Explore o Deserto do Atacama: Dicas e Atrações

O Deserto do Atacama está situado ao norte do Chile, na Província de Antofagasta.

Junto com a Cordilheira dos Andes (a leste), o Oceano Pacífico (a oeste) e a Patagônia (ao sul), o Deserto do Atacama (Norte) funciona como uma barreira natural que impede a entrada de pragas no território chileno. Por este motivo, há um rigoroso controle de entrada de alimentos de origem animal e vegetal no país.

O Atacama é o deserto mais alto do mundo – está situado entre 2.000 e 6.000 metros acima do nível do mar (Fonte: Los 10 Mejores Trekkings en San Pedro de Atacama).

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Valle de La Luna é uma das atrações mais visitadas e conhecidas do Deserto do Atacama (Foto: acervo pessoal – Tissiana Souza).

Este é também o deserto mais seco do mundo (Fonte: Municipalidad de San Pedro de Atacama), com precipitações anuais em torno dos 42 mm (Fonte: Climate Data).

Características Climáticas:

O clima desértico é caracterizado por uma distribuição irregular de chuvas ao longo do ano.

Janeiro é o mês mais quente e com maior volume de chuvas (22 mm de precipitação acumulada em média), com temperatura média de 17,1°C e o mês mais frio é Julho, com temperatura média de 9°C.

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Mesmo durante o dia, a temperatura varia em razão da altitude. Levar roupas apropriadas para temperaturas baixas é essencial! (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Já as amplitudes térmicas, ou seja, a variação entre a temperatura mínima e a temperatura máxima durante um dia podem chegar a 20°C. Prepare-se para passar frio e calor em um mesmo dia.

Acompanhe a previsão do tempo para saber quais as prováveis temperaturas durante a sua viagem.

San Pedro de Atacama:

San Pedro de Atacama é a cidade base de hospedagem para conhecer o Deserto do Atacama.

Com pouco mais de 5.000 habitantes, a cidade conserva sua identidade através tradicionais edificações de adobe e ruas sem asfalto.

San Pedro de Atacama está situada a 2.500 metros de acima do nível do mar, em um terreno plano, o que é uma vantagem em um lugar de elevada altitude.

A rua principal é a Calle Caracoles, onde podem ser encontrados hotéis, restaurantes, lojas, etc. O destaque é a Plaza San Pedro (Plaza de Armas), onde está a Igreja de San Pedro de Atacama.

San Pedro de Atacama é considerada a capital arqueológica do Chile. Há vestígios de que os povos atacamenhos, conhecidos como likan-antai, habitavam a região há cerca de 11.000 anos. Este povo tinha sua própria língua – o kunza (Fonte: Los 10 Mejores Trekkings en San Pedro de Atacama).

Diversas pesquisas arqueológicas e históricas chegaram à conclusão de que a cultura atacamenha teve um desenvolvimento autônomo:

“foi em longo processo de intervenções, experimentos, adoções e adaptações, desenvolvidos pelos próprios atacamenhos, que por mais de 10.000 anos os levou a etapas consecutivas de progresso no campo cultural, social, político e econômico” (Agustín Llagostera, citado em Los 10 Mejores Trekkings en San Pedro de Atacama, p. 21).

Houve também influência de outras culturas, como os incas e espanhóis. Estes últimos demoraram um pouco mais para chegarem ao norte do Chile, que era considerado um lugar distante, pobre, perigoso e com um agravante – o deserto.

Como Chegar a San Pedro de Atacama:

Para chegar a San Pedro de Atacama, as opções podem ser as seguintes:

  • Pela travessia do Salar de Uyuni: na fronteira Bolívia-Chile, é necessário tomar um transfer para San Pedro de Atacama, que fica a 47 km da fronteira. O tempo de deslocamento é de cerca de 1 hora e 30 minutos a 2 horas, contando o tempo de passagem pelos postos de imigração. Comprar o transfer ainda em Uyuni é o mais recomendado, antes de iniciar a travessia. Quando fiz o mochilão, esta foi a minha opção.
  • De avião: o Aeroporto mais próximo está na cidade de Calama, a 100 Km de San Pedro de Atacama. A partir de Calama, é necessário utilizar um transporte terrestre – vans, ônibus, ou táxi para San Pedro de Atacama (Fonte: Visit Chile).
  • A partir de Santiago: é possível tomar um ônibus na capital e percorrer 1.600 km por rodovias até San Pedro de Atacama. No entanto, a viagem dura mais de 1 dia.

