Quem foi Vincent van Gogh?
Vincent Willem van Gogh foi um pintor neerlandês que viveu na segunda metade do século XIX. Seus trabalhos são classificados na era pós-impressionista.
Nascido em Zundert (Países Baixos) aos 30 de março de 1853, Van Gogh morreu com 37 anos de idade após cometer um suposto suicídio, em 29 de julho de 1890 em Auvers-sur-Oise (França).

A obra de Vincent van Gogh:
Atualmente, a obra de Vincent van Gogh está muito popular. Suas pinturas mais conhecidas são as que mostram uma explosão de cores, através de uma rica paleta cromática e pinceladas marcantes.
O mais contraditório é que em vida, mesmo produzindo mais de 800 obras em pouco mais de 10 anos, Van Gogh foi pouco reconhecido.
Ele conseguiu vender apenas um único quadro quando estava vivo, chamado “A Vinha Encarnada” (Red Wineyards, 1888), atualmente integrante do acervo do Museu Pushkin de Belas Artes, na cidade de Moscou (Rússia).

Van Gogh ganhou fama após a morte. Um pouco disso foi por “culpa” do próprio artista, que era teimoso e não aceitava conselhos sobre sua arte.
Entendo que ele queria criar a sua própria identidade, mas ele era imediatista e impaciente.
Vincent viveu na mesma época de outros grandes pintores como Claude Monet, Paul Gauguin, Renoir, Degas, Toulouse-Lautrec e Pissarro.
As obras mais conhecidas são da última fase artística, após os surtos que resultaram em internações longas em hospitais psiquiátricos. Porém seu trabalho apresenta fases distintas.

Leituras sobre Vincent van Gogh:
Entre os anos de 2023 e 2024, li dois livros sobre Van Gogh:
- Vincent van Gogh: minha história. A vida do pintor contada por ele mesmo. Autora: Ana Lúcia Corrêa Darú (Ficção Autobiográfica) (2022) (Preço: R$41,16 na Amazon – jan./2025)
- Van Gogh: a vida. Autores: Steven Naifeh e Gregory White Smith (2012). Considerada a biografia mais importante do artista pelo curador do Van Gogh Museum de Amsterdam. (Preço: R$169,90 na Amazon – jan./2025)
Uma característica marcante dos dois livros é a melancolia. Sim! A vida de Vincent van Gogh tinha uma tristeza intensa, que se refletiu em suas obras e seus escritos.
Essa melancolia marcava toda a família Van Gogh. Quase todos os irmãos de Vincent, e ele próprio, tinham algum problema psiquiátrico. Houve casos psiquiátricos também em parentes próximos. Porém, naquela época – século XIX – casos dessas doenças eram abafados por vergonha e por falta de conhecimentos médicos e científicos.
Van Gogh era um nefelibata. Ele sonhava com uma união dos artistas. Esse era o objetivo da Casa Amarela, sua moradia na cidade de Arles (França). Foi nessa casa onde ocorreu a briga com Gauguin, seguida pelo surto no qual ele cortou parte da própria orelha.

Apesar de vislumbrar uma carreira de sucesso, Vincent não costumava seguir os conselhos do irmão Theo, um galerista de arte que morava em Paris. Theo tinha contato com os pintores do momento e estava sempre por dentro das novidades do mundo artístico.
Theo pedia que Vincent usasse a cor e pintasse paisagens. Vincent, por sua vez, optava por tons cada vez mais escuros e sóbrios. Ele queria pintar os camponeses e as camadas mais populares que formavam a sociedade. A adoção de uma paleta de cores rica de tonalidades só veio na fase final de sua vida.

Ao mesmo tempo em que sonhava com sua arte independente, Vincent era dependente financeiramente do irmão Theo. Isso gerava diversas controvérsias e conflitos nas relações familiares e nas trocas de cartas com o irmão.
Teoricamente, por ser o irmão mais velho, Vincent deveria ser o provedor da família e ajudar os pais na velhice. Os altos e baixos de humor, depressão e sua personalidade difícil fizeram com que ele se tornasse uma decepção familiar. Theo sera a fonte de dinheiro dos Van Gogh, sendo mais valorizado pelos pais, que não botavam fé na arte de Vincent.
Van Gogh queria pintar o povo, porém havia dois problemas: ele não era habilidoso ao pintar pessoas, principalmente na captação dos movimentos do corpo. A segunda questão é que ele não conseguia conviver muito tempo em grupo – sempre arrumava discussão com alguém. Provavelmente, essa segunda parte era uma consequência dos seus problemas psiquiátricos não tratados.
Os autorretratos são marcantes em sua obra, porém isso nada tinha a ver com um culto à sua imagem. Vincent não conseguia pagar modelos para posar para ele. Além do mais, seu jeito esquisito espantava as pessoas. Portanto, para treinar suas habilidades pintando seres humanos, ele acabava pintando a si mesmo por falta de opção.

Van Gogh tinha alguma doença transmissível muito grave. Em sua biografia completa, os autores Steven Naifeh e Gregory White Smith afirmam ser sífilis, enquanto outras pesquisas mais recentes dizem que era gonorreia.
O fato é que ao longo da vida ele teve várias crises de saúde que resultaram em perdas de peso e perda dos dentes.
Além disso, ele fazia autopunições durante as crises depressivas, ficando sem comer, sem dormir e às vezes em pé por muitas horas.
Não existe um laudo psiquiátrico sobre a verdadeira doença que Vincent possuía. Uns falam de esquizofrenia. Outros dizem ser transtorno bipolar. E como se não bastasse tudo isso, Van Gogh era viciado em bebidas alcoólicas e fumava cachimbo.
Mesmo com tantos problemas, acredito na genialidade de Vincent van Gogh. Seu estilo de pinceladas foi uma revolução para as artes.
Ele era um leitor assíduo, poliglota, estudou o uso das cores e defendia as teorias nas quais acreditava como ninguém. Tinha um grande conhecimento sobre arte, sendo um admirador da obra de Millet.
Porém, a doença psiquiátrica acabou, de certa forma, limitando seu convívio com a sociedade de uma forma geral e limitando possíveis interações artísticas com outros pintores.
Sobre os livros que li, a ficção autobiográfica não me agradou muito porque não gostei da narração em primeira pessoa, como se Vincent tivesse dito aquelas palavras. Prefiro não me alongar sobre isso, já que meu ponto de vista pode ser diferente do de outro leitor.

