Existem diversas formas de viajar – através de filmes, seriados, livros… Que tal viajarmos através de músicas sobre cidades e conhecer lugares pelas canções?
As músicas, em geral, marcam muito a vida das pessoas – uma festa, uma viagem, uma situação específica, um festival.
Muitas canções me fazem lembrar de lugares que conheci e de festivais de música em que estive. Músicas são capazes de criar na memória um vínculo afetivo.
Neste texto você vai:
- Conhecer músicas que falam de lugares;
- Ver algumas músicas sobre cidades brasileiras;
- Experimentar músicas que falam sobre cidades de outros países.
Preparados? Vamos embarcar nessa viagem por vários gêneros musicais, do clássico ao pop, portanto, é uma lista eclética!
1. Barcelona, por Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988)
Barcelona junta o rock e a potência inconfundível de Freddie Mercury (1946-1991) com a doçura e a beleza da voz da cantora lírica catalã Montserrat Caballé (1933-2018), na música que foi o tema das Olimpíadas de 1992.
Freddie morreu apenas 7 meses antes dos Jogos Olímpicos de Barcelona e na abertura do evento Montserrat Caballé fez um dueto virtual com o eterno vocalista da banda Queen.
A canção mostra bem o espírito pulsante da cidade, uma das mais bonitas que visitei!
“Barcelona!
Um horizonte tão lindo
Barcelona!
Como uma jóia ao sol
Por você serei gaivota de teu belo mar”

2. Galway Girl, por Ed Sheeran (2017)
O cantor inglês Ed Sheeran aparece aqui na lista com a música Galway Girl, que traduzindo para o português seria Garota de Galway.
Esta canção cita muitas coisas da Irlanda, como a cerveja Guinness, o uísque Old Jameson e a céilidh (a reunião social irlandesa).
A música conta uma história de um rapaz que conhece uma garota em Dublin e eles têm uma noite cheia de aventuras pela cidade.
O que eu acho mais legal é ver o videoclipe, que foi rodado na cidade de Galway, mostrando os pubs típicos irlandeses, as ruas estreitas da cidade e os edifícios típicos da Irlanda.
Galway Girl tem como inspiração a violinista Niamh Dunne, da banda irlandesa Beoga, que fez várias colaborações para o álbum “Divide” do cantor. A musicista inspirou os primeiros versos, o resto foi imaginação.
Para quem já foi à Irlanda, essa música é nostalgia pura!
“Ela tocava violino em uma banda irlandesa
Mas se apaixonou por um homem inglês
Beijei-a no pescoço e a levei pela mão
Disse: Querida, eu só quero dançar”

3. Granada, por Augustín Lara (1932)
Granada foi composta pelo mexicano Agustín Lara e interpretada pela primeira vez por Pedro Vargas, que era conhecido como “O Tenor das Américas”.
Agustín Lara compôs Granada sem conhecer pessoalmente a cidade espanhola, pela qual havia se apaixonado através de um livro de fotografias.
Ele somente visitou Granada no ano de 1964, ocasião em que também foi homenageado por ter escrito a música.
A canção é tão importante que desde o ano de 1997 passou a ser o hino oficial da cidade de Granada, após algumas adaptações feitas pelo Professor D. Luis Megías Castilla.
Apesar de ser composta por um mexicano, tem o toque cigano da Andaluzia e já foi regravada por vozes como Plácido Domingo, Luciano Pavarotti, Andrea Bocelli, e até mesmo por Frank Sinatra (em uma versão em inglês).
“Granada, terra sonhada por mim
meu cantar se torna cigano
quando é para ti”
4. Il est cinq heures, Paris s’éveille, por Jacques Dutronc (1968)
“São cinco horas, Paris acorda”, essa é a tradução literal do título da música.
Como o nome da canção indica, Paris está acordando para mais um dia de trabalho, correria, cansaço e narra situações do cotidiano dos trabalhadores da capital da França. Também cita pontos turísticos da cidade-luz, mas o foco principal é mostrar o lado que não é glamouroso e das pessoas que fazem Paris acontecer.
“A torre Eiffel tem frio nos pés
O Arco do Triunfo está reanimado
E o Obelisco está bem arrumado
Entre a noite e o dia”

