se encontram. A partir dali, ingressamos em uma viela ainda mais escondida, chamada Bayoneta. Quanto mais adentramos as ruas apertadas do bairro, mais imersos na arquitetura colonial ficamos.

A Pasaje Bayoneta acaba na Av. Juan de La Torre, em frente à loja Mundo Alpaca. Apesar de ser uma loja de alto padrão, é frequentada por turistas dos mais variados padrões econômicos, já que lá também funciona o Museo Textil Precolombino Amano Michell.
A loja procura mostrar as tradições da fabricação têxtil no Peru. Em seu interior, há um painel com as 32 tonalidades naturais existentes de lã de alpaca (que variam do branco ao preto, passando por marrons e cinzas).
Havia também um grupo de mulheres, vestidas com roupas tradicionais, que faziam peças de tecido usando teares manuais.
A Mundo Alpaca também conta com uma pequena criação de animais – lhamas e alpacas – camelídeos andinos domesticados.

***
Veja mais sobre os fascinantes animais andinos clicando aqui.
***
Saindo da Mundo Alpaca, atravessamos a Av. Juan de La Torre e caminhamos pela Calle Santa Catalina, passando por diversos casarios históricos e pelo Monasterio de Santa Catalina de Siena, fundado em 1.579. Todo o complexo de Santa Catalina tem 20 mil m² de área construída e é aberto ao público para visitações. Mais informações podem ser encontradas no site oficial do Complexo de Santa Catalina clicando aqui.

Viramos Calle Moral e paramos na esquina com a Calle Bolivar, onde observamos a fachada de um casarão histórico típico de Arequipa, com uma grande porta na calçada, pátio interno, paredes grossas e tetos abobadados. Este padrão nas edificações, bastante visto no Centro Histórico, é mais resistente aos terremotos.

No final da Calle Bolívar está a Iglesia de San Augustín, que tem estilos muito diferentes de construções do templo e de sua torre sineira. A explicação para essa diferenciação marcante é que a torre original colapsou após um terremoto e outra foi construída em seu lugar.

Seguimos pela Calle San Augustín em sentido oposto à Plaza de Armas e por um portão acessamos a Calle Del Solar, que fica no Barrio Del Solar. Esta via estreita tem uma igrejinha chamada Capilla del Solar, de 1.870, com uma típica cruz peruana em sua fachada.

Dentro do bairro, o guia nos levou para uma rua ainda mais apertada, chamada Tambo el Matadero, onde há residências em antigas construções que já foram utilizadas como armazéns. É uma espécie de vila, guardada dentro de um imenso portão velho de madeira. A entrada desta vila fica na Calle Puente Bolognese, no quarteirão entre a Av. La Maria e a Calle Cruz Verde.

Subimos a Calle Puente Bolognese em direção à Catedral de Arequipa. Na esquina da Plaza de Armas, no Portal de Augustín, uma senhora vendia um típico “sorvete de queijo” de Arequipa, que muitas pessoas do walking tour compraram. Eu tomei este sorvete de queijo na Gelatteria Capriccio na Calle San Francisco (esta unidade da sorveteria fechou) e realmente tem um sabor muito diferente e único, porém era gostoso.
Na Plaza de Armas, na esquina com a Calle Álvares Thomas, está a Iglesia de la Compañía de Jesús e o antigo Claustro de La Compañía. Hoje, o claustro é um conjunto de lojas, mas os belos detalhes históricos da construção ainda permanecem. Já o templo católico teve sua construção iniciada no final do Séc.XVI e sua fachada apresenta estilo barroco com entalhes de motivos pré-hispânicos e europeus. Mais informações podem ser encontradas no site oficial, clicando aqui.


O tour foi finalizado em um restaurante na Plaza de Armas, onde provamos um pisco sour e milho peruano como petisco.