Já a principal biografia sobre o artista – Van Gogh: a Vida – é um livro detalhado, e chega a ser repetitivo.
Esta biografia conta todas as andanças que Vincent fez pelo interior dos Países Baixos; a tentativa de ser um pastor protestante como seu pai; a vida em Paris e em Londres; a passagem por Arles e o final da vida nos hospitais psiquiátricos, culminando com sua morte em Auvers-sur-Oise.
A parte mais interessante do livro fica para o final, a partir do momento em que Vincent monta a Casa Amarela em Arles, na França.

A ansiedade pela visita de Paul Gauguin e seus embates com o colega de profissão parecem ser pontos cruciais para as graves crises psiquiátricas.
Os primeiros quadros com o tema de girassóis, que são um clássico de Van Gogh, foram pintados nesse período. Vincent pintou esse tema para decorar o quarto no qual Gauguin dormiria.
Grandes obras de Van Gogh foram feitas a partir desse período:
- Noite Estrelada sobre o Ródano (1888), que atualmente pertence ao acervo do Museu D’Orsay em Paris;
- Noite Estrelada (1889) (The Starry Night), que integra o acervo do MoMA The Musum of Modern Art em Nova York;
- O Quarto (1889);
- Flores de Amendoeira (1890);
- Campo de Trigo com Corvos (1890).

Acredito que a biografia “Van Gogh: a Vida” é o livro mais completo para quem deseja conhecer de ponta a ponta a vida do artista e o contexto de suas pinturas.
O livro levanta questões bastante convincentes sobre a possibilidade de Vincent não ter tirado a própria vida e sim ter sido vítima de um tiro acidental.
Ele não deu indicação de que estava pensando em suicídio e todas os seus utensílios de pintura desapareceram no dia do acidente.
Apesar da morte ser um tema recorrente nas cartas para Theo, não parecia que ele pensava em se matar, já que saiu de casa normalmente como todos os seus objetos de pintura como fazia todos os dias.
O que se pode absorver dessas leituras sobre Vincent van Gogh?
As leituras sobre Vincent van Gogh nos traz algumas lições e reflexões:
- É necessário ter paixão pelo que faz e Van Gogh realmente tinha uma paixão pela pintura. Se não gostamos nem um pouco do que fazemos, não dá para ter um mínimo de capricho e evolução;
- É preciso ter persistência e paciência, coisas que não duravam muito em Vincent. Ele possuía uma grande empolgação inicial para seus projetos, mas se perdia ao longo do percurso, provavelmente pelos problemas psiquiátricos;
- Devemos escutar críticas, sugestões e conselhos, mesmo que seja desagradável aos nossos ouvidos. Se Vincent, naquela época, tivesse seguido algumas dicas de seu irmão, talvez tivesse alcançado sucesso enquanto estava vivo. Não somos perfeitos, e às vezes precisamos de um olhar crítico para evoluirmos em alguns aspectos;
- É bom ser sonhador, porém sem tirar os pés do chão. Van Gogh era muito imediatista e sempre esperava que tudo acontecesse exatamente como tinha planejado, sem considerar que algo poderia ocorrer ao longo do tempo;
- Ao menor sinal de depressão ou doença psiquiátrica, procurar ajuda. No Século XIX, questões sobre a mente eram tabus, e realmente deveria ser difícil para a família Van Gogh aceitar esse tipo de condição médica. Ainda hoje, no Século XXI, com todas as evoluções que temos, há uma certa resistência quando as doenças ligadas à mente aparecem.
Onde ver obras de Van Gogh no Brasil?
No Brasil há cinco obras de Vincent van Gogh, que fazem parte do acervo do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Já tive a felicidade de ver estes quadros pessoalmente!
São eles:
- A Arlesiana (1890);
- Passeio ao crepúsculo (1889-1990);
- Banco de Pedra no Asilo de Saint-Remi (1889);
- O Escolar (O filho do carteiro – Gamin ou Képi) (1888);
- Natureza-morta com prato, vaso e flores (1884-1885) (Autor desconhecido, anteriormente atribuído a Vincent van Gogh).

Onde posso aprender mais sobre Vincent van Gogh?
Além dos dois livros já citados, fica aqui mais duas dicas para você se aventurar pela obra desse mestre da pintura:
- Filme – “Com amor, Van Gogh” (2017) – animação atualmente disponível no Prime Video.
- Site – Van Gogh Museum: The Museum about Vincent van Gogh in Amsterdam. A partir do site, que pode ser acessado em inglês ou holandês, é possível explorar todo o acervo, incluindo obras clássicas e fases artísticas do pintor.
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Van Gogh é um dos meus artistas prediletos e eu levo isso a sério!
“Noite Estrelada” (The Starry Night) está tatuada na minha perna direita. Além disso, tenho roupas, imã de geladeira, quebra-cabeça e miniatura do Van Gogh.
E você? Tem algum artista preferido? Já explorou a vida e a obra desse artista que você gosta?
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Conheça mais sobre o meu estilo de vida! Estou no Instagram com o perfil @tissiana.souza