5. Lights of Los Angeles, por Jonathan Roy (2020)
“Luzes de Los Angeles” é uma canção lançada pelo cantor e compositor canadense Jonathan Roy em 17 de Abril de 2020.
A música aborda temas como a beleza da cidade e a vontade de compartilhar Los Angeles com alguém que não está presente naquele momento. A cidade é tratada na música como um lugar inspirador.
“Então me deixe te dizer
Como são as luzes de Los Angeles
Eu gostaria que você pudesse ver isso
As luzes de Los Angeles
Ver a cidade e a névoa do oceano
Eu queria que você pudesse estar aqui para isso”
6. Lisboa, menina e moça, por Carlos do Carmo (1976)
Eu considero Lisboa, menina e moça como uma das canções mais bonitas dedicadas a uma cidade e sempre fico emocionada quando a escuto. Certamente, isso em parte se deve à nossa língua portuguesa, que é muito musical, sonora e rica em palavras.
Para quem conhece a capital de Portugal, esse maravilhoso fado descreve Lisboa com uma perfeição inefável, ou seja, não há explicação, pois a canção diz tudo o que você precisa saber sobre a cidade. De fato, como vi em algumas pesquisas pelo Google, Lisboa, menina e moça é a “personificação da cidade”.
“No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaço o novelo
De azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
Almofada, da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo”

7. London, London, por Caetano Veloso (1971)
London, London, foi composta por Caetano Veloso no período em que ele viveu por dois anos e meio exilado em Londres, capital da Inglaterra.
A música reflete a solidão do artista ao viver em um lugar desconhecido e sem ter rostos familiares. Os versos mostram o vazio que o cantor sentia naquela época, mesmo tendo a companhia da família e de outros amigos também exilados na cidade, como Gilberto Gil.
“Sei que não conheço ninguém aqui prá dizer olá
Sei que eles deixam o caminho livre
Estou solitário em Londres, sem medos
Estou vagando, dando umas voltas, sem direção”
8. Mi Buenos Aires Querido, por Carlos Gardel (1934)
Mi Buenos Aires Querido é um tango interpretado por Carlos Gardel, um dos maiores cantores deste gênero musical autenticamente sul-americano.
Sabe o que é mais interessante? Uma matéria do Jornal Correio Braziliense fala que “Mi Buenos Aires Querido” foi composta por um brasileiro, o paulistano Alfredo Le Pera, que foi morar com os pais na Argentina aos 2 anos de idade.
A música fala de alguém que está voltando para Buenos Aires, onde tem um amor e da vontade de viver na cidade até morrer. Como todo bom tango, é uma música dramática e muito sentimental.
“Minha querida Buenos Aires
Quando eu voltar a te ver
Não haverá mais tristezas nem esquecimentos”

9. New York, New York, por Liza Minnelli (1977) / Frank Sinatra (1979)
Eu não queria colocar um “clichê master blaster ultra” nesta lista, mas se eu deixasse de incluir o jazz New York, New York eternizada pela voz poderosa de Frank Sinatra neste texto, certamente alguém iria reclamar!
A música foi composta John Kander e Fred Ebb para a trilha sonora do filme New York, New York, dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese.
Liza Minnelli foi a primeira pessoa a interpretar a canção justamente para a obra cinematográfica, mas a popularidade da composição veio depois que Sinatra começou a cantá-la em apresentações e a incluiu no álbum Trilogy: Past, Present, Future (1979).
New York, New York fala do desejo (ou da ambição) de conseguir uma vida melhor e ganhar mais dinheiro em uma cidade maior. O slogam que nos dias de hoje é a marca registrada de Nova Iorque – “a cidade que nunca dorme” – é um dos versos da música (I wanna wake up in that city / that doesn’t sleep).
“Comece a espalhar a notícia
Estou partindo hoje
Eu quero ser parte dela
Nova Iorque, Nova Iorque”
10. Samba do Avião, por Antônio Carlos Jobim (1962)
Em Samba do Avião, Tom Jobim conta em primeira pessoa que está chegando ao Rio de Janeiro e que vai pousar no Aeroporto Internacional do Galeão dentro de alguns instantes.
Enquanto prepara-se para o pouso do avião, ele fala sobre alguns pontos marcantes da cidade maravilhosa – como o Cristo Redentor, a Baía de Guanabara, Copacabana – além de declarar seu amor pelo Rio de Janeiro.
A música foi escrita para um filme italiano chamado Copacabana Palace (1962) e a primeira gravação foi feita por Elza Laranjeira.
“Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você”

11. Sampa, por Caetano Veloso (1978)
“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João”
Os versos clássicos de Caetano Veloso são praticamente um hino não oficial da cidade de São Paulo. Acho que todo mundo já teve a curiosidade de conhecer o famoso cruzamento de avenidas da capital paulista, ou já se perguntou: “Afinal de contas, o que tem na Ipiranga com a São João?”
Segundo uma matéria do Site G1, publicada no aniversário de 40 anos da música Sampa, Caetano Veloso morava perto do cruzamento e foi a partir disso que surgiu uma das inspirações para a composição. A vida cultural e agitada da cidade também foi uma influência para Caetano escrever a letra.