O Free Walk Tour é pago com “proprina” (gorjeta) de valor livre e apesar do guia ter sido desagradável e antipático, nos levou para lugares bem específicos e interessantes do Centro Histórico de Arequipa, comprovando que a cidade realmente é encantadora.
Cânion do Rio Colca
A estadia em Arequipa tinha como objetivo conhecer um lugar de paisagens montanhosas magníficas – o Vale do Colca, ou Cânion do Rio Colca, ou Colca Canyon. O Cânion do Colca é um dos mais profundos do mundo, atingindo no povoado peruano de Huambo cerca de 4.000 m de profundidade.
Fechamos o passeio com uma empresa chamada Tawantinsuyo Travel (referência: ao lado da entrada do Hotel Maison Plaza, no Portal de San Augustín da Plaza de Armas). Segundo o Google, a empresa ainda existe.
O tour começou muito cedo! A van passou pelo hostel às 2h45 da madrugada, já que o Vale do Colca fica a mais ou menos 200 km de Arequipa. Outros passageiros embarcaram em outras paradas realizadas.
Confiando plenamente nas habilidades do motorista, dormi enquanto a van seguiu madrugada adentro por estradas. Fui acordada na primeira parada, quando o dia já estava clareando e era cerca de 6h00.
- Dicionário Espanhol-Português: Pueblo (Povoado/Vila); Mirador (Mirante).
1ª Parada – Mirador de Patapampa
O passeio começou no Mirador de Patapampa, localizado a 4.910 metros de altitude. Dali é possível ver a cadeia dos Andes Centrais e quatro vulcões:
- Ubinas (5.673 metros de altitude);
- Misti (5.825 metros de altitude);
- Hualca Hualca (6.025 metros de altitude);
- Sabancaya (5.976 metros de altitude).
Como viajei para o Peru em uma época chuvosa, havia bastante nebulosidade e somente os cumes do Misti e do Sabancaya estavam visíveis.

Depois seguimos para o café da manhã na cidade de Chivay. Foi um café da manhã bem simples, inclusive, uma das pessoas do meu grupo precisou comprar um leite para misturar com o café, porque o leite não estava incluído no café da manhã.
2ª Parada – Mirador Achoma
O Mirador Achoma fica junto à Rodovia AR-109 e tem uma das vistas que mais me recordo de toda a viagem.
Este ponto ainda está no início do Cânion do Rio Colca, porém, por causa das chuvas, o rio estava com as águas tingidas de marrom, era caudaloso e bem veloz. A paisagem era esplendorosa, não existe outra palavra para descrever o conjunto formado pelo verde das montanhas, misturados com os terraços de agricultura, as nuvens, o céu… Que vista fabulosa!

3ª Parada – Pueblo Maca
Pueblo Maca está situado sobre uma falha geológica, o que faz com que o local seja bastante suscetível a tremores de terra devido à instabilidade do terreno. A falha geológica é bem visível na imagem de satélite do Google Maps.
Descemos para ver as tendas de artesanato e os filhotes de lhamas. Mas nada se compara com o cenário gerado pela bela igreja colonial de Santa Ana, datada de 1759, coroada pelas montanhas da Cordilheira dos Andes ao fundo.

4ª Parada – Mirador e Tunel Maca
Paramos em mais um mirante com vista Cânion do Rio Colca, que ainda não está profundo neste ponto. Mais uma vez, me deparei com uma vista inesquecível. Aproveitei para fazer uma foto com o túnel ao fundo, já que a paisagem é única!


5ª Parada – Mirador Cruz del Cóndor
A Cruz del Cóndor (3.8000 metros de altitude) é o ponto auge do tour pelo Vale do Rio Colca, pois é considerado o local perfeito para observar um dos pontos mais profundos do Cânion.
No entanto, por causa das chuvas, uma neblina densa fechou toda a visão do mirador. O grupo não conseguiu ver absolutamente nada nesta parada.

Em dias limpos também é possível ver condores voando no mirador, mas naquele dia, a neblina estava tão forte que mal dava para enxergar o que estava 3 metros à minha frente.
6ª Parada – Mirador Wayracpunku
O Mirador Wayracpunku é mais um ponto estratégico localizado na Rodovia AR-109, na cidade de Pinchollo.
Esta foi mais uma parada para obervar o Cânion do Rio Colca, mas o objetivo maior desta vez era tentar ver um condor, ave símbolo dos Andes, sobrevoando as montanhas.
Na cultura Inca, especificamente na Trilogia del Inka, o condor é considerado um animal místico por conseguir voar acima dos picos das montanhas. Assim, seria o responsável por conectar o mundo dos deuses com o mundo dos vivos, sendo o mensageiro dos deuses para os homens.
Aparentemente, o condor estava se escondendo do grupo… Alguns minutos olhando para o céu e nada… O guia desistiu de esperar e mandou o grupo entrar na van para seguir viagem. Quando estávamos acomodados e prontos para o veículo continuar o tour, o guia pediu para todos descerem – Sim, o condor apareceu!