Dividindo San Pedro de Atacama e Arredores por Altitude:

O livro “Los 10 Mejores Trekkings en San Pedro de Atacama”, de Rodrigo Cea e Sebastián Montalva (Ediciones El Mercurio, 2017), traz uma divisão de San Pedro de Atacama e seus arredores de acordo com as altitudes:

Zona 1 – Deserto, Oásis e o grande Salar de Atacama:

A Zona 1 está entre 2.500 e 3.000 metros de altitude.

Os atrativos naturais e humanos em destaque nesta zona são:

  • Sítios arqueológicos de Pukará de Quitor e Aldeia de Tulor
  • Valle de La Luna e o Valle de Marte (Valle de La Muerte)
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Pôr-do-Sol no Valle de La Muerte (Valle de Marte) (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • Cordilheira de Sal
  • Salar de Atacama
  • Lagunas Cejar e Tebinquiche
  • Ayullú de Solor

Zona 2 – Las Quebradas ou Pré-Puna:

A Zona 2 está entre 3.000 e 4.000 metros acima do nível do mar.

Nestas altitudes, os pontos de visita são:

  • Sítios Arqueológicos no Rio Salado
  • Valle do Arco-Íris
  • Quebrada de Guatin
  • Termas de Puritama
  • Quebrada de Jere (Toconao)
  • Quebrada de Nascimiento (Socaire)
  •  Quebrada de Kezala (Talabre)

Zona 3 – Altiplano ou Puna:

A zona altiplânica está entre 4.000 e 4.500 metros de altitude.

Destaque para:

  • Altiplano Norte (Gêiseres El Tatio, Pueblo Machuca, Cerro Copa Coya)
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Amanhecer nos Gêiseres El Tatio (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
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Gêiseres El Tatio, no Deserto do Atacama (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • Altiplano Leste (Salar de Tara, Monjes de La Pacana)
  • Altiplano Sul (Lagunas Miscanti e Miñiques, Salar de Águas Calientes e Piedras Rojas).

Zona 4 – Vulcões:

Zona acima dos 4.500 metros de altitude, na qual se destacam diversos cerros (vulcões inativos) e vulcões ativos:

  • Lascar
  • Licancabur
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O Vulcão Licancabur compõe a paisagem do Deserto do Atacama, sendo uma das vistas mais marcantes de toda a viagem (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • Cerro Toco, entre outros

Adaptação ao clima desértico e à altitude:

Visitar o Atacama requer duas adaptações corporais – a altitude e o clima de deserto. Nunca subestime essas duas características da natureza.

Sobre a altitude, há diversas maneiras de amenizar seus efeitos em nosso corpo:

  • Hidratar-se bem (os locais aconselham a dobrar a quantidade de água)
  • Tomar chá de coca
  • Mascar bala de coca
  • Sorojchi pills (medicamento)
  • Evitar bebidas alcoólicas.

Com relação ao deserto, além da hidratação:

  • Usar protetor solar
  • Utilizar protetor labial
  • Aplicar creme hidratante corporal
  • Usar soro fisiológico para hidratar as narinas, pois ficam extremamente secas e podem até mesmo sangrar pelo ressecamento.

O que visitar no Deserto do Atacama?

Em um roteiro de 4 dias, hospedando-se em San Pedro de Atacama, é possível fazer o seguinte roteiro.

  • Dia 1 – Valle de La Luna (tarde) e Tour Astronômico (noite);
  • Dia 2 – Salar de Tara (dia todo);
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Salar de Tara (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • Dia 3 – Gêiseres El Tatio (manhã), Lagunas Escondidas de Baltinache (tarde) e Pôr-do-Sol do Valle de Marte (ou Valle de La Muerte);
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Lagunas Escondidas de Baltinache (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).
  • Dia 4 – Piedras Rojas e Lagunas Altiplânicas de Miscanti e Miñiques (dia todo).
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Lagunas Altiplânicas (Foto: Acervo pessoal – Tissiana Souza).

Há muitas agências de viagem em San Pedro de Atacama que fazem esses passeios, inclusive, agências que são especializadas em receber brasileiros. O ideal é que você faça cotações antes de viajar e adquira seus passeios com a empresa que se encaixa melhor no seu orçamento.

Ao visitar o Deserto do Atacama, também é preciso levar em consideração que algumas atrações turísticas podem fechar e ficarem inacessíveis por tempo indeterminado. Os motivos podem ser variados. Em Piedras Rojas, o fechamento aconteceu por mau comportamento de turistas; outras questões podem estar relacionadas à preservação ambiental; ou simplesmente porque os proprietários fecham os locais para visitação.

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Além do Deserto do Atacama, esta viagem também incluiu Bolívia e Peru. Acompanhe minhas postagens sobre esses três países e a região da Cordilheira dos Andes.

Para saber o que estou fazendo atualmente, convido você a me acompanhar pelo Instagram com o meu perfil @tissiana.souza.

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