12. Pompeii, por Bastille (2013)
O vocalista e líder da banda de indie-rock Bastille – Dan Smith – realmente teve como inspiração a erupção vulcânica do Vesúvio (Itália) que “congelou” Pompeia e seus moradores no tempo no ano de 79 d.C.
Em entrevista ao site Radio X, ele comentou sobre a composição:
“Eu estava lendo um livro que tinha algumas fotos das pessoas que foram afetadas pela erupção vulcânica…E é uma imagem tão sombria e poderosa, que me fez pensar em como deve ter sido emocionalmente entediante depois do evento. Ficar meio que preso na mesma posição por centenas e centenas de anos…Então, a música é uma espécie de conversa imaginária entre duas pessoas que estão presas uma ao lado da outra em uma espécie de pose de morte trágica“.
A música, portanto, é uma metáfora para a ideia das mudanças inevitáveis da vida, em que tudo parece estar desmoronando e momentos em que tudo parece estar estagnado. Não é uma música de felicidade, é uma reflexão sobre rumos da vida.
“Fui deixado por conta própria
Muitos dias se passaram sem nada para mostrar
E as paredes continuam a desmoronar
Na cidade que amamos
Nuvens cinzas rolam sobre as colinas
Trazendo a escuridão de cima”
Bônus – 4 músicas sobre países:
Aquarela Brasileira
“Brasil, essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas de colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emolduram em aquarela o meu Brasil”
Escrita por Silas de Oliveira, Aquarela Brasileira foi um samba-enredo apresentado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano no Carnaval do Rio de Janeiro do ano de 1964.
Por mais que seja considerado um dos melhores sambas-enredos já escritos, Aquarela Brasileira não levou o título nem em 64, quando ficou em 4º lugar e nem em 2004, na sua reedição de 40 anos, quando ficou em 9º lugar.

A letra foi escrita em homenagem a outra música com um título quase idêntico – Aquarela do Brasil – de Ary Barroso.
Aquarela Brasileira é uma verdadeira viagem pelas regiões brasileiras, personagens fictícias e verdadeiras da história do Brasil, cultura e natureza. Enfim, é o que o nosso país tem de mais bonito no formato de uma música.
No llores por mi, Argentina / Don’t cry for me, Argentina
No llores por mi, Argentina é uma música inspirada nos discursos políticos e passionais de Eva Perón e foi escrita especialmente para o musical “Evita”, no início da década de 1970.
Ou seja, a Evita de verdade, aquela mulher que foi primeira-dama da Argentina, nunca cantou, interpretou ou disse para a Argentina não chorar por ela.
O autor da letra é o britânico Tim Rice e a melodia é de Andrew Lloyd Weber. As versões em inglês e em espanhol são bem parecidas, mas eu confesso que prefiro a castellana.
“Não chores por mim, Argentina
Minha alma está contigo
A vida inteira eu te dedico
Mas não se afastes
Te necessito”

Born in the U.S.A.
“Born in the U.S.A.” é um dos clássicos do rock de Bruce Springsteen e causou muita confusão quando foi lançada no álbum de mesmo homônimo em 1984.
A canção é uma crítica explícita à Guerra do Vietnã e ao futuro dos veteranos de guerra nos Estados Unidos, porém na época foi usada na campanha presidencial de reeleição de Ronald Reagan, que associou a música a ideais patrióticos conservadores totalmente opostos aos da composição.
O próprio The Boss (apelido de Springsteen) falou sobre Born in the U.S.A.:
“Born in The USA” se mantém como uma das minhas melhores e mais incompreendidas canções. A combinação dos seus versos blues “para baixo” com o refrão declarativo “para cima”, a exigência do direito de ter uma voz patriótica “crítica”, juntamente com o orgulho do lugar onde se nasce, parecia ser conflituosa demais (ou simplesmente incômoda) para ouvidos despreocupados e menos perspicazes. É assim, meu amigo, que a bola do pop político pode rolar: ouvimos aquilo que queremos ouvir”.
Abril en Portugal (Coimbra)
“Abril en Portugal” é uma canção em castellano interpretada por Julio Iglesias, na qual o cantor procura expressar uma atmosfera nostálgica e da saudade que sente de um amor vivido em Portugal.
A música, que faz parte do álbum “Libra” (1985) faz referência às principais cidades portuguesas – Lisboa, Porto e Coimbra – e lembra o “choro” do fado, estilo musical do país.

***
Eu sei, faltaram muitas músicas nessa lista! Qual você gostaria de acrescentar? Qual você curte ou não?
Convido você para acompanhar minhas andanças além do blog e me seguir lá no meu instagram @tissiana.souza e também que você se inspire com os meus tutoriais de maquiagem lá no TikTok!
