Viajar pela América do Sul, em especial pela Cordilheira dos Andes, é descobrir paisagens naturais lindíssimas, como o Deserto do Atacama; cidades históricas; locais religiosos, como Copacabana (Bolívia); sítios arqueológicos; tradições no artesanato e povos isolados, como Los Uros (Peru). Mas outro fator também encanta: os animais!
Neste texto vou apresentar alguns animais integrantes da fauna andina que pude ver durante o mochilão. Alguns certamente você já ouviu falar, enquanto outros talvez você desconheça.
Vamos conhecer alguns animais fascinantes da Cordilheira dos Andes, que você terá a oportunidade de conhecer em uma viagem por Chile, Bolívia, Peru e outros países localizados nesta cadeia de montanhas:
Flamingos:
Existem no mundo apenas 6 espécies de flamingos e metade delas pode ser vista em uma viagem pela região da Cordilheira dos Andes: o flamingo-chileno, o flamingo-andino e o flamingo-de-james (ou flamingo-da-puna).
Os flamingos são encontrados nas lagunas salgadas, em bandos, sempre se alimentando de organismos presentes nas águas. Se você tiver sorte, também conseguirá vê-los voando.
- Flamingo-chileno:
O flamingo-chileno é uma espécie de ave que pode ser encontrada entre o nordeste do Equador e o sul do Chile.
Caracteriza-se por uma coloração branca e avermelhada, com penas pretas na ponta das asas (Fonte: Fauna Digital do Rio Grande do Sul, UFRGS).

Para diferenciá-los das outras espécies de flamingos durante a viagem, observe a movimentação constante de suas pernas enquanto ele procura algas e microorganismos no fundo das lagoas.
Os flamingos-chilenos são os dançarinos das lagunas e executam um “ballet” enquanto se alimentam. Veja o vídeo a seguir:
- Flamingo –andino (ou Flamingo-dos-Andes):
Os flamingos-andinos são os mais raros, devido à menor área geográfica que ocupam. A distribuição desta espécie se dá pelo sul do Peru, oeste da Bolívia e norte da Argentina.
Sua coloração é mais avermelhada, com as pontas das asas com penas pretas. Já o bico tem duas cores – preto e amarelo vivo (mais próximo aos olhos) (Fonte: Fauna Digital do Rio Grande do Sul, UFRGS).

- Flamingo-de-james (ou Flamingo-da-Puna):
O flamingo-de-james ocupa áreas altiplânicas, acima de 3.500 metros de altitude.
Para diferenciá-lo, observe as penas avermelhadas do corpo, a pele vermelha ao redor dos olhos e o bico predominantemente amarelo com a ponta preta (Fonte: WikiAves).

Camelídeos:
Na América do Sul, a família de camelídeos é formada por 4 espécies: Lhama (Llama), Alpaca, Vicunha (Vicuña) e Guanaco. Durante minha viagem por Chile (Deserto do Atacama), Bolívia e Peru, o único camelídeo que não vi foi o guanaco.
Essas espécies não possuem corcovas como os camelos dos desertos, porém são animais especialmente adaptados à altitude, ao clima e também à escassez de água.
- Lhama (Llama):
As lhamas são mamíferos herbívoros domesticados há cerca de 4000 anos pelos povos que habitaram a Cordilheira dos Andes. A tradição permanece até hoje.
Estes animais são utilizados para transporte de cargas, consumo de carne, couro, lã e suas fezes, após secas, podem ser usadas como combustível.

É bastante comum ver lhamas decoradas com enfeites coloridos. Os ornamentos representam gratidão, respeito, importância econômica, cultural e religiosa, já que são animais essenciais para a sobrevivência de muitas famílias.

As lhamas são “parentes” dos guanacos.
Por serem animais domésticos, é muito comum vê-los pastando próximo às estradas e também dentro das cidades.
- Alpaca:
As alpacas são animais domesticados, assim como as lhamas. Também é muito fácil encontrá-las se alimentando.

Seu grande atrativo é fibra de alpaca (lã macia), cujo fato curioso é que existem apenas 22 tons naturais, que variam entre branco, cinza, beges, marrons e preto.