O Condor-dos-Andes é a maior ave voadora do mundo, podendo atingir 3 metros de envergadura (de uma ponta da asa à outra) e seu ambiente mais comum são as montanhas acima de 3.000 metros de altitude, porém também podem ser encontrados em regiões litorâneas (Fonte: Site InfoEscola).
Um condor pode atingir um peso de até 15 kg, mas durante o seu voo triunfante e suave, ele parece uma pluma sendo levada pela corrente de ar. O voo é bonito, leve, com pouco bater de asas, o que dá a impressão de que ele não faz esforço para voar, e que aparenta simplesmente se deixar levar.

A próxima parada inclui muita adrenalina!
7ª Parada – Tirolesa (Colca Ziplining)
Enquanto acontecia o tour, o guia informou que quem quisesse, poderia fazer uma tirolesa na cidade de Chivay, passando sobre o Rio Colca. A aventura custava, na época, um adicional de $50 soles.
Eu nunca tinha feito uma tirolesa e hesitei um pouco. Depois, tomei coragem e não fiquei pensando muito, pois mais poderia me arrepender de não ter experienciado algo ainda mais diferente na viagem.
Sem pestanejar, pedi para o rapaz da tirolesa me empurrar logo! Confiei na cadeirinha e no cabo de aço. Gritei, o coração disparou, tremi, disse “Ai meu Deus!” e com o corpo contraído de medo, passei sobre as águas do Rio Colca. Assustei com o tranco da desaceleração no final, mas curti a descida! Essa foi a primeira etapa.

No segundo lance da tirolesa, eu já sabia como seria. Relaxei, abri os braços e experimentei com mais liberdade aqueles segundos de descida, atravessando sobre o Rio Colca mais uma vez.
8ª Parada – Complejo de Aguas Termales La Calera
Aproveitei esta parada para finalmente provar de um banho de águas termais. No Deserto do Atacama e na Bolívia, tive a oportunidade de experimentar banhos em águas naturalmente quentes, porém não tive coragem por causa do frio que fazia ao amanhecer.
Em Chivay o Sol estava a pino, não estava tão frio, e eu sabia que provavelmente esta era a última chance de tomar um banho em águas quentinhas.
A entrada para as Aguas Termales La Calera custou um adicional de $15 soles. No local havia cabines para troca de roupa, banheiros e guarda-volumes.

Infelizmente, o banho nas piscinas termais durou apenas 20 minutos. Deu para aproveitar pouquíssimo do local, já que o guia começou a nos apressar para irmos embora. Esta é a parte ruim desses tours… Você tem que fazer tudo rápido e fica amarrado às decisões do guia.
***
Depois de sairmos das águas termais, retornamos a Arequipa, chegando à cidade às 17h00. Houve tempo apenas para tomar banho, jantar, pegar as mochilas e ir para a rodoviária. Cuzco era o próximo destino.
***
Arequipa é um destes lugares que surpreendem positivamente, assim como o Cânion do Rio Colca com suas lindíssimas paisagens.
Esta postagem nos dá uma ampliação de conhecimentos sobre o Peru, que não se resume apenas a Lima e Machu Picchu, mas sim, é um país com muitas histórias, culturas e paisagens interessantes para conhecer.
E você, o que conhece sobre o Peru, país vizinho ao Brasil? Você colocaria o país no seu roteiro? Você considera um país apenas de viagem de mochileiros?
Você pode me acompanhar pelo meu Instagram – @tissiana.souza – onde mostro o meu dia-a-dia e meu estilo de vida além das viagens. Caso tenha alguma sugestão, você pode entrar em contato comigo através do e-mail tissinorole@gmail.com.