As alpacas são “parentes” das vicunhas.
- Vicunha (Vicuña):
A vicunha é um belíssimo camelídeo selvagem que vive entre 3.000 e 4.600 metros de altitude.
Seu pelo de tonalidade que lembra o dourado é o mais apreciado para a confecção de roupas de lã, o que fez com que as vicunhas quase entrassem em extinção na década de 1970.

No Chile, as vicunhas passaram a serem protegidas por ações como a criação de áreas de proteção no altiplano, com o objetivo de reduzir a caça e o tráfico ilegal de lã.
Outras ações, como o manejo sustentável da vicunha, também foram implementadas (Site: ecologia.info). Inclusive, em alguns locais, as vicunhas são criadas em cativeiro, o que permite a venda legal e regulamentada da lã (Fonte: Agronews.tv).

O grande diferencial da fibra da vicunha é que há uma cobertura de lã dupla, com uma fibra grossa (que são os pelos de proteção) e uma fibra fina (camada inferior) (Site: ecologia. Info).
A lã da vicunha é a mais cara do mundo por dois fatores: o primeiro, é a sua qualidade; o segundo, é a dificuldade em obtê-la. Por isso, a caça indiscriminada e o mercado ilegal de sua lã quase levaram ao desaparecimento completo desse animal (Fonte: Agronews.tv).

As vicunhas são mais difíceis de serem avistadas, já que são animais selvagens. Durante o mochilão, somente pude ver as vicunhas no Deserto do Atacama, em um ambiente mais inóspito, com poucas cidades e mais áreas naturais.
Zorro Culpeo (Raposa andina ou Raposa colorada):
A raposa andina se distribui por 5 países sul-americanos: Argentina, Chile, Equador, Peru e Colômbia. Pode ser encontrada em ambientes naturais diversos.
Este animal é bastante caçado devido à sua pele e também por atacar o gado e a avicultura (Fonte: Ruta-Patagonia.com).


Vizcacha andina:
A vizcacha andina é um roedor herbívoro que pode ser encontrado no Peru, no Chile, na Bolívia e na Argentina.
Vizcachas são parecidas com coelhos, porém têm uma cauda longa, sendo “parentes” das chinchilas.

Gostam de ambientes rochosos e secos, nos quais, inclusive, ficam camufladas devido à tonalidade de seus pelos.
Nas culturas pré-colombianas, as vizcachas eram o símbolo da agilidade, pois são grandes saltadoras, e da adaptabilidade.
Condor-dos-Andes:
Esta lista não poderia terminar sem o Condor-dos-Andes, um dos animais mais admirados pelos povos andinos.
O Condor é uma das maiores aves do mundo, com uma envergadura que pode atingir até 3 metros.
Seu voo é caracterizado pela leveza, sem um intenso bater de asas. É uma ave planadora, que se aproveita das correntes de ar quente para voar.
O Condor é encontrado em toda a extensão da Cordilheira dos Andes, e durante seu voo, pode atingir altitudes acima de 8000 metros, já que sua ocorrência se dá em áreas montanhosas (Fonte: National Geographic Brasil).

Assim como o urubu, o condor é um animal necrófago, ou seja, alimenta-se de animais mortos, tendo importância fundamental para o equilíbrio do meio ambiente (Fonte: National Geographic Brasil).
Para os incas, o Condor era o animal que tinha o poder de se comunicar com o mundo dos deuses e das estrelas (mundo superior) e o mundo terreno, devido à sua possibilidade de voar acima das montanhas.

Parece simples avistar os condores pela Cordilheira dos Andes, mas essa não é uma tarefa tão fácil. O número dessas aves diminuiu bastante ao longo dos anos devido à caça e ao envenenamento com iscas tóxicas e alteração de seu ambiente natural.
Ver o côndor-dos-andes é sim, de certa forma, um privilégio e na região de Arequipa fui agraciada com a visão de seu magnífico voo.
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Você conhecia esses animais? Já tinha ouvido falar sobre eles? Qual você achou mais bonito?
A natureza nos surpreende de diversas maneiras e esta viagem pela América do Sul foi cheia de passagens bonitas do início ao fim.
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